Política

Janela da infidelidade não prejudica candidaturas

Redação DM

Publicado em 22 de fevereiro de 2016 às 18:43 | Atualizado há 2 anos

A janela da ‘infidelidade’ aberta com a aprovação da Emenda Constitucional 91/2016, que possibilita  candidatos às eleições deste ano mudarem de legenda, tornou-se uma polêmica no Direito Eleitoral. Principalmente quanto ao casuísmo e a insegurança jurídica que ela acarreta. Afinal, quando será a próxima janela, perguntam os advogados eleitorais contrários ao expediente.

Todavia, a medida jurídica caiu como uma luva para vários políticos interessados em deixar suas legendas de origem.

O cientista político Lehninger Mota, que pesquisa a relação da população brasileira com as legendas, enxerga o fato por outro viés: o ângulo da construção da imagem pública e das facilidades para estruturação de campanha.

A janela partidária de 30 dias permite agora que os deputados federais, estaduais e vereadores mudem de partido sem que haja punição por parte da Justiça Eleitoral.

Para Lehninger Mota, políticos como o delegado Waldir terão poucos prejuízos quanto à sua imagem: “O prejuízo político  é irrelevante, uma vez que os partidos políticos no Brasil não se colocam como um atalho informacional para os eleitores. Contudo, o que deve ser levado em consideração é a estrutura eleitoral que o partido é capaz de oferecer ao candidato”, diz o cientista político e pesquisador Lehninger Mota, em entrevista ao portal “Jornal Urgente”.

Eleito com 274.625 votos, a maior votação proporcional da história no Estado, Waldir é considerado um potencial nome para a disputa. Lehninger Mota faz uma única ressalva: se a opção de Waldir recair em legendas como o PR, com um histórico recente de denúncias, é possível que uma pequena parcela de eleitores hipnotizados pelo discurso da “moralidade na política” optem em não votar no delegado.

SISTEMA

Lehninger Mota afirma que não ter em mãos um grande partido significa hoje perder inserção na TV e capilaridade nas cidades. Para a disputa municipal, todavia, é menos grave do que em um jogo eleitoral estadual, onde existe um maior número de pessoas e partidos envolvidos.

Diante deste cenário, diz o cientista, partidos ainda são fundamentais, mas o personalismo de certas candidaturas não impede que o candidato de legendas menores – mas com bom trânsito em redes sociais e na imprensa – apresente bom desempenho.


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