Manifestações e convenção do PMDB agitam fim de semana político
Redação DM
Publicado em 12 de março de 2016 às 11:42 | Atualizado há 2 anos
Tom Carlos
Os movimentos sociais e populares descontentes com os rumos políticos e econômicos do Brasil podem realizar um dos protestos mais barulhentos e significativos dos últimos anos a partir deste domingo, 13.
Este será o sexto protesto contra Dilma e o primeiro de 2016.
Incentivados pelos desdobramentos das denúncias que integram o corpo da operação Lava Jato, os manifestantes misturam indignação, ingenuidade política e militância.
Apesar da regra ser o desapontamento com o Governo Federal e também gestores estaduais, as manifestações de domingo ganharam mais um cunho liberal conservador, tendo à frente uma corrente que não é a mais representativa da sociedade, mas de grande impacto nos órgãos de comunicação.

Em Goiânia, o Movimento Brasil Livre (MBL) convocou os protestos e organizou uma vaquinha online, para que o evento deste final de semana chame atenção da sociedade e da imprensa para que os políticos do Congresso Nacional e representantes do Poder Judiciário tomem atitude contra a presidente Dilma, o ex-presidente Lula e os demais envolvidos na Operação Lava Jato.
Estudantes, movimentos populares e de bairros não convocaram manifestação.
Em Goiânia, os manifestantes devem se concentrar na praça Tamandaré e seguir o fluxo em direção à Praça Cívica ou avenida 85.
O MBL informa que o grupo arrecadou junto aos participantes recursos para pagar carros de som e produção de 200 mil panfletos.
O movimento liberal também encomendou 1,5 mil camisetas.

A partir deste sábado, o MBL já realizará adesivaços, com a presença de bonecos de Lula presidiário.
Os manifestantes prometem também realizar flash mobs (encontros rápidos marcados pelas redes sociais) em shoppings da Grande Goiânia.
O MBL vai basicamente atacar a gestão de Dilma, fustigar as suspeitas de crimes patrocinados pelo ex-presidente Lula e os petistas envolvidos nos escândalos.
Manifestantes consultados pelo DMOnline afirmam que o protesto servirá também para pedir o afastamento de Renan Calheiros (presidente do Senado) e Eduardo Cunha (presidente da Câmara Federal).
O movimento serve para defender ainda o juiz Sérgio Moro (responsável pela maior parte das condenações da Lava Jato) e os procuradores que realizam as denúncias.
A palavra de ordem é “Ou você vai ou ela fica”. E não existe dentro da manifestação um rol claro de petições quanto à mudança do sistema político, daí o caráter ingênuo de centrar forças na saída de Dilma e não na mudança do sistema político
MAIS VOLUME
O movimento que ocorre neste domingo, contudo, traz mais participantes do que o habitual. O próprio segmento empresarial passou a apoiar as manifestaões, como a rede Habibs, que lançou a campanha “Fome de Mudanças”.
Não e de se jogar fora o apoio, uma vez que o grupo empresarial conta com mais de 22 mil funcionários e 430 lojas espalhadas no Brasil.
Em Brasília e São Paulo os manifestos devem ser considerados termômetros do humor nacional. O líder evangélico Silas Malafaia, que tem incidência nas denominações pentecostais e neopentecostais, realiza convocação agressiva para os protestos desde o final de fevereiro.
Ele afirma que estará em Brasília junto aos protestantes, no carro de som, ao lado do Congresso Nacional.
Nas chamadas de Silas, ele diz que o evangélico não deve deixar de ir sob a alegação de que religiosos não confrontam governos. “Isso é omissão escondida em espiritualidade. Eu incentivo que vá. É direito e legal. Jesus falou em Matheus 22:21 – dá a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Cidadania terrena e cidadania celestial. Nós não podemos abrir mão da nossa cidadania. Não podemos ser alienados sociais. Vai lá, sim, protestar. E não é só por corrupção não. Esses esquerdopatas querem destruir valores da família, erotizar nossas crianças. Vai lá para protestar. Eu sou favorável. É direito, cidadania, legal, não é pecado. Deus tenha misericórdia do Brasil. Deus nos livre do caos!”.
https://www.youtube.com/watch?v=tEEABXDwDT4
Partidos políticos como PSDB e Solidariedade apoiam abertamente as manifestações. Em São Paulo, Geraldo Alckmin e Aécio Neves, também suspeito de práticas de ilícitos na Lava Jato, conforme a delação premiada do senador Delcídio Amaral, participam dos protestos.
A Rede Sustentabilidade, uma das legendas que mais capitalizam eleitores com a derrocada do PT, apoia o impeachment de Dilma, mas não se organizou para a onda de protestos.
Em Goiânia, parlamentares como João Campos e delegado Waldir participam das manifestações, convocando militantes e eleitores para se unirem na praça Tamandaré.
O Governo de Goiás destacou a Polícia Militar para que ocorra a segurança dos manifestantes caso ocorra algum confronto com defensores de Lula e Dilma, que chegaram a cogitar uma manifestação no mesmo horário e local.
PMDB
O PMDB deve abandonar o governo a partir deste sábado, conforme informam deputados do partidos.
A tendência é que neste domingo já exista sinais de que peemedebistas estejam distantes de Dilma. O partido realiza Convenção onde deve ser dado ‘aviso prévio’ ao mandato da presidenta.
O vice-presidente Michel Temer dá indicações de que aceita o afastamento, que pode desencadear numa derrocada de Dilma e sua chegada ao topo do Poder Executivo.