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Energias

Redação DM

Publicado em 21 de janeiro de 2016 às 22:18 | Atualizado há 10 anos

“Neste artigo, o autor Amadeu Garrido segue pela física, filosofia e psicologia para analisar a política brasileira atual.”

 

A física tradicional de Newton morreu. Sequer é lecionada nas melhores universidades do mundo. Pressupunha a dualidade incomunicável entre o espírito e a matéria. Aquele não gozava de nenhuma credibilidade científica. Fundava-se na fé, enquanto os fenômenos materiais podiam ser empiricamente comprovados. Se necessário, por pesquisas laboratoriais. Ou por evidências históricas. Descartes também punham em dualismo o espírito, cuja existência se fundava na fé divina, e a matéria, sempre certificável no campo probatório. Sem nenhum diálogo: espírito e corpo, cada um em seu mundo.

A mecânica quântica, desenvolvida nos anos seguintes à segunda conflagração mundial, transformou radicalmente esse modo de ver o homem, a natureza, o mundo e o universo. Espírito e matéria, ou natureza, dialogam. São ambos, fenômenos físicos e comprováveis. Radicalmente transformadora, passou pelo pensamento de uma gama imensa de cientistas. Desde as primeiras cogitações de Plank, o princípio da incerteza de Heisenberg, o gato de Schrodinger, e tantos outros. As energias como um todo são potenciais que se colapsam em duas alternativas possíveis: em matéria (partículas) ou consciência (ondas).

Por vezes se excluem e repelem. Por outras, dialogam e se unificam. Nesta última manifestação reside o grande segredo do universo, desde sua famosa explosão inicial.

Há seres fundamentados em ondas meramente constitutivas, os “férmions”. Tendem a excluir-se, com exceções extremamente interessantes.

Em minoria, estão as ondas de consciência, que se introduzem na matéria constituída e passam a dialogar entre si e com os “férmions”. São os bósons. Os leitores já ouviram falar dos famosos “bósons” de Highs (nome do físico que formulou a hipótese) e os dispendiosos reatores suíços e norte-americanos que saíram em busca da comprovação desse diálogo inicial. Quando verificados, a mídia sensacionalista predominou em todo o mundo e foi amplamente anunciada à descoberta das “partículas de Deus”. No exercício peculiar de sua seriedade, a comunidade científica rejeitou essa ousada denominação. E, atualmente, põe em dúvida até mesmo a descoberta, naquele momento efusivamente comemorado. A ciência, e principalmente a física, vive da superposição de dúvidas atrozes, posicionamento intelectual incômodo, mas o único válido no processo civilizatório.

As ondas constitutivas, resultado da energia e da matéria, já foram suficientemente descritas. O que parece despertar a curiosidade dos cientistas e, mais ainda, de leigos como o rábula da ciência que subscreve estas linhas, são as condas de consciência. Com efeito, supor um homem e um mundo que agem porquanto foram firmemente constituídos e sob a consciência de suas causas e finalidades, é muito promissor e confirma as especulações de importantes filósofos e psicólogos, como Karl Jung, que, em seus anos iniciais, percebeu a proximidade da física quântica e da psicologia. Isso porque nos acostumamos às ações predominantemente inconscientes. Aliás, uma visão panorâmica da história nos demonstra a superioridade de grau entre as ações inconscientes e as conscientes. Daí as infâmias, as guerras e outras formas de violência, o estágio ainda primitivo da aventura humana no planeta terra.

As ondas da consciência são ondas energéticas, por igual, do espírito. Consequentemente, o espírito deixa de ser uma hipótese da fé e passa a ser uma hipótese da ciência. Nada melhor para desfazer misticismos, teorias descabidas e demonstrar com naturalidade a convivência entre esses dois aspectos da existência humana. É evidente que o exercício da consciência torna o mundo mais ajustado e melhor. Karl Marx falava em consciência do proletariado. Consciência de seu estado de alienação. Porém, combatia com voracidade o dualismo e tudo resumia às ondas materiais, ainda que em movimento, posto Heigel às avessas: tese, antítese e síntese.  O conhecimento era único e produto da infraestrutura econômica. Superestrutura. Posição reducionista que comprometeu a teoria como o fizeram todos os cômodos reducionismos, como, também, o de Freud.

O diálogo do homem dual- matéria e espírito – com a natureza e outros homens – nada tem a ver com o homocentrismo, porquanto não é superior nem inferior à natureza e às demais expressões da matéria; como dito, trata-se de interação, de imersão recíproca, e não de relações desiguais, o que enseja a manifestação evolutiva do universo em expansão.

Além de tudo isso, essa verificação da ciência permitiu, pelo menos a uma boa parte da comunidade, a admissão de um ser no ainda incorretamente denominado “vácuo” quântico, que de vácuo nada tem, repleto de possibilidades, de potenciais; Deus é o potencial predominante no interior do vácuo, do qual emerge o vasto universo de possibilidades, entre elas ao homem. Este melhor se torna ao se aproximar da “imagem e semelhança” dessa possibilidade maior. E novos bósons injetarão energia consciente à matéria bruta.

Aparentemente, são considerações distantes do cotidiano. Equívoco. A consciência muda o destino do indivíduo e dos povos. Nosso sofrido povo brasileiro carece tremendamente de consciência, de políticos e não políticos, que, resumidos ao aspecto constitutivo das ondas, à matéria, agem como vorazes animais irracionais. Nunca nosso país precisou tanto da convergência e diálogo dos elementos da energia cósmica para, consciente de seu total descarrilhamento, ordenar o futuro de sua comunidade que, enquanto inserida nesse conjunto de forças cósmicas, não tem motivos para quedar-se melancolicamente no niilismo (fundamentos: Danah Zohar, “O Ser quântico”).

 

(Amadeu Garrido de Paula, um renomado jurista brasileiro com uma visão bastante crítica sobre política, assunto internacionais, temas da atualidade em geral.)

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