Economia

FMI adverte Reino Unido sobre impacto de referendo

Redação DM

Publicado em 11 de dezembro de 2015 às 02:55 | Atualizado há 11 anos

LONDRES — A incerteza sobre o resultado do referendo sobre a saída da Grã-Bretanha da União Europeia poderia prejudicar sua economia, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta sexta-feira. O órgão, porém, também elogiou a forma como o país se recuperou da crise financeira global.

Em contraste com a tensão nos últimos anos entre os funcionários do Fundo e o ministro das Finanças George Osborne sobre o impacto da austeridade, a chefe do FMI, Christine Lagarde, foi efusiva quando estava ao lado dele no lançamento do relatório do FMI sobre a economia da Grã-Bretanha.

— Estamos saudando um desempenho muito forte da economia do Reino Unido que claramente é decorrente dos compromissos com políticas consistentes que conseguiram restaurar a confiança na economia britânica — disse Lagarde.

Osborne afirmou que o elogio do FMI iria ajudar o seu plano para transformar o ainda grande déficit orçamentário da Grã-Bretanha para um excedente em 2020, algo que muitos economistas dizem que não é necessário.

— Esta é a avaliação mais forte do FMI da economia britânica durante os cinco anos em que estou neste trabalho — disse Osborne.

A Grã-Bretanha cresceu mais rápido do que qualquer outra nação rica no ano passado e está perto dos melhores desempenhos novamente em 2015, ajudando Osborne e o primeiro-ministro David Cameron a levar os Conservadores para uma vitória eleitoral decisiva em maio.

Mas a promessa de Cameron para realizar um referendo sobre a adesão à União Europeia tem levantado dúvidas sobre a relação do Reino Unido com os seus principais parceiros comerciais e de investimento na Europa. A decisão também pode levar à dissolução do Reino Unido caso a Escócia, em seguida, deixe o Reino Unido para permanecer na UE.

O FMI listou o referendo sobre a União Europeia entre as vulnerabilidades da Grã-Bretanha, que também incluiu uma “surpreendentemente grande” conta de déficit e de níveis elevados de endividamento das famílias e preços das casas atuais que podem ser um problema quando as taxas de juros começarem a subir.

INCERTEZAS EUROPEIAS

Lagarde disse que não estava claro que tipo de relacionamento a Grã-Bretanha teria com a Europa se fosse fora da bloco europeu. O Fundo irá avaliar a questão no seu relatório de 2016 sobre a Grã-Bretanha, que deve ser divulgado em maio.

— Como haverá rapidamente acordos comerciais? Como os parceiros vão restabelecer ou redefinir o quadro em que as suas relações financeiras e comerciais são postas em prática? — questionou ela em resposta a perguntas dos repórteres: — Vamos gastar muito do nosso poder cerebral de modo que para o próximo relatório possamos ter uma avaliação sólida. Porque até então saberemos melhor quais são as alternativas nesse novo quadro.

Ex-ministra das Finanças da França, Lagarde disse que pessoalmente esperava que a Grã-Bretanha permaneça na União Europeia, mas ressaltou que não estava falando pelo Fundo.

Pesquisas de opinião mostram que os britânicos estão divididos sobre a permanência no bloco, que conta com 28 membros.

Enquanto apoia os planos de Osborne para executar um orçamento excedente em 2019 e 2020, o relatório do FMI pede que dê mais incentivos à economia caso o crescimento reduza o ritmo. O Fundo também levantou a possibilidade de que o plano do ministro das Finanças de realizar cortes de gastos profundos pode provar ser inatingível e, neste caso, ele deve considerar o aumento de impostos.

O Fundo previu que o crescimento iria continuar ao longo dos próximos anos e que a inflação deve voltar gradualmente para a meta do Banco da Inglaterra de 2%.

Por enquanto, o Banco da Inglaterra deve manter as taxas em seu recorde de baixa de 0,5% até as pressões inflacionárias se tornar mais claras, informou o relatório.

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