As mazelas do legislativo e executivo municipal
Redação DM
Publicado em 9 de março de 2016 às 21:06 | Atualizado há 10 anos
Não há nada de errado com aqueles que não GOSTAM de política, simplesmente serão governados por aqueles que GOSTAM. (Platão)
Apropriando-se da citação acima, externada pelo imortal filósofo grego Platão, ouso-me reescrevê-la:
Não há nada de errado com aqueles que não ENTENDEM de política, simplesmente serão governados por aqueles que ENTENDEM.
Podem sabatinar-me como louco por alterar os ditames do pensador ateniense, aliás, diga-se de passagem, Einstein até ter descoberto a Teoria da Relatividade, assim também era referendado.
As eleições municipais aproximam-se, muitos (para não dizer a maioria) conclamam: “Odeio política, deixe para aqueles que gostam”. Este que é o xeque da questão, nobre leitor: os governados, escusas pelo atrevimento, podem não gostar, mas não necessariamente devem desconhecer do assunto, isto é, não entendê-lo. Faz-se necessário todos estarem atentos às manobras e entrelinhas políticas, caso contrário, a conotação “marionete” será a carapuça ideal para aquele que assim age.
Chefes do executivo e autoridades parlamentares municipais, leia-se, prefeitos e vereadores, respectivamente, insistem, o que ainda dá certo, em aplicar a velha política da barganha, toma lá da cá, toma meu presente e da cá o seu voto, simples assim. Políticos, por muitas vezes sem instrução técnica alguma, para não dizer que alguns são semianalfabetos, brincando com a inteligência do eleitor. Paradoxal, não?!
Ora, nobre leitores, atos desta casta nada mais são do que sambar diante da lei e não ser punido é, ao som de Admirável Gado Novo, Zé Ramalho, rebolar na cara do eleitor e ver-se aplaudido, “Êh, oô, vida de gado, povo marcado êh, povo feliz!”. Aliás, o povo até que gosta da dança. Formação perfeita para a arte de governar massa de manobra, de um lado gozadores e de outros os gozados.
A permuta politizada citada acima é apenas um exemplo dentro de milhares “olé’s”, contudo, ressalta-se outras absurdidades pré e pós-campanha: conchaves, cujo vereadores vendem sua ideologia política por valores aviltantes; ilegalidades em loteamentos, os quais são cambiados por meio de contrapartidas preponderantemente inferiores, ou seja, em um português claro: superfaturamento; outro, este é de espantar-se, o qual ocorrera em certo município de determinado Estado, faz-se inoportuno dar “nome aos bois”: o custeio pelos cofres públicos de 2 Iphone’s, totalizando um valor de quase R$ 8.000,00, e por aí vai.
Basta! Chega de tapeação, isso é ditadura transvestida de democracia, cujo somos silenciados como bebês famintos, bastando apenas sermos agraciados com mamadeiras cheias e pronto, tudo “paz e amor”… DJ, solta o som: “aproveita que a mamadeira tá cheia (…)”.
Chega de “cale-se”! Ao invés de seguirmos ao som de Admirável Gado Novo, que possamos caminhar ao acalanto de Chico Buarque, “Pai, afasta de mim esse cálice”.
Rubens Neto, empresário e bacharel em Direito.