Brasil

O atual discurso de classes no Brasil

Redação DM

Publicado em 16 de março de 2016 às 01:43 | Atualizado há 10 anos

Depois observar duas reportagens veiculadas no último dia 10 de março em rede nacional, pude notar um fato curioso: o Estado a serviço das grandes empresas e a manipulação das instituições pelo pensamento da classe média.
Uma das matérias foi rodada em Jataizinho PR, pela emissora afiliada da Rede Globo e mostrou a ação da Polícia Federal (PF) coibindo o abuso de motoristas que atravessam as cancelas do pedágio na BR 369 sem pagar a taxa, que é uma das mais caras do Brasil: R$ 18,60. Ainda na reportagem, de forma cínica, o jornalista Wilson Kirsch diz ao motoqueiro pego em flagrante: “Dessa vez não funcionou né.” Ainda no mesmo dia a Globo também veiculou que Lula teve pedido de prisão provisória feito pelo Ministério Público (MP) de São Paulo. Resta do fato que a juíza da 4ª Vara Criminal de São Paulo, Maria Priscila Veiga Oliveira não tem prazo para tomar a decisão – a saber, se prende ou não o ex-presidente.
O que essas coisas têm em comum?
O discurso de classes tem tomado conta do cenário político. No caso do pedágio o Estado pune a sociedade e usa de seu aparato de coerção – no caso a PF – para fazer valer o direito da empresa Triunfo – concessionária que explora economicamente as rodovias brasileiras. Ou seja, é o Estado impondo pela força coercitiva; pela multa e apreensão, a submissão da sociedade a um oligopólio. Essa dinâmica econômica capitalista faz parte do novo panorama que se desenha no horizonte brasileiro. Dela (da nova dinâmica) infere-se que forças do pensamento das classes dominantes, vêm numa crescente imposição de valores, submetendo a sociedade dos comuns a uma nova forma de alienação: a alienação legalizada. O Estado tira um direito e concede um privilégio: o direito de ir e vir e o privilégio de se ter a máquina do Estado a favor de grandes empresas para submeter a sociedade.
No caso do MP de São Paulo a forma de racionalizar está enviesada pelo critério ideológico das classes. O empoderamento das instituições a serviço da vontade de núcleos do pensamento da classe média em detrimento da razoabilidade e temperança – primados da justiça – foram esquecidos e colocados à parte.
Como o caso Lula já transita na justiça federal, inclusive com todas as denúncias do MP de São Paulo, seria no mínimo incoerência jurídica o MP paulista atropelar as denúncias contra o ex-presidente, feitas pelo juiz Sérgio Moro no Paraná. O caso mais parece espancamento midiático provocado pela vontade ideológica dos que querem sangue e não justiça.
Nesse sentido o que se observa é que as instituições – não confundir com organizações – estão mercê das vontades dos que se empoderaram desses meios para seus fins, como é o caso da promotoria paulista e da Polícia Federal.

(Waldemar Rêgo – jornalista, escritor e artista plástico. [email protected])


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