Política

Lista das investigações da Lava jato cita políticos goianos

Redação DM

Publicado em 24 de março de 2016 às 01:09 | Atualizado há 10 anos

Uma planilha que estava com Benedicto Barbosa Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura, traz o nome de 200 políticos brasileiros.

É a maior apreensão de nomes e documentos relacionados a um suposto esquema de corrupção na história do Brasil.

O fato pode comprometer boa parte deles, pois a lista diz respeito ao suposto repasse de recursos privados para os agentes públicos e então candidatos.

O juiz Sérgio Moro, contudo, diz que qualquer constatação final e incriminadora é um equívoco, pois existem doações legais da empresa.

Para que se avalie a diferença basta comparar o que foi arrolado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE)  e ao que supostamente teria sido repassado aos políticos.  Caso ocorra alguma discrepância é que surge a suspeita e hipótese para que seja realizada alguma investigação.

Os goianos também aparecem no documento apreendido na 23ª fase da Operação Lava Jato  (“Acarajé”).

VEJA AQUI A PLANILHA COMPLETA

O governador Marconi Perillo, o ex-senador Demóstenes Torres e o prefeito de Goiânia Paulo Garcia estão dentre os políticos que aparecem como supostos beneficiários da entrega de recursos.

A Odebrecht tem em Goiás várias obras em atividade e licitações, como a reforma do Aeroporto de Goiânia e operação dos serviços de esgoto em contratos com a Saneago.

Um dos braços da empresa – a Odebrecht TransPort – integra consórcio das empresas que pretendem instalar o veículo leve sobre trilhos (VLT) de Goiânia –  obra atualmente paralisada e sem ´revisão de cumprimento de cronogramas.

A planilha é bastante detalhada: a tabela aponta que o governador goiano teria supostamente recebido R$ 200 mil da empreiteira no dia 1 de setembro de 2010.

O então senador Demóstenes Torres, por sua vez, no dia 9 de setembro de 2010, teria  recebido R$ 1,2 milhão.

Já Paulo Garcia, prefeito de Goiânia, segundo o documento investigado na Lava Jato recebeu repasses de R$ 300 mil no total.

Todos os políticos goianos, por meio de seus representantes, negaram qualquer ilegalidade com a Odebrecht, empresa que pretende realizar delação premiada no caso da Lava Jato.

 

MARCONI

Em relação ao governador Marconi Perillo,  o Diretório Estadual do PSDB de Goiás informa que todas as doações para as campanhas de candidatos do partido nas eleições de 2010 e 2014 foram devidamente declaradas à Justiça eleitoral, efetuadas via transferência bancária e atestadas por recibos.

Já Demóstenes, por meio de seu advogado Pedro Paulo de Medeiros, diz que, em setembro de 2010, a campanha eleitoral recebeu duas doações, que totalizaram o valor de R$ 1,2 mi, uma da empresa Leyroz (R$ 960mil) e outra da empresa Praiamar (R$ 240 mil). Elas compõem o Grupo Petrópolis, diz a defesa.

De acordo com a defesa do ex-senador, que enfrenta ações na Justiça, as doações foram feitas via transferências bancárias e aplicadas “conforme a lei na campanha eleitoral de 2010, tanto que a prestação de contas foi aprovada pela Justiça Eleitoral com parecer favorável do Ministério Público Eleitoral”.

 

PAULO GARCIA

A nota do prefeito Paulo Garcia diz que ele agiu de forma legal: “Na campanha eleitoral de 2012, quando fui candidato à reeleição, declarei todos os gastos e todas as arrecadações ao TRE conforme manda a legislação. No site do TSE é possível ver a lista de todos os doadores da minha campanha. Essa prestação de contas já foi devidamente aprovada. Afirmo com convicção que, nem na campanha eleitoral de 2012, e em nenhuma outra campanha que participei, recebi qualquer doação da empresa Odebrecht ou de suas subsidiárias. Na eleição de 2012, minha campanha recebeu a doação de R$ 3.562.500,00 do Diretório Nacional do PT, R$ 290.000,00 do Diretório Regional do PT e o restante conforme listado na prestação de contas do TSE. O Município de Goiânia, sob a minha administração, nunca teve nenhum serviço contratado junto a essa empresa. Reafirmo mais uma vez que todas as despesas de minha campanha foram as declaradas ao TRE. Não pratiquei na campanha de 2012 e em nenhuma outra quaisquer atos ilícitos”.

 

 

 


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