Reforma do aeroporto de Goiânia pode ser última obra inaugurada por Dilma
Redação DM
Publicado em 4 de maio de 2016 às 10:50 | Atualizado há 2 anos
A presidente Dilma Rousseff (PT) deve inaugurar na próxima segunda-feira, 9, a restauração e ampliação do aeroporto Santa Genoveva.
Conforme o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do mesmo partido da presidenta, os detalhes da inauguração foram acertados na segunda-feira.
O ministro da Aviação Civil Carlos Gabas deve confirmar hoje os detalhes da viagem presidencial para, enfim, mostrar ao público o novo aeroporto.
A previsão inicial do julgamento da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma no Senado está previsto para acontecer na próxima quarta-feira, 11 – dois dias antes da inauguração. Caso seja aprovada a admissibilidade no Senado, Dilma terá o mandato suspenso.

O aeroporto de Goiânia pode ser a última obra inaugurada pela presidente e que está, de fato, prestes a funcionar. Das intervenções do Governo Federal espalhadas no país, a reforma do Santa Genoveva é a mais próxima de chegar ao fim.
O novo terminal criado no aeroporto possui dois andares. A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) informa que o aeroporto conta com 34,1 mil metros quadrados, 11 elevadores, 23 balcões de check-in, 7 canais de inspeção, 4 escadas rolantes e 3 esteiras de restituição de bagagem.

Pelo histórico do Governo Federal nos últimos três mandatos, a reforma do aeroporto foi uma das maiores obras que Lula e Dilma direcionaram para Goiás.
LAVA JATO
A expectativa da Infraero é de que o novo terminal do aeroporto de Goiânia comece a funcionar no dia 21 de maio.
Até o final de semana o ritmo será de correria nas proximidades do aeroporto. O consórcio Odebrecht – que tocou as obras de ampliação do aeroporto – informa que realizará limpeza do novo terminal até o final de semana.
Citado na Operação Lava Jato, o aeroporto tem sobrevivido a várias denúncias e investigações. Com isso, o histórico da reforma, entretanto, acumula problemas. A responsável pelas obras venceu a licitação em 2004 e no ano seguinte iniciou a reforma e ampliação do aeroporto. Dois anos depois, todavia, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que técnicos encontraram fortes indícios de superfaturamento.
Seis meses depois, o Governo Federal paralisou os repasses de recursos para andamento da obra. De lá para cá, o aeroporto seguiu lentamente até que nos últimos anos teve início um movimento para finalizar as obras – principalmente pelo temor de que quando ocorresse a inauguração as intervenções estivessem defasadas.

Em outubro de 2011, a Infraero foi criticada quando entregou o Módulo Operacional Provisório (MOP). Batizado pela imprensa de “puxadinho”, o MOP era a imagem da fragilidade do novo aeroporto – incompatível com uma região metropolitana como a que circunda a Capital.
No mesmo ano, o TCU constatou que o projeto apresentado pelos governos de Goiás e União estavam antigos, fato que obrigou às empresas a realizarem nova modificação e retomarem as obras.
[box title=”Era para ser internacional”]
A história do Santa Genoveva é a prova de que nem tudo que se planeja acontece. Ele foi construído para ser o primeiro aeroporto internacional do Centro-Oeste. O sítio onde se localiza o aeroporto começou a receber aeronaves em 17 de junho de 1956.
De acordo com a Infraero, o aeroporto goianiense surgiu para ser grande. Mas aos 60 anos ele é um dos mais pequenos nas cidades de médio e grande porte. “O objetivo era tornar Goiânia a primeira cidade do Centro-Oeste a dispor de um aeroporto internacional”, diz texto da Infraero.
NOVO AEROPORTO
O economista e MBA pela Universidade de Genebra Reinaldo Fonseca sempre se revelou contra a reforma. Para ele, um dos maiores “desperdícios de recursos públicos do País”.
Para ele Goiânia precisa de uma solução definitiva e não é a simples reforma.
“É até questão de segurança: o Santa Genoveva está dentro da cidade. O avião corta baixo, bem no Campus da UFG e no Ceasa. É muito arriscado”, diz Fonseca, que pede um novo aeroporto, mais distante da capital.
A Infraero explica que o complexo aeroportuário de Goiânia é preparado para operar aeronaves de médio porte – B-737, AirBus 320, B 707 e raramente B-767.
.[/box]
[highlight]Senador Wilder defende ampliação de pista do aeroporto como próximo passo[/highlight]

O senador Wilder Morais defende a ampliação das pistas para que Goiás possa receber aviões de grande porte. Quando exercia a função de secretário de Infraestrutura do Estado de Goiás, entre 2011 e julho de 2012, o parlamentar esteve na Secretaria da Aviação Civil (SAC) e na Infraero em busca da ampliação da pista para o aeroporto.
Wilder diz que o aprimoramento do Santa Genoveva é uma necessidade que deve começar a ser discutida agora. “Percebemos que a demora desta reforma já é um indicativo de que devemos começar o quanto antes este debate da atualização das pistas para não sermos surpreendidos”, diz o senador.
O parlamentar afirma que a ampliação da pista do Santa Genoveva para possibilitar o recebimento de aeronaves de grande porte do setor de passageiros e de cargas é uma necessidade econômica, de logística e que pode atender à região metropolitana como um todo.
Wilder informa que já procurou, inclusive, a Superintendência de Planejamento Aeroportuário e de Operações da Infraero para apresentar a proposta de ampliação. Conforme o senador, existe uma área da Embrapa que poderá ser utilizada para esta ampliação.
EMBRAPA
Wilder diz que este debate de aumento da pista não exclui um segundo movimento, em busca de nova área, em outra cidade, como já indicado por outros especialistas. Mas devido a atual condição do aeroporto, que já tem um orçamento de R$ 467,4 milhões, o melhor é aprimorá-lo para atender a Capital nas próximas décadas de forma eficaz.
O senador goiano acredita que a Embrapa será sensível às necessidades de Goiás para ampliar a pista. “Já conversamos previamente com os dirigentes da Embrapa e eles apresentaram interesse inicial, com condicionantes, claro”.