Brasil

Escravo, servo ou filho?

Redação DM

Publicado em 21 de novembro de 2015 às 23:44 | Atualizado há 11 anos

De todas as efemérides que marcam a vida de qualquer vivente, um festim de bodas pode ser considerado um dos mais significativos acontecimentos. Isso em qualquer época da humanidade. Pode ser porque a vida se modifica demais, após a ocorrência de um encontro que culmine em núpcias… E pode ser que pensando no compromisso do encontro, na alegria do compartilhar, na ventura dos sonhos a realizar, Jesus tratou desse assunto em uma de suas mais enigmáticas parábolas, referindo-se a uma festa com lauto banquete.

Dois evangelistas registram relatos similares. Mateus trata do Festim das Bodas no capítulo 22, versículos de 1 a 14. Lucas descreve um banquete através da parábola da Grande Ceia no capítulo 15, versículos 14 a 23. Textos diferentes? Motivos diferentes? Nem tanto.

Nas duas narrativas o contexto fala de um convite especial, em que o anfitrião vê recusada, pelos convivas, a proposta para a comemoração e convivência em um momento festivo.

As recusas obedecem aos mesmos motivos: cuidados com bens e propriedades materiais.

A reação do anfitrião, nos dois relatos, é semelhante: abre as portas a todos, bons e maus; estende o chamamento para o regalo a quem se encontrasse pelas ruas, estradas, encruzilhadas…

No simbolismo, as duas festas tratam da alegria que é o compartilhamento das verdades espirituais. Os anfitriões: Rei em Mateus e Senhor em Lucas retratam a imanência de Deus. Os servos, em ambos os casos, referem-se aos enviados que foram espezinhados, perseguidos e maltratados em todas as organizações humanas.

A reação aparentemente violenta dos anfitriões ignorados em seus projetos de acolhimento e dádiva reflete a ação das Leis Naturais que reagem sobre cada qual, de acordo com suas escolhas e atos.

Não há um Deus violento, atrabiliário, vingativo e vingador.

Existem Leis que regem o Universo e atuam reagindo sobre ações e reações, regulando a ordem, o equilíbrio.

Enquanto no texto de Lucas o Senhor assevera “que nenhum dos dissidentes provará de sua ceia”, significando que aquele que adia seus compromissos com o Alto sofrerá provações severas, no resgate justo, sinaliza que Deus não tem pressa, mas deixa claro que ninguém burla o divino instante da mudança para a maturidade.

Encontramos no gran finale do texto de Mateus a ordem para atar pés e mãos, ameaça de trevas exteriores e ranger de dentes. Isto é:

reencarnações compulsórias e expiatórias onde a tônica da reparação, da expiação e da compensação acontece através do sofrimento – individual e coletivo.

Aquele que não se acertou com a Lei ficará jungido, atado, à consequência de seus desatinos, até que refaça o próprio caminho.

Ameaçador? Não. Enigmático.

A humanidade se divide em três categorias distintas no campo arrojado da evolução individual e coletiva: escravo, servo, filho.

Escravo é aquele que mergulha e se envolve com as ilusões materiais. Perde-se no emaranhado de vícios e defeitos que cobram caro na corrigenda.

Categoria revelada na máxima do Cristo registrada no Evangelho de João 8:34: “ Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado.”

Servo é aquele da linha de frente do trabalho. “Seja servo; dê de si mesmo aos outros”, anotou Lucas 9.23.

O servo tem compromisso e envolvimento com o bem e a paz de todos.

Inscrevem-se nessa condição todos os benfeitores da humanidade, em todas as idades planetárias.

Filho é o que venceu todas as tentações e injunções. Fez-se puro em sua fieira evolutiva, conforme encontramos anotado na questão 625 de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec. Ou ainda,no registro de Mateus 3:16 – “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo .” Foi dito ao ser enunciado o ministério público de Jesus.

A condição humana perante as Leis Naturais leva-nos a refletir e questionar sobre as características do estágio evolutivo que momentaneamente ocupamos: escravo, servo ou filho?

 

(Elzi Nascimento, psicóloga clínica e escritora / Elzita Melo Quinta, pedagoga,especialista em Educação e escritora. São responsáveis pelo Blog Espírita: luzesdoconsolador.com. Elas escrevem aos domingos – E-mail: [email protected] /(062) 3251 8867)

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