Brasil

Nós podemos mudar o Brasil e todos são protagonistas

Redação DM

Publicado em 22 de novembro de 2015 às 00:12 | Atualizado há 11 anos

Mais uma vez a CNI realizou o Encontro Nacional da Indústria (Enai), neste ano completando a 10ª edição do evento, cujo tema foi: “Brasil: ajustes e correções de rota”.

A pauta foi elaborada com o propósito de debater a situação em que o país se encontra e construir uma Agenda de propostas que possam contribuir com a condução dos rumos do Brasil.

Contou com a presença de empresários, lideranças empresariais, especialistas e autoridades, dentre eles: os Ministros Joaquim Levy, Armando Monteiro, o ex presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ex presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.

No primeiro painel participaram seis parlamentares, sendo três deputados federais e três senadores, que representavam a base do governo, a oposição e a neutralidade. As discussões foram intensas e percebemos o quanto as opiniões para que o Brasil supere a crise e retome o crescimento estão divergentes e desarmônicas.

Infelizmente, se entre seis parlamentares não conseguimos obter harmonia nas respostas sobre as mudanças necessárias, o problema se intensifica no Congresso Nacional, onde há 513 deputados e 81 senadores.

O contraponto dessa situação foi a palestra de Bill Clinton, que nos trouxe várias reflexões sobre como a sociedade deve se portar diante das dificuldades.

Reconheceu que a crise é uma realidade, há um desafio pela frente, mas o Brasil está em situação melhor do que outros países que enfrentam problemas ainda maiores.

Disse que “o futuro é moldado pelas perspectivas de longo prazo, que o Brasil é o principal parceiro comercial dos Estados Unidos no Hemisfério Sul e que o povo americano tem interesse em ver o nosso sucesso”.

Destacou os potenciais naturais, humanos e riquezas existentes aqui e que temos total condição de superarmos esse momento.

O grande diferencial deve ser na forma como vemos as dificuldades e reagimos para enfrentá-las. Para que as realizações aconteçam é necessário que cada um faça a sua parte e contribua, não ficando somente esperando que benesses sejam concedidas.

Não podemos disseminar a divisão da sociedade entre “Nós” e “Eles”. Devemos atuar com unidade para que “Todos” somem esforços em prol de um país melhor.

É papel dos segmentos e poderes buscarem entendimento e se comprometerem para fazer a diferença, com parcerias éticas entre instituições, empresas e governos, transmitindo transparência, confiança e credibilidade à sociedade.

O povo brasileiro precisa resgatar a autoestima e se comprometer com responsabilidades, deveres e o cumprimento de leis e obrigações.

Se clamamos por mudanças, o exemplo deve começar por nós mesmos, como exemplo: em hábitos simples, como respeitar a sinalização, atender aos limites de velocidade, não jogar lixo na rua e respeitar o próximo.

É uma postura que propiciará mudança no famoso “jeitinho brasileiro” e na cultura de se tirar proveito em tudo e a qualquer custo.

É preciso que os interesses ideológicos, pessoais e corporativos não prevaleçam em detrimento dos interesses coletivos. As relações de confiança e transparência precisam se consolidar.  Hoje é intenso o clima de insegurança jurídica e de desconfiança, sendo importante o cumprimento de compromissos.

O diferencial de nações bem sucedidas está na vontade de mudar, no compromisso, na aglutinação de esforços e na agilidade em que são implementadas ações e medidas necessárias para a superação dos problemas.

Conforme Bill Clinton se posicionou, não estamos imunes às crises, mas precisamos lembrar que temos mais forças positivas do que negativas, sendo importante que esses modelos sejam adotados aqui.

A palavra de ordem é no sentido de levantarmos a cabeça, sermos mais otimistas, com o pé no chão, e desenvolvermos ações construídas em diálogo permanente.

É preciso que o setor público se comprometa com a mudança no cenário dos negócios, com governança, eficiência na gestão, transparência, redução da burocracia e entendimento no sentido de eliminar as vaidades, as ideologias partidárias e realizar as reformas necessárias à retomada do crescimento.

Que sejamos uma nação mais próspera, com empresas mais competitivas, com maior geração de emprego, renda e qualidade de vida para a população.

 

(Paulo Afonso Ferreira, vice-presidente da CNI; presidente do Conselho de Assuntos Legislativos (CAL) e diretor geral do Instituto Euvaldo Lodi (IEL))

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