Com habilidade e equilíbrio, Jovair conquista confiança da sociedade
Redação DM
Publicado em 4 de abril de 2016 às 15:00 | Atualizado há 10 anos
Em função da pequena representatividade eleitoral e econômica, Goiás geralmente fica de fora das grandes articulações políticas em Brasília.
O Estado nunca elegeu um presidente da Câmara, por exemplo, e em raras oportunidades emplacou um ministro (os mais recentes foram Henrique Meirelles, Iris Rezende, Flávio Peixoto e Alfredo Nasser).
Neste sentido, merece destaque a indicação do deputado federal Jovair Arantes (PTB) para relatoria da comissão especial que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que o coloca em definitivo no rol de parlamentares mais importantes do País.
No exercício do seu sexto mandato em Brasília, Jovair é um deputado com a mesma estatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Arlindo Chinaglia (PT-SP) ou Miro Teixeira (PDT-RJ). Até pouquíssimo tempo, tinha assento no Conselho Político da Presidência da República – função a que teve que renunciar para assumir a relatoria do pedido de afastamento de Dilma. É líder da bancada do PTB na Câmara há dez anos e coordenador da bancada de Goiás no Congresso Nacional há vários mandatos.
O deputado integra seleto grupo de 100 parlamentares mais influentes do Senado e da Câmara. Há 15 anos ele aparece no levantamento produzido pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Apenas o senador Ronaldo Caiado (DEM) recebeu mais indicações do que ele (16). Jovair hoje é referência no Congresso Nacional e a sua influência nos rumos do Brasil é incontestável. A ponto de os grandes jornais e comentaristas de política dizerem que o seu trabalho como relator do impeachment, se for bem feito, pode credenciá-lo a voos bem mais altos.
FUTURO
O futuro político de Jovair Arantes depende do parecer que ele vai apresentar à Comissão Especial. Ele tem a difícil missão de produzir um relatório estritamente balizado na Constituição e que não dê margem para a contestação judicial. O deputado costuma dizer em entrevistas que o seu parecer terá a pretensão de inaugurar um novo momento no Brasil. Um momento em que a palavra de ordem seja conciliação. Sabe que, para isso, precisa produzir um documento justo e correto, ainda que desagrade um dos lados.
“Independente do que o Congresso decidir, se vamos seguir em frente com Dilma ou com Michel Temer, o fato é que o País precisa virar a página. Um dos dois terá de construir um governo de coalizão, de comunhão de forças, que coloque o interesse público acima do partidário. Não faz bem ao País o discurso maniqueísta que opõe uns e outros, porque no balanço final todos foram e continuam sendo prejudicados pelo terremoto”, afirma Jovair.
As declarações ponderadas do deputado tranquilizam tanto o governo quanto a oposição. A esta altura dos acontecimentos, todos entendem que é preciso fazer a poeira baixar em Brasília e que o acirramento do confronto causará prejuízos ainda maiores para a economia. E é justamente a facilidade que Jovair tem para se equilibrar no fogo cruzado que o credencia para participar como protagonista do novo enredo que vai se costurar ao fim desta catarse. Seja como presidente da Câmara, seja como ministro.
O impeachment da presidente Dilma também pode ter desdobramentos em Goiás. Se Jovair continuar ocupando espaços com a mesma habilidade que ele vem demonstrando nos grandes debates parlamentares, ele será um dos candidatos naturais da base aliada ao Senado em 2018, na mesma chapa do governador Marconi Perillo (PSDB). Ou, em outra hipótese, o deputado pode até disputar o governo do Estado. Por que não?
Jovair é reticente quando questionado sobre o seu futuro político. Por ora, só se pronuncia a respeito do pedido para o qual foi escolhido relator. E é bom que assim seja: o processo que trata do afastamento de Dilma tem nada menos do que 6 mil folhas e múltiplos interesses envolvidos. De fora, é impossível imaginar toda a sorte de pressões que o deputado está sofrendo. Há muito em jogo.
“Impossível não ouvir a voz das ruas”
O deputado federal Jovair Arantes (PTB), relator da comissão especial que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), afirma que não aceitará pressões que possam interferir no seu parecer final. Mas admite ser “impossível não ouvir a voz das ruas”. “Só se eu fosse cego, surdo ou hipócrita para dizer o contrário”.
“Pela televisão eu vejo as ruas pintadas durante as manifestações – ora de verde e amarelo, ora de vermelho. Também ouço o tiritar das panelas quando começa o Jornal Nacional. De modo geral, o que posso dizer é que estou muito feliz em ver a população brasileira envolvida no debate político. Todos nós temos que entender que o exercício da democracia não se resume ao momento do voto”, afirma o deputado.
Jovair não tem formação jurídica. É cirurgião dentista, formado em Anápolis. Mas há mais de 15 anos exerce mandatos parlamentares no Congresso e ajuda a aprimorar o arcabouço de leis que regem a vida dos brasileiros. Além disso, argumenta ele, “eu tenho o suporte da mais qualificada assessoria técnica que pode existir. Não há pressão que possa me desviar do propósito de fazer um bom trabalho. O Brasil espera isso de mim”.