Desativada 2

Andando na linha, sempre

Redação DM

Publicado em 26 de abril de 2016 às 01:32 | Atualizado há 1 ano

Carlos Eduardo Tadeo, é um rapper paulista nascido no Capão da Canoa, da linha gangstar. Influência para a garotada que segue essa linha concentrando-se na procura de uma consciência de periferia. Além da música Eduardo segue pelo país fazendo palestras e também escreve.

Cotidianamente convivendo com o crime. A violência vivida despertava nele um desejo de ser bandido. A tv mostra ao menino pobre algo que ele não tem, mas deveria ter, ele vai dar um jeito de conseguir, são coisas lógicas. “Eu via os caras com tênis novos e queria ser criminoso” Aos sete anos, Carlos Eduardo Taddeo furtou um toca-fitas e roubou dinheiro de um turista. Eduardo já foi parar na delegacia para averiguação de furto em um supermercado, mas saiu sem maiores consequências. Aos nove anos, começou a se envolver com outros criminosos, levando e trazendo armas.

A música

Muitos grupos de rap das primeiras gerações brasileiras mudaram a linha de sua música para que se enquadrassem em um circuito mais comercial. Mas Eduardo se mantém consciente que os meios de comunicação aos quais muitos rappers servem machucam e massacram a periferia. “A gente tem um portal de informação, que é a televisão. Imagina você um cara comum de periferia, pobre negro, imagina sendo passado pra você 24horas por dia, extermínio e etc… Então aquilo não comove… Não só nós aceitamos, mas quando acontece de um menino roubar na rua, muitas vezes as pessoas se juntam pra fazer um linchamento, porquê é o quê é vendido pela televisão, que o inimigo na periferia”.

Essa entrevista foi dada pelo rapper pelo canal Ponte.org

Sobre a criminalização e o extermínio, ele diz: “Eles criminalizaram a pobreza a tal ponto que o cara de periferia achar que é natural, que é a justiça sendo feito, que isso é política de segurança… O extermínio na periferia, então existe uma legitimação e uma aceitação”.

Eduardo lembra uma das maiores forças que o rap trouxe a resistência e aceitação do negro, ele lembra que há poucas décadas não se saia as ruas com camisetas de Malcolm X, Zumbi, ou algum grande nome negro. O rap introduziu a possibilidade de aceitação e fortalece o respeito e memória dos negros. Como Eduardo diz “Você ver um jovem usando uma camiseta 100% negro, era surreal há 20 anos atrás. Isso é mérito do hip hop.

“É uma questão de desinformação, a direita ganhar, tendo uma votação expressiva na periferia. O cara da periferia que vai lá votar, ele não conseguiu associar o extermínio com o exterminador. Ele não conseguiu entender que aquele que tá ali posando de bom político, bom samaritano dá ordem pra polícia matar. Agora a direita tá só fazendo o que o playboy sempre fez, está lá batendo nas costas do herói dele. Quando acontece uma chacina na periferia ele agradece o policial.

Eduardo se manteve firme em seu propósito de defender a gente da periferia e suas músicas e declarações não fogem em sua coerência. As manifestações de rua que culminaram no impeachment, são criticadas pelo rapper, pois muitas apresentaram a defesa de um governo de extrema direita “Por isso você vê esse tipo de manifestação débil. Ah batendo palma pra polícia, dando bolo de fruta pra assassino, o que é ridículo”.

A música de Eduardo

Era das Chacinas, foi escrita pelo rapper de acordo com o livro escrito pelo coletivo,Mães de Maio, que reúne familiares de vítima do extermínio na periferia

Um pedaço da letra diz: “O pedido do secretário de segurança é específico/ Soldados atenção, sem testemunha e feridos/ Abatam pelo cabelo, pela roupa, pela cor/ Só cuidado com a laje com cinegrafista amador”. A música é parte do disco

Fantástica Fábrica de Cadáveres. No mesmo disco, saíram o clipe e música Depósito dos Rejeitados,sobre abandono infantil.

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia