Acima da lei
Redação DM
Publicado em 28 de novembro de 2015 às 00:31 | Atualizado há 1 anoPedestres que atravessam a Avenida Anhanguera nas muitas faixas destinadas a esse fim não fazem esse processo com a segurança que imaginam. A esmagadora maioria dos motoristas da Metrobus, empresa que opera os ônibus no Eixo Anhanguera, não respeitam o direito de primazia dos pedestres na travessia.
“Trabalho aqui na Avenida Anhanguera há 25 anos, já vi inúmeros acidentes, principalmente atropelamentos, e posso garantir que apenas um pequeno número de motoristas respeita a faixa de pedestres”. A afirmação é do chaveiro Edson Abadio Machado, que já presenciou ocorrências protagonizadas por ônibus do Eixo Anhanguera, com prevalência de atropelamentos na faixa.
Os acidentes envolvendo ônibus do Eixo Anhanguera e pedestres nas faixas destinadas à travessia desses últimos se tornaram mais frequentes nos últimos anos, com o aumento expressivo do número de carros nas ruas de Goiânia. O Eixo Anhanguera tem 14 quilômetros de extensão e cruza Goiânia em uma linha Leste-Oeste que vai do Jardim Novo Mundo até o Terminal Padre Pelágio. Os ônibus são veículos bi-articulados que transportam até 250 mil passageiros diariamente em uma das mais importantes artérias da cidade, promovendo a integração de bairros com o Centro e até outros municípios da Região Metropolitana, como Senador Canedo, Goianira e Trindade.
Principalmente no trecho compreendido entre o Centro e setores mais próximos como Campinas, o trajeto é recortado por faixas destinadas à travessia de pedestres. O que impressiona é que os motoristas da empresa Metrobus, que tem o monopólio do transporte nesse eixo, simplesmente preferem não parar para que os pedestres atravessem em segurança. “Não adianta abanar a mão, gritar e ameaçar atravessar mesmo assim. Eles simplesmente não param”, comenta o chaveiro Edson Abadio.
A velocidade média dos veículos do Eixo Anhanguera varia de 20 a 40 quilômetros por hora, mais que a maioria das demais linhas de transporte coletivo de Goiânia. Esse fator permite um trajeto mais rápido como preconiza essa modalidade de transporte.
Os pedestres tentam fazer a travessia aguardando no espaço destinado à faixa, antes de ingressarem no asfalto da Avenida Anhanguera. Os veículos de passeio, utilitários e caminhões que circulam pela faixa destinada a eles, já que a pista central é exclusiva para os ônibus da Metrobus, até param para pedestres. O motivo mais aceito para esse respeito é o medo de serem multados, pois a infração nesse caso é considerada de natureza “grave”, com uma multa pecuniária de R$ 127,69 e cinco pontos anotados na Carteira Nacional de Habilitação.
Continuidade
A analista de processos Viviano Aparecida Borges faz a travessia na Avenida Anhanguera cerca de quatro vezes por dia. Ela é enfática ao afirmar que nunca viu um ônibus parar para que os pedestres façam a travessia na faixa de modo correto. “Eles não param. Eles simplesmente acenam com as mãos, como se dissessem assim: lamento, mas não posso parar para não me atrasar”.
Paulo Casanova é lavador de carros na Praça das Mães e se lembra de cinco acidentes graves que aconteceram na faixa de pedestres. Um ocorrido há cerca de três meses, em que uma idosa foi atropelada por um ônibus bi-articulado da Metrobus. “Parece que os motoristas se sentem acima da lei. Não param e acham ruim quando a gente grita para eles pararem”.
A operadora de telemarketing Maria de Fátima de Assis também atesta a falta de respeito dos motoristas para com os pedestres na faixa. “Não adianta estressar. Eles não param mesmo e pronto. Quem quiser desafiar isto aí vai ser atropelado e eles ficarão sem punição alguma”.
Multas
O titular da Secretaria Municipal de Trânsito de Goiânia, Andrey Azeredo diz que os agentes de trânsito não podem ficar somente em um eixo extenso e com muitos pontos de travessia como é a Anhanguera. “Só podemos multar com fotografias da infração ou com agentes colocados estrategicamente para isto, o que é muito difícil”, lamenta.
Enquanto os motoristas do Eixo Anhanguera se sentem acima da lei para não respeitar a faixa de pedestres, acidentes continuam a ocorrer, prevê o corretor de seguros Túlio Oliveira. Ele ficou na faixa gritando e abrindo os braços em vão, sem que motoristas parassem para ele fazer a travessia.
Resposta
A assessoria de imprensa da Metrobus informou que a direção da empresa determina suspensão e até demissão de motoristas que infringirem as normas de trânsito. Informou que “os motoristas são severamente alertados sobre o cumprimento das leis de trânsito” e que a fiscalização diária “também percebe constantemente pedestres que atravessam a faixa no sinal vermelho para a travessia ou que ficam entre o corredor exclusivo” para os ônibus da Metrobus.

