O ano bom para Jose Eliton
Redação DM
Publicado em 14 de dezembro de 2015 às 22:00 | Atualizado há 1 anoO vice-governador Jose Eliton – e também titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação (SED) – teria tudo para enfrentar um ano de dificuldades.Com o Brasil em crise, sem perspectivas de crescimento, restava ao gestor aceitar a queda de receitas, os índices negativos da macroeconomia e comunicar as dificuldades para todos com uma velha desculpa: culpar a realidade brasileira.
Doze meses depois de ser convocado para assumir a supersecretaria criada pelo governador Marconi Perillo, ato pensando já nas dificuldades que o país enfrentaria, o gestor tornou-se em exemplo nacional de comportamento na gestão pública. Antes considerado apenas um técnico a mais na política, José Eliton, advogado de sucesso na área pública e eleitoral, incorporou a figura do vice atuante e que não fica na sombra. Tornou-se protagonista em um roteiro que costuma dar dor de cabeça.
Respeitoso com o chefe maior, o governador Marconi, ele age apenas no quadrado que é de sua competência e onde é chamado a opinar. Mas onde é convocado, José Eliton atua para resolver os problemas apresentados. Em uma reunião com amigos e jornalistas, realizada na semana passada, pediu para ouvir verdades que possam melhorar sua performance como político. “Sou disciplinado para ouvir o que vocês têm a dizer”, abriu a conversa, para pessoas que o conheciam bem menos e que agora começam a ter noção de quem ele é ou pode ser.
Um ano depois das eleições, o gestor é a representação de um currículo com grandes feitos: duas vezes vice-governador eleito, secretário de Estado e ex-presidente da Celg, em um momento decisivo, em que ou ela quebrava ou iniciava sua reestruturação.Nas eleições de 2014, quando o resultado final foi comunicado, a certeza era de que dois ganhadores subiriam no pódio. Além do governador reeleito, o vice articulador também estava entre os medalhistas.
A vitória de 2014 foi conquistada em detalhes, como a seleção do vice, que recaiu novamente no jovem José Eliton. Dentre os políticos goianos, o vice é a maior representação do novo. Por um motivo: surge de forma espontânea.Não herda eleitorados de parentes e apesar de ser filho de um ex-político, é um raríssimo caso no Estado em que a cria superou o criador. Seu pai (José Eliton) é ex-prefeito de Posse, cidade do leste goiano, quase na Bahia, com pouca influência política no Estado.
Até a década de 1990, entretanto, Eliton era o “Júnior”. Exatamente pelo pai ser mais conhecido. Em Goiânia, entretanto, o recém formado advogado fez fama ao atuar em cabeludas questões eleitorais e de Direito Constitucional. Quando foi escolhido o vice de Marconi Perillo, em 2010, já era conhecido como um diferenciado dentro da advocacia.
Nas eleições do ano passado, em vez de adotar o comportamento dos demais vices, caso do desaparecido político e ex-deputado federal Armando Vergílio, José Eliton atuou para que a base vencesse.Sua performance pode ser comparada tendo em vista as cidades onde atuou e que lhe foi dada como missão para atuar. As planilhas do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) não negam sua influência.
Hoje, José Eliton é uma mistura de técnico e político. No aspecto técnico, somente em 2015, chefiou missões comerciais na Europa, Estados Unidos e América do Sul que trouxeram investimentos para Goiás e prospecções de futuros negócios. Quando programa uma missão comercial, o titular da SED pensa em resultados. José Eliton acompanha as planilhas, analisa as perspectivas e faz a rota junto aos técnicos e especialistas. “É muito exigente e rigoroso. Não costuma deixar detalhes de lado. Isso é bom, pois os eventos saem como planejado”, diz um auxiliar, que costuma viajar com o secretário.
A preocupação com as estatísticas faz com que o secretário faça comentários constantes junto aos técnicos de cada área, em busca de variáveis para melhorar desempenhos.No início da semana, por exemplo, comunicou o vigésimo segundo superávit consecutivo na corrente de comércio internacional de Goiás. Os números são fantásticos se imaginarmos os resultados do país. O secretário age preventivamente, dizem auxiliares. As missões no exterior interferem exatamente nestes dados. Daí que muitas vezes os resultados surpreendem pela infinita superioridade quando comparados com os mostrador por outros administradores.
As exportações de novembro, por exemplo, somaram US$ 452,605 milhões enquanto as importações chegaram a US$ 248,560 milhões. Ao anunciar os novos dados, José Eliton procurou revelar a mecânica das exportações: missões comerciais divulgam Goiás para um mundo que tem anseios e desejos de novos mercados para investir. Um jornalista disse que “Dilma é déficit. José Eliton é superávit” sem imaginar que acabará de criar um meme pronto para a internet.
O titular da SED explica que uma forma para driblar a crise é exatamente pular os territórios minados. Preocupado com os efeitos da crise na geração do emprego, o vice-governador foi atrás dos recursos internacionais, auxiliando o governador Marconi Perillo na fortificação do caixa que começou o ano frágil.
A diferença de atuação do secretário é visível na própria estrutura do Estado. Ele é o portador das boas notícias. Quando até mesmo os opositores imaginavam que Goiás não teria um norte em 2015, José Eliton foi chamado para chefiar o Inova, um programa de inovação e tecnologia que colocou o Estado no cenário nacional de desenvolvimento. Pela primeira vez, em séculos de existência, Goiás vai tratar a ciência e inovação como prioridade.
