Liberalismo político e econômico será a terceira via?
Redação DM
Publicado em 2 de janeiro de 2016 às 22:13 | Atualizado há 11 anosCreio que o ano de 2015, foi um ano singular. O ano da verdade econômica, política e social de todos nos brasileiros. Um ano marcado por um embate político, talvez, nunca visto na história da republica brasileira, com objetivos, por parte dos seus protagonistas, não tão republicanos. Enfim, uma espécie de salve-se quem puder no mar de denuncias de corrupção que assolou fortemente e positivamente nosso país. Aqui não quero desenvolver uma critica a nenhum grupo político especifico, creio que o material disponibilizado em jornais e pelas redes são extremamente suficientes para que cada um faça suas conjecturas, conclusões e defesas da forma mais conveniente. O que mais chama atenção nesse mar de informações nos dado no decorrer dos últimos tempos foram as grandes transformações sociais e políticas em curso no nosso país. Novos conceitos tomam os lugares dos antigos, de forma consciente e, na maioria das vezes, inconsciente, mas sem dúvida nenhuma, em plena formação na concepção e forma de agir politicamente dos cidadãos e, respectivamente, de seus lideres políticos. O acesso a internet e suas inúmeras redes sociais contribuíram bastante para essa mudança, devido possibilitar o acesso as informações e a participação de um debate político em grande escala. No Brasil, vivenciamos por um bom tempo a dicotomia entre direita e esquerda. No inicio pairava no senso comum, ponto de vistas superficiais, que rotulavam a direita como algo ligado ao regime militar e as políticas públicas que defendiam os interesses dos ricos; e a esquerda, como grupo de intelectuais que defendiam propostas que iam de encontro às camadas mais pobres. Com a chegada do PT ao poder, parece que esse mito se desfez, levando a um novo debate, recheado de novos equívocos, porém, que sinalizaram para um novo entendimento sobre a política e o surgimento de novas tendências. Incluo nessas novas tendências, algo não tão novo, mas que me parece ser uma novidade aos cidadãos comuns, que se situam fora do mundo acadêmico. Acompanhando as redes sociais foi possível notar que os cidadãos mudaram sua visão em relação ao Estado. Antes o Estado parecia ser a grande mãe, que estava ali para defender e abrigar os cidadãos em frente aos seus problemas cotidianos. Todos queriam, talvez a grande maioria ainda queiram, um emprego ou boquinha no Estado para poder tocar sua vida. Mas, talvez devido a onda de crescimento econômico, percebemos que uma boa parcela voltaram-se para o empreendedorismo em busca de suas realizações pessoais e econômicas. Nesse momento surgem as dificuldades de tocar um negócio e, com isso, novas reflexões a respeito da relação: Estado e sociedade. Essas novas reflexões desdobraram em novos questionamentos, entre elas, a diminuição do Estado, a reforma tributária, enxugamento da máquina e transparência em gastos públicos. Tudo leva a crer que diante dos últimos acontecimentos, a sociedade brasileira inclina-se para uma forma de governo mais liberal, com menos presença do Estado e fortalecimento do mercado. Lógico que de forma ainda intuitiva, sem grandes formulações e entendimentos; na busca de uma sociedade mais justa, igualitária e fortalecida. Porém, para isso muito há de ser desvendado, compreendido e reelaborado. Para que não se caia no oportunismo, na superficialidade e no empobrecimento teórico.
(João Barretto de Acioly Lins, filosofo)