Cotidiano

Suspeito do crime é morto na cadeia

Redação DM

Publicado em 10 de março de 2016 às 22:50 | Atualizado há 1 ano

 

Antônio David dos Santos Filho, 40 anos, suspeito de assassinar e desaparecer com o corpo da auxiliar de enfermagem Deise Faria Ferreira, 41, após um ritual de Daime em julho do ano passado, foi assassinado dentro de uma cela da Central de Triagem do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, na noite da última quarta-feira (9).

Imagem chocante do corpo de Antônio que circula na internet revela que ele pode ter sido vítima de severa tortura antes de morrer. Na foto, Antônio estava sentado em uma cadeira, curvado para o lado, sua cabeça quase tocando o chão. Em baixo dela, uma grande poça de sangue, uma escova de lavar roupas e um objeto que parece ser um cabo de vassoura. Em seu pescoço haviam marcas, o que pode indicar que Antônio foi vítima de enforcamento, além de haver um pano amarrado em sua boca. A língua, inchada, escura e para fora da boca, estava dobrada, o que pode ser indício de que Antônio foi vítima de diferentes tipos de tortura e espancamento.

Rodolfo Cardoso, jornalista, amigo de Antônio Deivid, afirma não poder opinar juridicamente, mas acredita que Antônio não deveria ter sido colocado em uma cela com outros detentos, já que ele era engenheiro agrônomo. “Nos conhecíamos do Céu do Patriarca. Creio na sua inocência. Conhecia ele e, pra mim, ele não seria capaz de assassinar ninguém. Era generoso, alegre. Auxiliou muitos amigos que precisavam, inclusive dando emprego”, relata Rodolfo.

A morte de Antônio também foi recebida com tristeza por Apoema Faria, filha de Deise Ferreira. “Foi muita crueldade, somos todos filhos de Deus, ninguém merece morrer desse jeito”, destaca Apoema, que acredita que a morte de Antônio não irá atrapalhar as investigações a respeito do assassinato de Deise, mas pode diminuir as chances de encontrar o corpo.

“Só pedimos a Deus misericórdia e que toque no coração dos integrantes da seita que sabem o que houve e onde esconderam o corpo da minha mãe. Quero o corpo da minha mãe”, apela Apoema.

Responsabilidades

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Rodrigo Lustosa, em entrevista ao Diário da Manhã destaca a importância de que os fatos sejam devidamente investigados, para as causas sejam elucidadas. “No entanto, embora ainda não se saiba o que exatamente aconteceu, faltam investimentos do estado no sistema prisional. A estrutura precária afeta a segurança dos servidores e dos custodiados. A elucidação do ocorrido é necessária para o estabelecimento de responsabilidades”.

De acordo com informações veiculadas pela Polícia Civil, Antônio havia sido transferido para a penitenciária no dia em que foi morto e estava à disposição do Poder Judiciário, já que não constava na decisão do juiz da 1ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida da Comarca de Goiânia, Eduardo Pio Mascarenhas da Silva, qualquer determinação para que ele permanecesse na carceragem da Deic, uma vez que os presos ficam recolhidos na Deic até realização de audiência de custódia.

A Polícia Civil informou ainda que as celas da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC) são utilizadas para abrigar, provisoriamente, presos que ainda estejam sendo objetos de investigações em curso, o que não era mais o caso,  e justifica a transferência do engenheiro agrônomo.

A Polícia Civil informou em nota que lamenta a morte de Antônio David dos Santos Filho, mas, garante à sociedade goiana que não haverá qualquer prejuízo à investigação acerca do homicídio de Deise Faria Ferreira de Freitas. Além disso, informa que as investigações sobre o homicídio de Antônio ficarão a cargo do Grupo de Investigações de Homicídios (GIH).

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