Eleição em Goiânia será marcada pelo equilíbrio
Redação DM
Publicado em 9 de março de 2016 às 21:15 | Atualizado há 10 anos
As eleição para prefeito de Goiânia tendem ser as mais disputadas desde a redemocratização. A rigor, não há nenhum candidato disparado nas pesquisas que os partidos e os candidatos vem realizado. O quadro é de equilíbrio. O ex-prefeito Iris Rezende Machado (PMDB) é o nome mais conhecido, mas não goza da mesma vantagem que teve noutras eleições. E isto é o fator que anima os demais candidatos a concorrerem, transformando o pleito numa guerra campal casa a casa, na busca dos votos.
Nenhuma pesquisa de peso foi publicada pelos meios de comunicação. Mas muitos levantamentos foram feitos pelos candidatos em institutos tradicionais como Serpes e Grupom ou de novos pesquisadores como o Fortiori, do ex-secretário de Comunicação Gean Carvalho. E o que foi deduzido destas pesquisas é que não há uma grande vantagem do primeiro, até o quarto candidato. Está tudo embolado. E porque está assim?
Uma das respostas a esta situação é de que não há, neste pleito, a figura do chamado candidato natural. Em 1992, após suspeitas na apuração das urnas de 1985, o professor Darci Accorsi (PT) era o mais cotado. Pairava sobre ele a pecha de injustiçado, de que teve a eleição roubada. E de fato, Darci foi eleito. O mesmo ocorreu com Nion Albernaz (PSDB) em 1996, cuja passagem por duas vezes na prefeitura de Goiânia (1983 e 1988) o credenciaram para o terceiro mandato. Fenômeno igual aconteceria com Iris Rezende em 2004 e em 2008, ou mesmo na reeleição do prefeito Paulo Garcia em 2012. Mas em 2016 não será assim.
Mário Filho, à frente do Grupom Consultoria e Pesquisas há 44 anos, analisa que o noticiário deletério contra a atividade política, principalmente em razão da Operação Lava Jato, traz prejuízo a todos os candidatos e partidos. Ele lembra que por ocasião do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo, em 1993, as pesquisas que vieram a seguir, colocavam para baixo a popularidade de todos os partidos e da maioria dos políticos.
A tendência neste ano é que os candidatos já postos tenham condições de disputa com chances reais de chegar ao segundo turno, pois esta é uma característica desta eleição, a disputa em dois turnos. Desta forma , embora Iris Rezende (PMDB) leve pequena vantagem, não garante a eleição no primeiro turno e ele terá que enfrentar um dos demais candidatos numa nova disputa. Assim a temporada de caça ao primeiro colocado deve colocar em pés de igualdade os virtuais prefeitáveis Delegado Waldir (PSDB), Vanderlan Cardoso (PSB), Adriana Accorsi (PT), Luiz Bittencourt (PTB) e Giuseppe Vecci (PSDB).
Diante deste quadro de incertezas, ou de uma disputa muito acirrada, crescem boatos de que o PMDB pode apresentar outro nome, poupando Iris de concorrer num quadro adverso, com riscos de insucesso. Já abordamos esta possibilidade em matéria no DM intitulada “Três caminhos para o PMDB”, na qual avaliamos que o partido pode lançar mão de outros nomes, como o do deputado federal Daniel Vilela, recém eleito presidente estadual da legenda.
Mas há também fatores que podem vir a ser favoráveis ao próprio Iris. A campanha deste ano, será mais curta, por determinação da Justiça Eleitoral. Isto enseja favoritismo aos candidatos mais conhecidos, e neste quesito, Iris tem larga vantagem.
É preciso analisar também outros aspectos nestas eleições. O que incomoda os goianienses, e o que eles esperam do próximo prefeito. O avanço da violência na capital tem sido uma preocupação constante. A morte brutal da estudante
, causou grande comoção numa cidade, que já está hipersensibilizada pela crescente onda de criminalidade. Em Goiânia o número de roubos cresceu 62,3% nos últimos cinco anos, sendo que os roubos a transeuntes aumentou em quase cem por cento (99,3%) e o roubo a residências ampliou-se em 150%! A culpa da violência é do governo do Estado ou da prefeitura? Quem ficará carimbado com esta pecha? E quem apontará soluções?
Um dos reflexos na política desta escalada da violência foram as votações surpreendentes em 2014 do deputado federal Delegado Waldir (PSDB), com 274.625 votos e dos deputados estaduais Mané de Oliveira (PSDB), com 62.655 votos e a delegada Adriana Accorsi (PT), com 43.424 votos. A violência vai estar na pauta dos debates em Goiânia nestas eleições, mas o domínio sobre este tema si não é suficiente para eleger um prefeito. Ao lado da preocupação com a segurança pública, e também com os serviços de saúde e conservação da cidade, a honestidade e a capacidade de administrar a cidade são pontos que aparecem sempre nas respostas de todos os questionários.
Outra situação que vai ser observada pelo eleitor são os compromissos que cada candidato tem com os grupo que lhe dão apoio. O eleitor está sendo submetido a um verdadeiro bombardeio midiático no rádio, televisão e internet sobre supostos esquemas de corrupção envolvendo partidos políticos, candidatos e financiadores de campanha. As relações entre os prefeitáveis e os lobbies empresariais serão postas à prova nestas eleições.
Neste pleito será necessário aos candidatos sensibilizar o eleitor para as suas propostas, mostrando que são factíveis, e não apenas peças de marketing bem estruturadas. Com menor tempo, e menos dias para se expressar no horário eleitoral de rádio e televisão, os candidatos terão que exercitar verdadeira maratona nesta pré-campanha afim de mobilizar suas máquinas partidárias e seus apoiadores. E ai vai outra situação que deverá preocupar os comitês de campanha: a política de alianças. Tende a vencer estas eleições o candidato que tiver o maior leque de apoios de partidos e de segmentos da sociedade civil organizada. Os compromissos com o eleitor e com as organizações vivas da sociedade devem fazer a diferença na hora do voto.
Passar pelo crivo das convenções será a tarefa mais fácil dos candidatos. Chegar competitivo até o mês de outubro, este sim, será a prova de fogo nestas eleições.