Elitismo: entre tantas outras palavras criadas, esta nada mais é do que uma hipocrisia petista
Redação DM
Publicado em 16 de março de 2016 às 02:28 | Atualizado há 10 anos
Todo dia vemos nos meios de comunicação políticos mentir e não aceitarem verdades. Todo dia vemos burgueses, gente graúda e miúda do PT e de outros partidos a ele coligados dizendo que somos elitistas e usam sistematicamente esse termo como meio de defesa de seus próprios atos nefastos. E por falar em gente “miúda”, ou manipulada, sei lá, no dia 13 de março, quando retornava de um funeral na cidade de Mineiros, ao passar pela BR-364, entre os barracos de lona e cabanas de papelão construídas à beira da rodovia, vimos muitos veículos estacionados e entre eles, até camionetas de luxo, todos em excelente estado de conservação. Um sobrinho que estava no banco traseiro me perguntou: Tio, como pode invasores ter tantos veículos, mas morar à beira da estrada? Quem tem camioneta como aquela pode comprar, pelo menos, uma pequena casa? De onde vêm tantos veículos ou dinheiro? Dei um sorriso maroto e disse-lhe: Zé, o pior é que essa gente é instruída e monitorada por seus mantenedores (governo) para invadir terras e chamar-nos de elite. E olha que o PT já está há treze anos no poder e eles continuam lá. Quanto à palavra elite é uma forma que eles acharam para ocultarem ou falsear a realidade deles próprios ou de quem os comanda, através de uma máscara de aparência. Todavia é bom entrar no mérito da coisa. Vou te responder incluindo na história a minha própria vida, ou quiçá, a sua também e de tantas outras pessoas de bem que batalham arduamente e com honestidade para sobreviver. Pois bem. Que atire a primeira pedra quem não deseja um dia ser elite? Eu, com o maior prazer caro sobrinho, digo que sou elite e repito: sim, eu sou. Sabe por que digo isso? A minha saudosa mãe que você conheceu bem me fez alcançar isso. Sim, minha mãe Carolina Maria, mais uma de tantas mulheres que, sozinhas, criaram seus filhos sem Bolsa Qualquer Coisa; lavando roupa pra fora com água tirada de poço artesiano, depois as passava com ferro a brasa sob a luz de uma lamparina porque o barracão não possuía energia elétrica. Sim, minha querida mãe, que sequer teve tempo para estudar ou fazer qualquer curso, tornando-se analfabeta, mas de uma pureza de alma e sensibilidade incrível.
Eu sei o que é passar fome; fome, fome, fome… Naquela época você nem tinha nascido. Na nossa casa não havia sacos de arroz e feijão e nem existia Cartão Bolsa Família. No entanto, minha mãe me ensinou, assim como aos meus oito irmãos que, o que traz felicidade não é a fartura de dinheiro e nem uma despensa farta. Dizia com maior clareza que, o que dignifica o homem não é o que ele tem, mas as escolhas que ele faz e a forma honesta com que as realiza. Minha mãe, na sua simplicidade, dizia que não há investimento melhor na vida, senão a educação dos filhos, o trabalho digno e que se um dia achássemos que a educação é cara, então que investíssemos na ignorância… Ela não deu conta de custear os nossos estudos (à época nem tinha Bolsa Escola), mas ensinou-nos a trabalhar e ir atrás do dinheiro suado.
Mãe de nove filhos, uns diplomados, como eu, e outros não, mas todos bem posicionados na vida, labutando dia e noite para que um dia a gente fizesse parte da elite. Minha mãe nem teve casa e sempre morou de favores com a ajuda de uma tia, (à época nem tinha Cheque Moradia). Conseguiu com muito sacrifício comprar um lote e nele construiu um barracão. (à época nem existia Minha Casa Minha Vida).
Hoje eu sou parte dessa elite de trabalhadores com diplomas de faculdade particular porque eu que realizei, e não o governo que me ajudou realizar; faço parte dessa elite de trabalhadores que mora em bairro nobre; que pode dar ao luxo de mandar os filhos para universidades particulares, e ainda, que sempre paguei e pago em dia as minhas obrigações e tenho nome limpo na praça. E, se quiser, se a consciência moral permitir, até usar uma bolsa dinheiro do próprio bolso.
Sou elite e você sobrinho é um testemunho de tudo isso porque sabe que começo o meu expediente às sete horas da manhã e só termino onze horas depois; sou elite sim, porque a minha mãe me ensinou o valor de se ter um nome respeitado, limpo e não mentir, como muitos que se dizem líderes mentem por aí.
Chegando à minha casa resolvi passar a limpo a nossa conversa ou resposta sobre o termo elite usada pelos integrantes do PT, mas antes, por coincidência assisti ao programa “Conexão Repórter” de Roberto Cabrine e qual foi minha surpresa: o apresentador falava justamente sobre invasão ilegal de áreas e prédios em São Paulo e Brasília. Ao ver aquelas cenas, lembrei-me novamente de minha saudosa mãe e a cada pessoa entrevistada pelo repórter, me fez acrescentar neste texto o reconhecimento da labuta e esforço diário dela, e dizer a todos que me sinto feliz em saber que o meu nome é elite, como também afirmar que hoje tenho o imenso prazer de conviver com ilustres personagens que fazem história em Goiás, tanto no meio político, empresarial, sindical, como no mundo da literatura e artes; sou um homem honrado e íntegro que nunca tirou férias regulares só para não ver meus entes em dificuldades, e por trabalhar arduamente, concretizei o meu sonho de possuir entre outros bens, um “apartamentinho” num bairro nobre, com uma varanda que me facilita ver a lua e o sol nascer e se pôr no horizonte…
Hoje eu sou elite não por ter nascido rico, mas por ter experimentado a infância, pobre de verdade, mas rica em valores integrais. Alcancei essa elite hoje pela designação moral de minha escolha pelo caminho mais estreito. Sou elite porque procurei o caminho da retidão e honestidade, procurei ser um trabalhador cumpridor de seus deveres, mas sempre ciente de que isso não é virtude, é obrigação. E que ser leal e cumpridor de regras não pode ser oferenda de sacrifícios e sim, compromisso espiritual para com o meio… Sou elite sim, porque a minha base é o caráter; o meu alicerce é o sonho de construir um mundo melhor para ajudar as pessoas, criar meus filhos e netos; a minha pedra fundamental foi construída a partir da fusão do trabalho, da honestidade, da honradez, da verdade, e consciência limpa… E é por isso e muito mais, que o meu telhado não é de vidro, mas se por um acaso um dia vir a quebrar podem ter a certeza de que foi Deus que o quebrou e com as mãos estendidas me ofereceu às estrelas.
(Vanderlan Domingos de Souza, advogado, escritor, missionário e ambientalista. É vice-presidente da União Brasileira dos Escritores; membro da Academia Morrinhense de Letras; membro da Alcai – Academia de Letras, Ciência e Artes de Inhumas; membro da Conbla – Confederação de Letras de Artes de São Paulo. Foi agraciado com Título Honorífico de Cidadão Goianiense. Escreve todas as quartas-feiras para o Diário da Manhã. Email: [email protected] Blog: vanderlandomingos. blogspot.com Site: www.ongvisaoambiental.org.br)