Vice protagonizou maior evento político do ano
O que era para ser uma simples filiação partidária, em setembro, tornou-se fato de relevância nacional. A filiação de José Eliton ao PSDB reuniu grandes lideranças políticas no Estado e do Brasil – como o senador Aécio Neves.
Sites de notícia nacionais e a imprensa especializada saudaram a chegada do vice-governador como um dos fatos mais importantes do PSDB, partido que comanda a oposição nacional e que anseia por novas lideranças.
A filiação de José Eliton não foi a única daquele dia. Mais onze prefeitos realizaram a mudança de partido naquele momento. Mas a lembrança de seu nome funcionou como aquelas narrativas mitológicas em que se procura identificar a jornada do herói e apenas registrar em um click os demais.
Como um mito observado pelo escritor Joseph Campbell, o novo José Eliton, versão 2015, se investiu de força e de uma responsabilidade: defender o Estado da crise, que é cada vez mais presente; ser leal ao seu mentor (o governador Marconi Perillo, que o reconheceu como afilhado, mas sem os maneirismos do compadrio político do passado); e encarnar o novo, já que é, de fato, um político sem os costumes do passado.
O que mais tem chamado a atenção dos que observam Eliton é sua agilidade. Muitos chegam a dizer que o vice deve ter sósias, tamanha sua energia para estar em lugares diferentes.
O dom da ubiquidade do vice pode ser comprovado. Ele inicia os despachos na SED, que se unificou com a vice-governadoria, tendo cada uma suas funções mantidas em separado, e depois segue para algum evento em Goiânia. Ato contínuo, o secretário parte para uma ou mais cidades do Entorno do Distrito Federal, Norte goiano, região metropolitana, etc, e fecha o dia em outro município distante ou em eventos na capital. Esse ritmo é diário. Protagonismo que se repete a cada 24 horas.
Durante um dia, as redações dos jornais costumam ter dificuldades em selecionar as notícias do gestor. Em um único dia ele gera fatos públicos de diferentes gradações e que interessam inúmeras pessoas, como quando ocorrem inaugurações, entregas de benefícios ou mesmo reuniões para ouvir reclamações e sugestões de prefeitos.
Base acredita que terá dificuldades em 2018
Políticos da base aliada ao governador Marconi Perillo confessam que temem dificuldades nas eleições de 2018. O sentimento é mais emotivo do que real. Não se sabe qual será o cenário político daqui dois anos, mas a perspectiva é de que mais uma vez a oposição tenha interesses em vencer uma disputa, que para PMDB e PT tornou-se quase obsessiva.
Um fracasso eleitoral do PMDB em Goiânia, no próximo ano, e em outras cidades da região metropolitana, pode, entretanto, representar a bancarrota do grupo, que ficaria sem trincheiras para lutar pelo Palácio das Esmeraldas em 2018.
Os analistas políticos são uniformes em dizer que o candidato da base aliada deve ser José Eliton, tanto pela capacidade do político quanto pelo carisma com os vários partidos que integram o grupo. Mas cobram dele ainda maior densidade eleitoral.
O processo de empoderamento do pré-candidato tem ocorrido com grande velocidade, dizem marqueteiros ligados à base aliada. Eliton – diz um publicitário que avalia o quadro político – não teria condições de ser candidato caso não fosse quem ele é. Como é dinâmico, rápido e contundente nos discursos (dom que aprimorou nas lides do direito), restará aos comunicadores mostrarem suas virtudes.
Diferente dos nomes que começaram a ser cotados, ele tem livre trânsito entre ambientalistas, trabalhadores, agentes culturais, educadores, servidores públicos, etc. É um nome para todas classes sociais e que não se desmancha com a revelação de suas origens ou o que fez no passado.
Que Eliton será governador, é quase certeza. Em 2018, o atual governador, Marconi Perillo, terá que se afastar caso deseje disputar uma vaga ao Senado ou mesmo a sonhada presidência. José Eliton nega interesses e 2018. Para a imprensa, tem dito que seus planos são reais e para agora: fazer o Inova tornar-se em um plano de excelência e honrar as missões dadas pelo governador. Talvez em um ano, nesta mesma época, comece a assumir esta nova missão: pensar em 2018.
PERFIL
José Eliton de Figuerêdo Júnior
* Natural de Rio Verde
* Passou a infância e adolescência em Posse
* Filho de José Eliton de Figuerêdo e Mirtes Guimarães Figuerêdo
* Casado com Fabrina Muller Figuerêdo e pai de Fernando e José Netto
* Formou-se em Direito pela Universidade Católica de Goiás (hoje PUC-GO), em 1996
* Advogado especializado em Direito Eleitoral, compôs a comissão de juristas do Senado Federal para elaboração do anteprojeto de reformulação do Código Eleitoral Brasileiro
* Autor do livro Legislação Eleitoral – Eleições 2008, da Flex Gráfica
*Eleito vice-governador em 2010, na chapa encabeçada por Marconi Perillo (PSDB)
* Reeleito vice-governador em 2014, ao lado de Marconi Perillo
* Iniciou sua carreira política filiado ao DEM, transferiu-se para o PP e em seguida para o PSDB
* Exerceu a presidência da Celg em 2011
* José Eliton assumiu o Governo do Estado em diversas oportunidades. Em 2011, foi presidente da Companhia Energética de Goiás (Celg-Par)
*Ocupa a secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação (SED)
* Chefiou missões internacionais do Governo de Goiás e comandou negociações que resultam em importantes investimentos que fortalecem a economia do Estado
* Integra o Conselho Deliberativo (Condel) da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco)
