Cotidiano

Sociedade reage em defesa da liberdade

Redação DM

Publicado em 14 de dezembro de 2015 às 23:15 | Atualizado há 1 ano

O atentado praticado na sede do jornal Diário da Manhã durante do final de semana repercutiu entre a sociedade com posturas unânimes de contrariedade à barbaridade perpetrada e a tentativa de intimidação. O jornalista Batista Custódio, editor-geral do conferiu pessoalmente os estragos causados por quem se aventurou a cometer um ato de maldade e irresponsabilidade como esse.

Atualizando as informações o gerente administrativo Agnaldo Francelino acredita que o derramamento de óleo diesel no jardim tenha sido cometido na noite de sexta-feira e só foi descoberto no decorrer de sábado. “Conferimos os locais onde foram despejados os aproximadamente 60 litros de óleo diesel em plantas ornamentais e nos pequenos lagos que abrigam espécies de peixes variadas. Já havia um certo comprometimento dos peixes em função da falta de oxigenação das águas”, explicou.

Um pequeno galão que comporta aproximadamente três litros foi encontrado próximo de onde teria sido o último lugar a ser contaminado com o óleo diesel e o vasilhame foi apreendido para ser periciado. A esperança é que impressões digitais possivelmente deixadas no galão revelem a identidade de quem perpetrou o atentado.

Durante todo o dia de ontem o jornalista Batista Custódio recebeu ligações e visitas de pessoas solidárias ao jornal e contra a barbárie feita nos jardins. As manifestações se pautaram principalmente pela inteira repreensão ao que foi feito e ao integral apoio ao que o jornal Diário da Manhã representa em termos de polo garantidor da liberdade de imprensa e da livre manifestação do pensamento.

A direção da Associação Goiana de Imprensa (AGI) emitiu uma nota oficial repudiando com veemência o que classifica de “bestial atentado” e frisando que esse crime atinge não somente a sede do Diário da Manhã,seus jardins e animais, mas deve ser classificado como “um crime hediondo que a atinge a democracia”.

A nota foi assinada pelo presidente da AGI, Valterli Guedes; pelo presidente do Conselho Deliberativo, Olinto Meirelles; pelo presidente do Comitê Especial de Defesa do Jornalista, Eurico Barbosa e pelo diretor-financeiro da entidade, Hélio de Brito e manifesta “a irrestrita solidariedade” à empresa e frisa que quem praticou esse ato vil se trata de “malfeitores inadaptados à convivência democrática”.

Choro sentido

Durante a tarde de ontem, Omar Souto esteve no jornal para verificar a extensão do dano no jardim (Foto: Cristóvão Matos)

O artista plástico Omar Souto que planejou e executou as principais obras dos jardins do Diário da Manhã contou que percorreu os espaços, plantas e lagos com os olhos rasos d’água e lamentou um ataque criminoso que vitima seres vivos indefesos como plantas, peixes e pássaros.“Vi o quanto é triste a dor de animaizinhos indefesos atacados cruelmente sem poderem se defender. Não sei até onde vai a maldade humana, onde fica a divisão dessa maldade, mas penso que ela supera o horizonte”, comentou.

Omar Souto começou há cerca de 15 anos as obras que receberam plantas e os tanques onde foram colocados os peixes nos jardins do Diário da Manhã.Ao percorrer os espaços com suas obras ele estava acompanhado do jornalista Batista Custódio e conta que viu um choro sentido, porém contido nos olhos de Batista. Eles se conhecem há cerca de 40 anos e Omar disse que sentiu muita tristeza ao ver animais mortos e que nunca viu tanta tristeza nos olhos do amigo.

Repulsa ao ataque

Barbosa Nunes, disse que ataque não está em sintonia com a democracia, com a liberdade e com o respeito às pessoas e ao meio ambiente (Foto: Divulgação)

O articulista Barbosa Nunes, Grão-Mestre-Geral Adjunto do Grande Oriente do Brasil, comentou o atentado e disse que se trata de uma obra de quem não está em sintonia com a democracia, com a liberdade e com o respeito às pessoas e ao meio ambiente. “Eu vejo isto como uma expressão de desajuste, violência e desequilíbrio, norteando a sociedade brasileira que com seus desajustes permite que uma agressão seja praticada contra essa empresa, contra a natureza, contra a democracia e contra a imprensa. Justamente contra uma imprensa que tem sido a guardiã da liberdade”.

Barbosa lembra que, sobretudo nesse momento um órgão da imprensa como o Diário da Manhã tem sido o porta-voz para que toda a sociedade saiba o que está se passando no Brasil. “Minha solidariedade é integral e irrestrita e torço para que não se repita esse ato que fere tão covardemente a imprensa, a natureza e a democracia”, frisou. Ele disse ainda que nesse momento é importante buscar a verdade para aplicar uma punição e servir de efeito didático para que novos ataques não aconteçam

Valterli Guedes, presidente da Associação Goiana de Imprensa (AGI) (Foto: Divulgação)

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