Política

Nacionalismo no Oriente Médio

Redação DM

Publicado em 29 de dezembro de 2015 às 20:43 | Atualizado há 2 anos

Há exatos nove anos o mundo recebia a notícia de que Saddam Hussein havia sido executado pelas forças norte-americanas, depois de ter sido condenado ao enforcamento. Vários vídeos circularam pela web, mostrando a forma visceral e estranha com a qual a internet conduziria o mundo dali em diante. Saddam Permaneceu como Chefe de Estado do Iraque de 1979 a 2003, acumulando 23 anos no poder. Ele teve participação importante em conflitos como as três guerras do Golfo. Considerado um expoente do nacionalismo árabe durante a segunda metade do século XX, também é apontado como autor de genocídios.

Primeiros anos

Saddam Nasceu em Al-Awja, uma localidade na região central do país, separada da capital Bagdá por 150 km. De família de pastores pobres, recebeu de sua mãe o nome Saddam, que significa “aquele que confronta”. Aos 20 anos, quando aderiu a um partido revolucionário pan-africano, sustentava-se como professor de escola secundária. Na época, o oriente médio passava por uma onda nacionalista, e as pessoas queriam liberdade da exploração de petróleo e mão de obra de potências colonialistas da Europa, como a Inglaterra.

Uma das grandes influências políticas de Saddam foi o líder nacionalista egípcio Gamal Abdel Nasser, que nacionalizou o canal de Suéz em 1956, importante ponto de escoamento de petróleo do Oriente Médio, acabando com a farra exploratória de França e Reino Unido que utilizavam do canal para lucrarem absurdamente com o petróleo egípcio sem que o país fosse justamente beneficiado. A atitude de Nasser promoveu a modernização do Egito e uma onda de esperança revoluções por todo o Oriente Médio, que via sua população na miséria enquanto os países Europeus se beneficiavam deliberadamente, e na base do poder bélico, de seus recursos naturais.

Durante um golpe de estado em 1968, Saddam chegou à vice-presidência do Iraque. Na época, em plena tensão ideológica da Guerra Fria, Hussein era visto como um líder anti-soviético, o que ironicamente o colocava como um aliado dos Estados Unidos no combate das influências socialistas no planeta. Para alguns historiadores, o presidente John Kennedy teria apoiado a tomada de poder do partido de Hussein no final da década de 1960. Nos anos em que foi vice-presidente, usou de métodos repressivos para impedir a tomada de poder de organizações anti-governo e fez tratados acordos com União Soviética, Alemanha Oriental, Japão e EUA.

Antes mesmo de assumir oficialmente o cargo de presidente do Iraque, Saddam já comandava o país na prática, devido à idade avançada do oficial presidente, Ahmed Hassan al-Bakr, impossibilitado de exercer suas funções. Em 1979, quando viu seu poder ameaçado por uma união de al-Bark com o então presidente sírio, Hafez al-Assad, Saddam obrigou al-Bark a renunciar ao cargo, assumindo a presidência e acumulando vários outros cargos:  presidente do Conselho do Comando Supremo da Revolução, primeiro-ministro, comandante das Forças Armadas e secretário-geral do partido Ba’ath.

O governo de Hussein tinha orientação predominantemente sunita (principal corrente islâmica), apesar da presença de xiitas (outra corrente do islamismo) e de um grande número de curdos, população que ficou sem país após o acordo entre Inglaterra e França que repartiu o mapa do oriente médio de acordo com as “necessidades” de aceleração do processo de industrialização desses países. Temendo revoltas e tomadas de poder por parte do povo Curdo, Saddam promoveu um verdadeiro genocídio nos últimos anos da década de 1980. Relatórios apontam cerca de 200 mil mortes nesse período, contra qualquer etnia não-sunita que habitasse o país.

Foi morto em 2006, após a invasão do Iraque promovida por Estados Unidos e Inglaterra, que acusavam Saddam de manter armas de destruição em massa sob seu controle, fato nunca comprovado. Sua culpa ‘oficial’ foi ter assassinado cerca de 148 xiitas na década de 1980, o que levou-o à condenação por enforcamento, um fato visivelmente placebo, tendo em vista que as grandes potências também promovem assassinatos em massa, mas têm poder bélico e influência suficiente para sustentar seus interesses políticos mesmo tendo também promovido genocídios (vide o ataque americano às cidades Hiroshima e Nagazaki, que matou mais de 200 mil pessoas).


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