Ativistas sírios formam rede para alertar população sobre bombardeios
Redação DM
Publicado em 21 de janeiro de 2016 às 03:51 | Atualizado há 11 anosDAMASCO — Enquanto a Síria testemunha o cotidiano violento da guerra civil, ativistas locais formaram uma rede de comunicação para soltar alertas de perigo de bombardeios à população da província de Latakia, no noroeste do país. Com o nome de “Os Vigilantes”, o grupo recebe mensagens pelo aplicativo WhatsApp sobre a aproximação de aviões militares e repassa, em poucos minutos, a informação para médicos, militantes e insurgentes por walkie-talkies — e pede que todos se protejam.
Sem filiação a grupos rebeldes específicos, os ativistas anônimos acompanham as rotas dos aviões russos e sírios a partir dos aeroportos militares, além de tentar interceptar as conversas dos seus adversários, segundo contou um dos membros do grupo à AFP. Em seguida, propagam mensagens como “Cuidado! Um avião russo acaba de decolar e se dirige a vocês”.
— A ideia é proteger os civis e os rebeldes dos bombardeios — explicou um dos ativistas, que não quis se identificar.
AÇÃO EM CADEIA
Estes vigilantes já criaram até mesmo um sistema de atuação em cadeia, para que o alerta da chegada dos aviões alcance os ativistas das províncias vizinhas. Eles, por sua vez, são os responsáveis por informar a população local, uma questão de vida ou morte em meio aos ataques frequentes pelo país.
Na província de Homs, os avisos dos walkie-talkiesjá chegam pelos alto falantes instalados nas torres das mesquitas — que normalmente servem para anunciar as cinco chamadas diárias à oração — para que sejam ouvidos por toda a cidade, relatou outro morador local.
A cidade de Andan, na província de Aleppo, já conta com os esquemas de escuta e vigilância há três anos, medida que ganhou cada vez mais importância desde que a cidade começou a ser atingida por barris explosivos lançados pelo governo em 2014, segundo a agência.