Cotidiano

Cresce casos de HIV entre jovens e idosos

Redação DM

Publicado em 1 de dezembro de 2015 às 01:18 | Atualizado há 11 anos

É divulgado em Goiás o novo perfil epidemiológico do HIV/Aids, no Dia Mundial de Luta contra à Aids, comemorado hoje. No estado, as taxas de incidências de jovens e idosos portadores da aids está em crescimento desde 2008 e 2001, respectivamente. Em relação ao vírus HIV, do período de julho de 2014 a 30 de julho deste ano, foram notificados 1096 novos casos em Goiás, com a prevalência de 46% de jovens.

A estimativa de acordo com o Ministério da Saúde é que há atualmente 650 mil portadores do vírus do HIV, com registro de 32 mil novos casos por ano e 11 mil óbitos por ano. Para a infectologista Analzira Nobre, gerente médica do Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA) o desafio é promover a qualidade de vida para os portadores do vírus. “As pessoas que vivem com o vírus estão envelhecendo mais rápido devido às implicações da doença, apesar do avanço no tratamento”, afirma.

Em Goiás, o primeiro caso de aids foi registrado em 1984 e desde o início da epidemia até julho de 2014, foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), 12.804 casos da doença. A maioria dos portadores de aids são do sexo masculino, representando 67,7% dos casos. Mesmo assim, a epidemia no país está estabilizada, com 20,4 casos para cada 100 mil habitantes e cerca de 39 mil casos de aids por ano.

De acordo com o boletim epidemiológico HIV/Aids divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, no final da década de 80 e início dos anos 90, a epidemia de HIV/Aids assumiu outro perfil. Antes a principal via de transmissão era sexual, entre homens homossexuais; sanguínea, por transfusão de sangue e hemoderivados, e pelo uso de drogas injetáveis.

Agora, a transmissão heterossexual passou a ser a principal via de transmissão do HIV, acompanhada de uma expressiva participação das mulheres na dinâmica da epidemia. Observa-se ainda, nos últimos anos, um processo de interiorização e pauperização da epidemia, que tendo se iniciado nos estratos sociais de maior escolaridade, atualmente, avança em pessoas de menor escolaridade.

O boletim informa que a notificação da infecção pelo HIV é compulsória desde junho de 2014, com isso, no período de 6 de junho de 2014 até 30 de junho deste ano são 1096 casos de HIV, 779 foram notificados em 2014 e 317 em 2015. Sendo a maioria homens, com 835, e apenas 267 mulheres. São 3,4 casos de HIV em homens para cada mulher.

A categoria de homossexual foi a que mais apresentou a representatividade com 43,9% dos casos, 36,2% são heterossexuais e 4,7% bissexuais.

As regiões em Goiás que mais tiveram incidência de HIV em 2015, quando comparado a taxa de incidência do estado de Goiás de 18 para cada 100.000 habitantes, as regionais Central, Centro Sul e Sudoeste I apresentaram taxas de incidência superiores.

Cresce incidência de aids entre mulheres em Goiás

No boletim mostra que do início da epidemia até 30 de junho deste ano são 13.564 casos de aids, notificados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). A predominância são pessoas do sexo masculino com 9.207 (67,8%), seguido com 4.351 (32,1%) do sexo feminino e 6 casos ignorados quanto ao sexo.

O que chama atenção em Goiás é no crescimento da incidência de casos em mulheres, antes era 9,5 casos em homens para cada mulher com aids, e agora 2,6 casos de aids em homens para cada mulher com aids, evidenciando a feminização da epidemia. Já em relação a faixa etária, o boletim avalia a distribuição percentual dos casos de 2000 a 2015, foi observado que 28,2% foram notificados aos 20 a 29 anos, 36,3% de 30 a 39 anos e 21% de 40 a 49 anos de idade. O que evidencia o número de casos em Goiás em adultos jovens e economicamente ativos.

De acordo com Anamaria Arruda, médica e diretora geral do Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA) e do Condomínio Solidariedade, o aumento do número de casos em jovens pode ser pelo desconhecimento do surgimento da aids, quando a doença afetou os artistas Cazuza e Freddie Mercury. “A juventude de hoje não viu isso, já pegaram uma aids que é tratada, não curada, mas controlada com ajuda de medicamentos eficientes dando uma condição de vida melhor e maior longevidade ao portador”, explica.

A médica Anamaria comenta também a falta de prevenção dos jovens, com uma vida sexual extremamente ativa acaba não compreendendo bem a gravidade da aids. “Isso não é por falta de informação, pois ela tem. Mas acredito que seja pela falta de formação, de como trabalhar a informação, fazendo com que aumente a transmissão sexual, além do aumento no uso de drogas injetáveis, o que também contribui”, esclarece.

Outro fator que chama atenção é a elevação no percentual de casos em indivíduos idosos, que no período de 2000 a 2014 teve aumento de 13%.

Já em relação a categoria de exposição por sexo, a proporção dos casos no sexo masculino a categoria de exposição que apresentou maior percentual foi a de heterossexuais 54,5%, seguida por homossexuais 16,3%, bissexuais 6,3% e usuários de drogas injetáveis 2,7%. Quanto à proporção dos casos no sexo feminino, observa-se que a categoria de exposição heterossexual é predominante em toda a série histórica, representando 89,6% do total, seguida por homossexuais/bissexuais 1,3%, usuários de drogas injetáveis 1,1%, por transfusão 0,2% e por transmissão vertical 0,1%.

Em relação a mortalidade, o boletim mostra que nos últimos 10 anos houve diminuição, principalmente nos mais jovens. As maiores taxas são em indivíduos com 30 a 59 anos. E o aumento de mortalidade em idosos.

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