Temer conversa hoje com Meirelles, que pode assumir Ministério da Fazenda
Redação DM
Publicado em 23 de abril de 2016 às 11:53 | Atualizado há 10 anos
O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles se reúne neste sábado no Palácio Jaburu, em Brasília, com o vice-presidente Michel Temer. O encontro tem um motivo específico: ele será oficialmente convidado a participar de uma eventual gestão de Michel Temer.
Antes, o vice pretende ouvir o que Meirelles sabe da política econômica e quais possíveis soluções. A sabatina informal é a aparência pública do encontro. A parte em segredo será a pergunta se o país tem jeito à médio prazo.
O fato é que nem Temer sabe exatamente o tamanho do problema que pretende herdar.
Henrique Meirelles é o nome mais forte até agora para integrar o Ministério da Fazenda, caso o impeachment de Dilma seja aprovado no Senado Federal. O economista Murilo Portugal, um desconhecido da população, é o reserva.
NOVOS
Com a saída de Dilma Rousseff, que será afastada por até 180 dias, Temer contaria com um grupo de gestores diferente do atual mandato da presidenta.
Um deles já foi convidado formalmente: Alexandre Morais, secretário de Segurança Pública de São Paulo e um dos mais renomados constitucionalistas do país, mais até do que Temer. Ele foi chamado para integrar a Advocacia Geral da União (AGU). Não se sabe se aceitará, pois Morais integra a lista dos que concorrem para substituir Geraldo Alckmin, no Governo de São Paulo.
Outro goiano que esperava ser convocado é o empresário Sandro Mabel., próximo de Temer e de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados investigado por diversos ilícitos civis e penais.
Mabel já reconhece que não terá espaço e diz que pretende permanecer atuante na iniciativa privada.
FATOR MEIRELLES
Meirelles foi ignorado durante seis anos na gestão de Dilma Rousseff, apesar do bom trabalho realizado no Banco Central.
Faz parte do mesmo grupo político de Lula, pois acabou sendo convidado pelo grupo Friboi para assessorar a empresa – um dos grupos que mais cresceram na gestão de Lula quando foi presidente, principalmente por conta dos aportes do BNDES.
Apesar da aproximação com a Friboi, que foi investigada por vários negócios e isenções tributárias polêmicas, a avaliação dos políticos peemedebistas é de que Henrique Meirelles tem credibilidade internacional e gosta de trabalhar.
O nome mais esperado por Temer era de Armínio Fraga, com quem ele se encontrou há quatro dias. O encontro com Aécio Neves e Armínio teria sido produtivo, mas sem o que Temer mais desejava: o apoio para efetivamente participar do governo. Interessado na presidência em 2018, o PSDB começa a se afastar do vice.
Sem o economista com a chancela tucana, o engenheiro goiano, ligado ao PSD, passa a ser a bola da vez.
Ele criaria um ‘efeito Meirelles’ no atual governo, tendo em sua imagem duas características: firmeza na condução de ações econômicas e credibilidade já anunciada pelos peemedebistas, com medo de que as desesperadas entrevistas de Dilma Rousseff no exterior ecoem e pressionem o país a mantê-la no cargo.