Uma espécie de gente chamada povo
Redação DM
Publicado em 18 de dezembro de 2015 às 22:22 | Atualizado há 11 anosTem uma espécie de gente que trabalha nas fábricas, canaviais, escritórios, indústrias, lojas, usinas, lavouras, rodovias, hospitais, farmácias e serve de exemplo. Uma gente que ama, trabalha, luta pelos seus sonhos, mesmo vivendo num pesadelo. Acorda, torce, se contorce, vai para as ruas e protesta com razão. Essa espécie de gente é o povo, também chamada de multidão, população, ralé, plebeu, cidadão, povão, classe média ou baixa, jamais alta. Um povo que é sincero, cumpre suas obrigações, respeita a Constituição, embora quase ninguém respeite os seus direitos e dores. Essa espécie de gente é o povo, que é comandada por um sistema medonho, predador. Uma gente que já inspirou Eça de Queiroz, Willian Shakespeare, Castro Alves e Machado de Assis. Gente da gente, sem proteção, sem Mensalão, Petrolão, atenção, privilégios, oportunidades, embora tenha título de eleitor. Povo, gente esforçada, calada, oprimida, sem direito de soltar um grito de alerta, revolta, mesmo vivendo num País democrático. Esse povo só ficará rico se ganhar na Mega-Sena ou ser usada como “laranja” em alguma negociata. Povo atrevido, querido, deprimido, teimoso em sua fé e vocação de servir. Estuda, luta, serve, se forma e fica inconformada com o sistema padronizado.
Essa espécie de gente é o povo, povão, que contribui para o PIB, acorda cedo e dorme tarde, sem tempo para questionar o passado, presente e futuro. Todo político diz que vai defender o povo e até rima com povo. Mas essa gente só costuma ser lembrada em tempo de eleição, quando a quantidade supera a qualidade. Povo, people, multidão, massa, habitantes são alguns termos para definir essa gente humilde e até humilhada. Mas essa gente é sábia, carente, presente, envolvente e precisa todos os dias enfrentar as dificuldades e vencer. Povo, substantivo comum de orgulho próprio, parcela esquecida da sociedade, palavra paroxítona, dissílaba, cativante, na sofrida e atualizada gramática da vida. Quem é esse povo, tão citado e ao mesmo tempo tão ignorado, deixado de lado nas galerias do poder?
Essa espécie de gente chamada de povo está na arquibancada da opressão esperando o momento certo para entrar em campo e mudar o jogo para a maioria. Quem é esse povo, tão presente nos discursos, mesmo sem carteira de trabalho assinada ou lembrança dos senadores, deputados, governantes? Essa espécie de gente chamada povo espera em 2016 (ano de eleições) mudar de vida e ser mais amada, estudada, valorizada e até ouvida. Viva o povo, gente sem partido, travesseiro, escudo, regalia, sem ideologia, sem espaço na fila, embora com muito talento e suor derramado. Viva o povo brasileiro! Viva essa gente tão presente e ao mesmo tempo tão carente! Viva o povo brasileiro, que já foi título de livro, artigo e arquivo. Esta espécie de gente não quer derrubar a elite; ela apenas quer oportunidade, igualdade, bondade, colo para chorar suas mágoas. Viva o povo brasileiro, que também faz parte do povo de Deus. E todo Pai atende e acolhe o seu filho!
(José Carlos Vieira, escritor, jornalista do Jornal Folha da Cidade, Rio Verde – E-mail [email protected])