O escândalo do desamor
Redação DM
Publicado em 10 de dezembro de 2015 às 23:56 | Atualizado há 11 anosAinda que poucos percebam, o maior dos escândalos é o desamor. É um mundo de desamor este em que vivemos. Nele, a vida humana é objeto de consumo; tanto é que o governo paga cachê de R$ 850.000,00 para um cantor na festa de réveillon, enquanto centenas de famílias vivem pior que bicho consegue viver.
A nação inteira reclama das crises que enfrenta, quando a crise real é a falta de amor e de respeito à vida, porque o sofrimento do outro não diz respeito a ninguém. Em todo e qualquer canto deste país a desesperança e a indiferença foram instaladas. O povo brasileiro, por falta de atitude, não é levado a sério, porque ainda prefere circo e pão.
Famílias se autodestroem pela divisão da herança e jovens superlotam as cadeias; nos hospitais, as portas para atendimento digno e de qualidade, estão fechadas; a mulher, no momento de dar à luz, peregrina de maternidade em maternidade, sofrendo risco de morte e pressão psicológica por parte dos profissionais de saúde. Nos presídios, centenas de homens e mulheres vivem humilhados e desassistidos: AVC, HIV, colostomia, dor de dente; falta de colchão, de roupa, material de higiene pessoal. Alheio a todo esse sofrimento, governo e governados não se manifestam, a não ser por conveniência. Na própria família é assim; com raríssimas exceções, pais e filhos cuidam um do outro. Ainda, hoje, qualquer obra pública é objeto de propaganda e vista como favor.
Até quando? Até quando eu e você levantarmos a voz para dizer não ao desamor, à falta de fé; até quando eu e você não aceitarmos mais a indústria do sexo, da pornografia e dos vícios; até quando você e eu gritarmos em alto e bom tom contra os nossos próprios desmandos; quando, por exemplo, não formos participantes de uma festa de réveillon que anestesia as consciências e endurece os corações.
Mas, quando tudo estiver no chão, ninguém poderá dizer que não foi avisado: “as árvores da floresta resolveram um dia eleger um rei para governá-los e o povo recusou ouvir a voz de Deus”.
Então, resta-nos rezar, pedindo para o mundo compreender que não é esse o caminho, pois, a esperança é a nossa arma de combate.
(Luiz Augusto, padre)