Delação premiada: Marcelo Odebrecht decide falar tudo para Sérgio Moro
Redação DM
Publicado em 23 de março de 2016 às 01:19 | Atualizado há 10 anos
Após a nova operação da Polícia Federal realizada hoje, 22/03, cujo foco era a empresa Odebrecht, os executivos da maior construtora do Brasil resolveram ceder e aceitar os acordos de delação premiada, conforme a Lei 12.850/13.
O conteúdo da delação deve ser bombástico e definitivo. A colaboração era o temor maior do grupo petista que tentou blindar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa, além da presidenta Dilma Rousseff.
Denominada de Xepa, a 26ª fase da operação, deflagrada nesta terça-feira, já teria contado com algumas informações de Marcelo Odebrecht.
A ideia da delação partiu por último de Emílio Odebrecht, pai de Marcelo.
Emílio teme que a empresa acabe em estado de bancarrota caso não seja aceita no acordo de leniência, já protocolado na Procuradoria.
Veja a nota divulgada pela Odebrecht, em que assume o interesse em delatar. No texto, ela diz que pretende apoiar a Justiça e ajudar a fazer um Brasil melhor.
NOTA ODEBRECHT
“As avaliações e reflexões levadas a efeito por nossos acionistas e executivos levaram a Odebrecht a decidir por uma colaboração definitiva com as investigações da Operação Lava Jato.
A empresa, que identificou a necessidade de implantar melhorias em suas práticas, vem mantendo contato com as autoridades com o objetivo de colaborar com as investigações, além da iniciativa de leniência já adotada em dezembro junto à Controladoria Geral da União.
Esperamos que os esclarecimentos da colaboração contribuam significativamente com a Justiça brasileira e com a construção de um Brasil melhor.
Na mesma direção, seguimos aperfeiçoando nosso sistema de conformidade e nosso modelo de governança; estamos em processo avançado de adesão ao Pacto Global, da ONU, que visa mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores reconhecidos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção; estabelecemos metas de conformidade para que nossos negócios se enquadrarem como Empresa Pró-Ética (da CGU), iniciativa que incentiva as empresas a implantarem medidas de prevenção e combate à corrupção e outros tipos de fraudes. Vamos, também, adotar novas práticas de relacionamento com a esfera pública.
Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato – que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país – seguimos acreditando no Brasil.
Ao contribuir com o aprimoramento do contexto institucional, a Odebrecht olha para si e procura evoluir, mirando o futuro. Entendemos nossa responsabilidade social e econômica, e iremos cumprir nossos contratos e manter seus investimentos. Assim, poderemos preservar os empregos diretos e indiretos que geramos e prosseguir no papel de agente econômico relevante, de forma responsável e sustentável.
Em respeito aos nossos mais de 130 mil integrantes, alguns deles tantas vezes injustamente retratados, às suas famílias, aos nossos clientes, às comunidades em que atuamos, aos nossos parceiros e à sociedade em geral, manifestamos nosso compromisso com o país. São 72 anos de história e sabemos que temos que avançar por meio de ações práticas, do diálogo e da transparência.
Nosso compromisso é o de evoluir com o Brasil e para o Brasil.”