Por que tantos partidos?
Redação DM
Publicado em 11 de dezembro de 2015 às 21:54 | Atualizado há 11 anosO Brasil é um dos países com o maior número de partidos políticos, um total de 35 legendas. Apesar da quantidade, as ideologias partidárias não se distinguem e muitos são considerados partidos de aluguel, que apoiam legendas com maior representatividade. Então, temos a seguinte questão: por que existem tantos partidos políticos no Brasil? Esse é um questionamento que deve ser feito, já que cada nova legenda que surge tem acesso aos recursos do Fundo Partidário, vindos do Tesouro Nacional, ou seja, do dinheiro público.
Para o especialista em marketing político, Marcos Marinho, o número de partidos que o Brasil possui “não é uma questão ideológica”. De acordo com a legislação, qualquer pessoa pode criar uma legenda, visto que, conforme o Artigo 17 da Constituição Federal, “é livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana”. É válido ressaltar que não há como disputar um cargo eleitoral, se o candidato não for filiado a um partido.
Partidos que surgiram recentemente, como o Novo, Rede Sustentabilidade e Partido da Mulher Brasileira (PMB) – que foram oficializados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em um período recorde de 15 dias (entre 15 e 29 de setembro de 2015) – podem representar a mudança que o brasileiro tanto anseia, mas será que isso acontecerá? Essas novas siglas chegam em meio a um cenário de crise política e a um questionamento cada vez maior sobre a profusão de legendas. Essa fragmentação é frequentemente apontada como uma das raízes de crises, como a atual, de governabilidade: para obter apoio para suas propostas no Congresso, um governo precisaria fazer alianças com mais e mais grupos diferentes.
“Os partidos políticos surgem de duas formas, de dentro do próprio sistema político ou de movimentos sociais e/ou classistas. No Brasil, os partidos se tornaram feudos onde apenas aqueles que pertencem a alta cúpula têm espaço. Isto frustra novos políticos e também aqueles que não fazem parte do grupo que detém o comando. Sendo assim, os rachas são comuns. Quando um político não acha espaço para avançar em seus objetivos, procura outro partido, ou, se tiver muito capital político, funda o seu. Outra situação é a dos partidos que são criados apenas para manobras de outros partidos. Esses são apenas balcões de negócios para vender espaço na propaganda eleitoral.
O publicitário e especialista em marketing político e propaganda eleitoral pela USP, Djan Hennemann, destaca que a criação de inúmeros partidos, com cartas programáticas e ideologias semelhantes, mostra que há muito tempo não estamos discutindo política. “Atualmente, a discussão é apenas de nomes ou projetos de poder. Não temos maturidade política para discutir programas, propostas ou ideologia política. Nesse seara, os políticos buscam espaços e melhores condições para negociar apoios ou lugares de destaque”, ressalta.
O especialista relembra que nas últimas eleições presidenciais a polarização entre Aécio Neves (PSDB) e a presidente Dilma Rousseff (PT) não foi entre os partidos representados. “Há muito tempo não vejo discussão se PT é melhor que PSDB. Nas eleições discutimos se Dilma é melhor que Aécio. Isso acaba por provocar uma discussão muito superficial e que não traz possibilidade alguma de cobrança por melhorias posteriormente. Afinal, votou em Dilma e não no que ela tem como programa de governo”, aponta Djan. .