Brasil

Lembranças dos tempos de escola – Parte XXXI

Redação DM

Publicado em 15 de dezembro de 2015 às 22:51 | Atualizado há 11 anos

Iniciado o décimo ano letivo, minha mãe já tinha regressado à nossa casa. Edu, Érick, Roney, Maick e eu voltamos a sair. Pestana, Aurian, Diná, Cleuma, Ângela, Flavinha e Lourdes chegaram para renovar a nossa turma do ano anterior. Estudávamos à tarde e na mesma sala do ano anterior. Era uma sala grande e nossa turma enorme, por isso, tivemos que estudar numa sala maior ainda.

Os professores daquele ano eram todos legais e merecedores do nosso respeito. Não que aqueles dos anos anteriores não merecessem, pois todos mereciam, mas é que naquele ano, talvez, por que já tínhamos adquirido mais conhecimentos, os professores eram bem mais compreensíveis para conosco.

Educação Física era ministrada por Suelo; Filosofia, por uma freira, chamada Gonzaga; Física, por Mar; Fundamento e Metodologia da Matemática e Fundamento e Metodologia da Língua Portuguesa, por Linda; História da Educação, por Pena; Língua Portuguesa e Literatura pelo pastor Lima; Matemática continuou com o mesmo professor Miranda; Psicologia da Educação e Sociologia pela freira Mariana; e Química pelo esportista Araújo.

Fora da sala de aula, nossa turma permanecia a mesma, Roney, Érick, Maick, Edu e eu. Às vezes nos juntávamos a outros, apenas para conversar. Saíamos quase todas as noites, dávamos umas voltas pelas ruas e depois, íamos nos sentar nuns bancos de concreto de um jardim que ficava de frente à Igreja Católica, a fim de colocar o nosso papo em dia, pegar os lances, como dizia Edu e olhar para as garotas que passavam por ali se exibindo, com o pretexto de chamar a nossa atenção e a atenção daqueles que, como nós, iam para lá. Depois voltávamos para nossas casas, cheios de novidades para contar para os nossos colegas de sala.

Outro costume nosso era de nos reunir, principalmente, na casa do Maick, para assistir filmes de todas as espécies, inclusive, censurados. Sua mãe lecionava à noite, e sua irmã quase não ficava em casa, então, tínhamos privacidade para assistir qualquer que fosse o filme. Aquela casa enchia de garotos excitados, amigos, primos de Maick. Era uma adrenalina férrea.

Penso que, às vezes, éramos acometidos por uma espécie de instintividade, pois Maick e eu fazíamos certas coisas sem pensar, como num dia em que resolvemos pegar duas meninas ao laço. O fato é que as espevitadas iam à praça com o pretexto de nos veem, era o que pensávamos, e quando tentávamos partir para o abraço malicioso elas corriam. Bem, não era um correr no sentido de fugir. Corríamos atrás delas, de brincadeirinha é claro, mas não as alcançávamos, as espertas entravam numa rua movimentada. Um dia, enquanto as perseguíamos encontramos uma corda jogada ao chão e tivemos a ideia de capturar as duas com o barbante. Jogamos o laço e uma delas foi fisgada, a outra foi obrigada a ceder. Logo as liberamos, pois nossa principal intenção era somente mostrá-las a nossa força física.

Na vida religiosa, tudo se encaminhava para uma grande satisfação, estava me preparando para a crisma, juntamente com Pretim, Clay, Maick, Erimar e outros. Roney e Érick não faziam parte desse grupo, tampouco, se preparava, mas eram membros do grupo de jovens na igreja, no qual Maick e eu também fazíamos parte. Edu não participava de nada disso, apenas ia às missas aos domingos, mas quando o grupo viajava, quase sempre, ele ia junto.

Uma das minhas melhores recordações em relação ao Maick demonstra por um lado o seu caráter inquestionável e por outro a sua gigantesca consideração para comigo, daí, minha gratidão para com ele. Digo isso baseado numa razão pela qual sou do tipo que não gosto de deixar nada para trás, mas eu já estava decididamente a não mais ir aos encontros daquele grupo que preparavam para a crisma, de tal forma que já tinha faltado a duas das três reuniões finais. Faltando somente um encontro, o que na verdade seria uma confraternização, à noite, Maick saiu em busca de mim para avisar que quem não comparecesse ao retiro que seria realizado no dia seguinte, não crismaria naquele ano. De tanto o teimoso insistir para que eu fosse ele acabou me convencendo e, no dia seguinte, o grupo ficou reunido durante todo o dia naquele colégio. Aquilo foi um dos melhores momentos já vivido por mim. Tudo isso graças ao grande Maick. No dia vinte de setembro daquele ano, fui crismado. A missa foi realizada à noite e, depois da crisma, Clay nos convidou para uma comemoração em sua casa, onde todos compareceram, felizmente.

Dias depois na escola, foi dada a abertura oficial do campeonato interclasse. Eram várias equipes disputando aquele campeonato que lotavam as arquibancadas da quadra de esportes da escola. Nosso time era formado por Érick e Pestana atuando nas zagas; pelos atacantes Edu e Biano; por Carlinhos no gol e pelos reservas Vando, Eleno, Gil, Pedrosa e eu. Negão irmão de Érick era nosso treinador e Zeno quase sempre nos patrocinava.

 

(Gilson Vasco, escritor)

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia