Brasil

10 motivos pelos quais o cidadão brasileiro

Redação DM

Publicado em 7 de dezembro de 2015 às 22:58 | Atualizado há 11 anos

1- A Constituição lhe deu o direito de ter médico de graça , quando e onde quiser, por qualquer motivo.

2- O governo não consegue cumprir isto, não só aqui, mas em nenhum lugar do mundo. Ou paga mal o médico, ou gerencia mal os médicos, ou os médicos não tem espaço, motivação e meios para o trabalho público.

3- Os que se arriscam a trabalhar, trabalham em más-condições, excesso de trabalho, estresse, atendem superficialmente, rapidamente, mal-e-porcamente.

4- Os pacientes ressentem isto é, “turbinados” pela Constituição, “exigem do médico” aquilo pelo qual estão “pagando” (impostos), julgam o médico como “seu empregado”, e de empregado, a gente “exige”, a gente “cobra”. No entanto, fica aqui uma ressalva: por que num serviço privado o paciente paga, mas não desrespeita o médico (pelo menos de modo geral)?

5- É porque no privado o médico não perde sua dignidade, não perde sua capacidade, sua excelência, enquanto técnico, enquanto provedor de cuidados. Ele está no que é dele, no que ele manda. O paciente procura o médico, não procura um “serviço anônimo e diluído”. O médico tem a prerrogativa de encerrar o atendimento quando ele julgar que há quebra de confiança, desrespeito; já no serviço público ele tem de aguentar tudo isto pois já não é dono de si. O governo é dono dele e o Governo apoia o “coitadismo” da população: quem está errado é o “elitista” do médico.

6- O governo, como todo bom “socialismo”, tem o maior interesse em “quebrar a autoridade” dos grandes e o médico é julgado um “grande”, uma “autoridade”, “elite”, “rico”. Portanto, o governo faz de tudo para expô-lo à sanha populacional, fragilizá-lo, humilhá-lo, enfraquecê-lo no embate junto à população.

7- Nenhum outro “prestador de serviço” público fica tão “cara a cara” com o cliente como o médico. Ou qualquer um pode ter livre acesso ao juiz, ao promotor, ao delegado, ao diretor da escola, ao prefeito?

8- O médico não se “revolta” contra este estado de coisas. Só fica no “mimimi” dizendo que “está sendo agredido e que precisa de segurança”, “precisa ser valorizado”, o que não passa de palavras ao vento para o governo.

9- Os médicos não fazem o diagnóstico da própria situação por três motivos : de modo geral são “bitolados”, como todo brasileiro, em termo de leitura de filosofia política, não entendem a engrenagem da qual fazem parte. Em segundo lugar, como todo brasileiro, gostam de fazer parte da engrenagem governamental, é o “concursismo-público-da-classe-média”. Em terceiro lugar, a destruição da medicina privada pelo governo está tão avançada que, como um peixe fora d´água, o médico brasileiro já julga que sua única sina, sua única solução, é ser funcionário público. Como quase todo brasileiro, já não enxerga mais possibilidade de “iniciativa privada”, montar seu próprio hospital, por exemplo.

10- O governo, neste sentido, vem trabalhando rigorosamente para transformar os médicos brasileiros em “escravos eternos” do Estado. Veja, por ex., o fechamento de inúmeros hospitais enquanto os governos os inauguram cada vez mais… As entidades de classe médica não se revoltam contra isto porque, como acontece com o sindicato dos caminhoneiros, estão também todos cooptadas pelo Estado. Tanto é que a maior e praticamente única pauta das entidades médicas junto ao governo é exatamente a de aumentar sua participação no governo (“carreira de Estado para médicos”). Como um escravo é tratado? Não é na chibata? (como queríamos demonstrar).

 

(Marcelo Caixeta, médico no serviço de psicologia médica do Hospital Asmigo)

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