Juíza que analisa pedido de prisão de Lula tem perfil linha dura
Redação DM
Publicado em 11 de março de 2016 às 10:19 | Atualizado há 10 anos
A magistrada Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira foi a sorteada para analisar o pedido de prisão provisória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ela assumiu a 4ª Vara Criminal de São Paulo, em 2014.
Antes passou pela 1ª Vara da Comarca de Embu das Artes, na Grande São Paulo.
É uma jurista discreta, sem alardes na imprensa ou redes sociais. Entre advogados, ela é considerada linha dura, pois costuma seguir os pedidos do Ministério Público e não tem o hábito de conceder liberdade provisória.
Será dela a decisão de aceitar ou não a denúncia dos três promotores que investigam a conduta de Lula.
O líder do PT foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Os crimes se referem ao caso do triplex 164-B, no Condomínio Solaris, no Guarujá (SP). Ele seria o real proprietário do apartamento, que é registrado em nome da OAS, mas com fotos que flagram inclusive sua visita ao imóvel para receber as chaves, bem como mais de 20 testemunhas que dizem ser dele a propriedade.
O MP diz ter provas de que orientações de Marisa Letícia ordenaram a reforma do imóvel.
VIOLÊNCIA
De acordo com os promotores, Lula e seus seguidores realizam “manobras violentas (…) com defesa pública e apoio até mesmo da Presidente da República”.
Para eles, tais ações têm por objetivo blindar o denunciado. Tenta-se colocar Lula “acima da lei”, diz.
“Algo inaceitável no Estado Democrático de Direito brasileiro, pois é inadmissível permitir-se o tumulto do estado normal de trâmite das investigações e do vindouro processo crime.”
O leitor do Diário da Manhã pode ter acesso à Denúncia do Ministério Público de São Paulo contra Lula e sua família aqui.
DEFESA DE LULA
O advogado Cristiano Zanin Martins, que realiza a defesa de Lula, diz em nota que tentam amordaçar o ex-presidente:“Buscou-se, de fato, amordaçar um líder político, impedir a manifestação do seu pensamento e até mesmo o exercício de seus direitos. (…) Lula jamais se colocou contra as investigações ou contra a autoridade das instituições. Mas tem o direito, como qualquer cidadão, de se insurgir contra ilegalidades e arbitrariedades. Não há nisso qualquer ilegalidade ou muito menos justificativa jurídica para um pedido de prisão cautelar”.