Senador Ronaldo Caiado e a abertura da caixa-preta da Celg
Redação DM
Publicado em 4 de maio de 2016 às 00:51 | Atualizado há 10 anos
O atuante senador Ronaldo Caiado vem propagando, pela mídia, algo que se de fato vir a ocorrer comprometerá por completo a biografia de inúmeros políticos em Goiás. “A Celg é a bola da vez. É preciso abrir sua caixa-preta”, disse o corajoso parlamentar.
Não discordo de Ronaldo Caiado que nossa falida estatal é o nosso petrolão. Inclusive já escrevi muito sobre esse assunto. Quanto a isso, diga-se de passagem, que a empresa chegou nessa calamitosa situação, ou seja, por pura escassez de espíritos combativos, como o que hoje observarmos do juiz Sérgio Moro, transformado em herói, única e exclusivamente por estar cumprindo seu dever institucional.
Que a verdade seja dita: aqui em Goiás, se órgãos de controle como o Ministério Público e o Tribunal de Contas tivessem atuado com mais ênfase, muito do que ocorreu na Celg poderia ter sido evitado. Até hoje, quanto a essa questão, não vi ninguém na cadeia, a não ser por breves momentos.
Que ninguém duvide de que abrir a caixa-preta da empresa fundada pelo grande Juca Ludovico complicará a vida de inúmeros homens públicos diretamente responsáveis por desastrosas ações na empresa, que só facilitaram aos contínuos acintes ao patrimônio da Celg nos últimos trinta anos.
Para ser mais claro, quem foi punido pelo maior prejuízo que teve Goiás em toda sua história: 2,5 bilhões de reais da venda da Usina Hidroelétrica de Cachoeira Dourada, conjugado com o contrato superfaturado de compra de energia? Quem foi punido por inúmeras licitações direcionadas e previamente combinadas antes da abertura dos envelopes? Quem foi punido pelos eternos aditivos contratuais feitos sob medida para beneficiar os tais consultores e seus pacotes tecnológicos? Lógico: não se faz coisas como essas sem capachos colocados em cargos estratégicos dentro da empresa. Ingênuo é pensar que não estão eles por aí desfilando nos seus carrões, desfrutando de suas fazendas e lotes que valem milhões, vinhos caros, viagens para o exterior, frutos absolutos da corrupção. Ingênuo é quem pensa que gente com responsabilidade direta na privatização de Cachoeira não continua com apoio político do atual governo (ah, governo quão despreza o bom povo desta terra que o elegeu!) em cargos de direção na empresa.
No terreno das mazelas do passado, continuam a perambular almas penadas com muita culpa no cartório – e ainda com poder para favorecer. Gente desse jaez transita livremente nos bastidores do poder celgueano. A falta de crença leva à falta de caráter. Por essa razão, caro senador Ronaldo Caiado, será um ato de grandeza política a abertura da caixa-preta da Celg. Ela trará para a luz do Sol inúmeros personagens que sempre agiram na escuridão e, hoje, estão literalmente ricos à custa da desgraça do povo que o senhor dignamente representa.
(Salatiel Soares Correia, engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento Energético. Autor, entre outros obras, de Uma Falência Mais Que Anunciada. O Caso da Celg)