Solidariedade que transforma
Redação DM
Publicado em 12 de dezembro de 2015 às 21:49 | Atualizado há 1 anoO Projeto Metamorfose foi idealizado pela pastora Sônia Maria Borges há 20 anos. A Organização não governamental (ONG) é mantida através de doações, que em sua maioria são feitas pela sociedade em geral. Atualmente a casa de alojamento abriga 70 pessoas que vieram de diversas situações, mas principalmente de situação de rua e usuários de drogas.A ONG, localizada em Goiânia, acolhe apenas pessoas do sexo masculino. O coordenador do abrigo, Pedro Pereira Santos esclarece: “Optamos por atender só homens aqui porque não tem como abrigar na casa homens e mulheres. Teria que ter um alojamento separado e como não temos condições de alojar os dois juntos, atendemos homens”.
A pastora Sônia Maria Borges esclarece que apesar de o Projeto Metamorfose não atender mulheres no abrigo na capital, existe outra unidade que atende só mulheres: “Esse abrigo tem a finalidade de atender só mulheres que também estão em situação de rua”.O processo de recuperação descreve Pedro, começa a partir de uma decisão própria da pessoa que deseja se recuperar. “Realizamos um trabalho em que a pessoa chega e passa por um processo de triagem. Em um segundo momento ela é aceita no estabelecimento e passa a ter uma orientação espiritual e de engajamento com as atividades da casa”, expõe.
Essas atividades incluem disciplina e os afazeres do abrigo. “Os internos têm horário para serem cumpridos. Quando eles acordam participam de um culto, depois tomam a primeira refeição do dia e em um terceiro momento eles realizam a limpeza do espaço onde moram. Essa é a forma deles contribuírem com a organização da acolhida e também de criar vínculos de amizade quando trabalham em equipe”, considera.De acordo com Pedro o Projeto Metamorfose já recuperou mais de 40% das pessoas que buscam ajuda na ONG. “Esse é um projeto muito importante que tem por objetivo resgatar vidas. No entanto, reconhecemos, nem sempre as pessoas que passam por aqui deixam definitivamente as escolhas que lhes fazem mal. Procuramos fazer o melhor para que elas, de fato, se recuperem”, narra.
Ajuda necessária
Pedro Santos conta que como o abrigo vive cem por cento de doações e que essas nem sempre chegam em momentos intercalados, havendo épocas em que sobrevivem com o mínimo. “Nossa situação agora, por exemplo, é de extrema necessidade de receber doações. Estamos contando com doações de alimentos para sobreviver diariamente”.Diante da escassez de produtos alimentícios e higiênicos, Pedro procurou a reportagem do Diário da Manhã para pedir ajuda para conseguir continuar mantendo o funcionamento do abrigo. “Pedimos o apoio de todas as pessoas que queiram e possam nos ajudar para que possamos continuar ajudando vidas a saírem das dependência em que se encontram e possam ter uma vida digna, fora do mundo das drogas e do abandono”, declara.
Ele acrescenta que também precisam de doações de roupas porque a maioria das pessoas que procuram a casa as têm. “95% dos que chegam ao abrigo não tem condição de usar nem a roupa que chegam usando. Por isso contamos com o apoio e solidariedade da sociedade, para mantermos o Projeto Metamorfose de portas abertas”.
Um outro caminho para a vida
O ex impressor serigráfico, Rogério Lennon Fernandes Santos, 26 anos, conheceu o mundo das drogas após uma decepção amorosa. Decepcionado ele começou a beber excessivamente tornando-se alcoólatra. “Comecei a beber porque sentia um vazio muito grande e não parei mais. [Cheguei] a ponto de usar crack e cocaína o que me levou a ruina total”, descreve.
Ele recorda que diante deploração que vivia acabou indo morar nas ruas de Goiânia, dos 19 aos 22 anos de idade. De acordo com ele, na época não via mais sentido para vida na qual estava e só restava morrer no abandono, sem o apoio da família e amigos. “Essa foi uma época em que sofri muito, porque no fundo sentia muita saudade da minha família, sentia muita culpa porque sabia que estava errado, mas não sabia como sair da situação”, conta.
Em 2010, através de um amigo, Lennon conheceu o Projeto Metamorfose e a partir daí sua vida mudou completamente. “Defino que assim como o significado da palavra “metamorfose” foi à transformação da minha vida. Sou grato por todo o apoio que recebo aqui e espero que possamos continuar participando do projeto”, conclui.
A presidente do Projeto Metamorfose, a pastora Sônia Maria Borges, ressalta que a dificuldade ocorre principalmente porque a organização não conta com nenhum apoio governamental. “Comecei esse projeto porque também morei nas ruas e fui usuária de todos os tipos de drogas e por isso há vinte anos tento ajudar as pessoas a sair das ruas e ter uma nova vida”, declara.
Para ela, esse ano as doações diminuíram significativamente devido a crise: “Nós contamos com a ajuda das pessoas e que elas venham conhecer também o abrigo, porque esse é um momento em que os residentes se sentem muito só, sentem muita solidão porque não têm a presença da família, no natal” finaliza.
Para ajudar

(62) 3223-9194;
(62) 9246-5094.