Política

Justiça divulga grampo de Lula e Dilma que sugere estratégia para fugir de prisão

Redação DM

Publicado em 17 de março de 2016 às 01:44 | Atualizado há 10 anos

Grampos da Polícia Federal, feitos com autorização do juiz federal Sérgio Moro, indicam que a presidente Dilma Rousseff agiu para evitar a prisão do ex-presidente Lula pela Lava Jato, nomeando-o ministro da Casa Civil. O juiz Moro incluiu hoje no inquérito que investiga o ex-presidente um áudio em que Dilma telefona para Lula – o número discado é de um assessor do ex-presidente, usado frequentemente por ele e o único grampeado, segundo os autos – e explica que encaminhará a ele um “termo de posse”, a ser usado “em caso de necessidade”. O cargo de ministro concede ao seu ocupante foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF). O diálogo foi gravado hoje às 13h32.

Pouco mais tarde, por volta das 16h, Dilma Rousseff concedeu entrevista coletiva em que negou enfaticamente que a nomeação de Lula tivesse por objetivo garantir-lhe o foro no STF e tirar seu caso da alçada de Moro. Dilma afirmou que a transferência do processo de Lula para o Supremo não lhe traria qualquer proteção especial e qualquer ideia em contrário seria mera intriga das “oposições”, incomodadas com a ideia de que o retorno do ex-presidente ao Palácio do Planalto fortaleceria o seu governo.

“Então, por trás dessa afirmação de que seria se esconder, estaria uma desconfiança da Suprema Corte do País? É isso que as oposições querem colocar? A única diferença que existe em ser investigado na primeira instância ou na última é quem é a corte que manda investigar. Prerrogativa de foro não é impedir a investigação, é fazê-la em determinada instância e não em outra”, afirmou Dilma.

Dilma – mais uma vez deixando de lado o figurino de presidente para assumir o de juíza – prosseguiu dizendo que toda a investigação em torno de Lula era “muito estranha”, uma vez que ele já havia negado ser proprietário do tríplex no Guarujá e do sítio em Atibaia, e que essas suas explicações deveriam ser consideradas “suficientes”.

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