Política

Caiado anuncia mobilização pró-impeachment e pede suspensão do recesso parlamentar

Redação DM

Publicado em 7 de dezembro de 2015 às 21:21 | Atualizado há 11 anos

O líder do Democratas no Senado, Ronaldo Caiado (GO), anunciou que, após o deferimento do pedido de impeachment de Dilma, vai percorrer todo o país e buscar a mobilização do povo para importância do fim desse governo corrupto que instalou o caos político e social. Caiado fez a declaração durante a convenção nacional do partido realizada nesta quinta-feira, 3/12, em Brasília, quando o senador José Agripino (RN) foi reconduzido por aclamação à presidência do Democratas. Caiado também vai trabalhar para que o Congresso não tenha o recesso parlamentar para poder dar prosseguimento ao trabalho da comissão especial que irá analisar o pedido de afastamento da presidente da República.

“Democracia não é paz de cemitério. A partir de agora, vou caminhar por todos os estados do Brasil e buscar a mobilização de todos os segmentos da sociedade. O Brasil tem solução rápida, basta tirar o PT do poder. À Câmara dos Deputados foi devolvida a capacidade de decidir e precisamos mostrar a importância da nossa mobilização nesse processo. Também vou trabalhar para que não tenhamos o recesso parlamentar e a comissão especial que vai analisar o impeachment possa atuar e após seu parecer, o povo possa acompanhar na Esplanada dos Ministérios, um a um os votos dos deputados sobre o caso. O país não suporta mais um governo que destruiu, corrompeu as bases da ética e da modalidade”, disse Caiado alinhado ao Manifesto à Nação divulgado hoje pelo partido que conclama novamente o povo às ruas.

O senador acredita que após resistir vários momentos difíceis com coragem e dignidade está preparado para mostrar uma alternativa para o país. “Muitos falam que estão prontos para construir pontes para o futuro. O Democratas está pronto para construir ponte para o presente. Nas últimas manifestações, as pessoas voltaram desencantadas com a capacidade do governo de abafar a verdade. Mas, o Democratas jamais abaixou a cabeça e teve a coragem de pedir a renúncia e a convocação de novas eleições”, pontuou.

Convenção

O presidente reconduzido Agripino Maia falou do verdadeiro papel da política de atuar em benefício do povo e da capacidade do partido de resistir e se manter fiel aos seus princípios. “A política deve ser feita em benefício do povo. Foi com esse espírito que o antigo PFL atuou na época da redemocratização do país num processo conduzido por Marco Maciel e Aureliano Chaves. O partido soube resistir muitos momentos difíceis e manter o partido vivo. Agora, vamos crescer pela força da coerência das ideias. Nossa missão será recuperar o Brasil ao lado do povo”, disse.

Já o presidente nacional do PDSB, Aécio Neves, elogiou a liderança política do partido e o protagonismo de Caiado na condução da pauta do Senado. “Minhas sinceras homenagens ao Caiado que, muitas vezes, solitário, ditou o destino da pauta no Senado. O Democratas pode ser menor em número, mas muitas vezes parece ser maioria pelo protagonismo com que atua na tribuna”, afirmou.

O prefeito de Salvador, ACM Neto, também destacou atuação do líder goiano. “Considero Caiado meu irmão mais velho na política. Um homem que faz um trabalho extraordinário, encarna o espírito do povo, a voz do protesto e da indignação do povo. É motivo de grande orgulho para o Brasil todo”, reforçou.

Também presente na convenção, o coordenador nacional do Movimento Brasil Livre, Fernando Holiday, exaltou a importância do partido que nos últimos 13 anos buscou mostrar ao povo os desmandos do governo do PT. “O Democratas, durante 13 anos, quase que sozinho gritava que o Brasil não merecia o PT, que Lula estava destruindo o país. Agora, vamos começar a marcar novas manifestações pró-impeachment, vamos pedir no país todo o fim do governo e saída do PT”, concluiu Holiday.

Segurança jurídica

Na opinião do senador, o processo reforça o papel institucional do Congresso e, em especial, da Câmara dos Deputados na investigação dos crimes cometidos pela presidente no exercício de seu mandato. Ele acredita que a instalação deve trazer — passado um primeiro momento — um cenário alentador para a economia e para a opinião pública pela certeza de que as instituições da democracia brasileira estão em pleno funcionamento.

“Uma vez autorizado a comissão e o encaminhamento da votação ao plenário da Câmara teremos um momento extremamente alentador. Estamos devolvendo à Câmara a prerrogativa de investigar a presidente. As pessoas vão acreditar na segurança jurídica, na perspectiva de um plano de governo, na escolha de ministros capacitados e em uma unidade política capaz de reerguer país dessa crise”, afirmou.

Ele reafirma que, diante do prognóstico de crise estendida para os anos seguintes, o quadro de falta de credibilidade pelas mentiras de campanha e pelas pedaladas fiscais tornou o clima no governo federal insustentável.

“É uma questão de equilíbrio. Quem é que quer ver o Brasil com esse prognóstico que está aí? Um processo em que o país caminha para o abismo, sem projeto de governo, sem presidente com credibilidade e sem base no Congresso Nacional. Perdemos o ano de 2015, vamos perder o ano de 2016, 2017?”, questionou.

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