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Profissões: 3 de novembro foi o Dia do Cabeleireiro

Redação DM

Publicado em 5 de novembro de 2015 às 22:03 | Atualizado há 11 anos

O Dia do Cabeleireiro foi comemorado em 3 de novembro, uma profissão que mexe com a vaidade humana e a estética de homens, mulheres, idosos, adultos, crianças, pois o cabelo é parte importante da personalidade de uma pessoa. Em Goiânia ou nas pequenas cidades do interior o profissional da tesoura, máquina e pente é valorizado pelos clientes que se tornam amigos. O folículo piloso brota nas cabeças pensantes e faz a alegria de quem esbanja o capricho capilar. O penteado do Neymar, Preta Gil, Sandra de Sá ou qualquer ídolo popular reforça a tese de que cuidar bem do cabelo é contar parte da vida de uma pessoa. Talvez seja a primeira aparência deixada na retina de quem nos olha com determinação e curiosidade. Com esse artigo abraço todos os cabeleireiros do mundo, numa mistura de comércio, talento, tradição, vaidade pessoal e zelo. Tem gente que conserva o hábito de cortar o cabelo no mesmo salão e cabeleireiro por décadas ou a vida inteira, passando de geração em geração. Dois dedos de prosa, falando de política, futebol, costumes, religião, enquanto o barbeiro/cabeleireiro faz o seu trabalho especial. Como escreveu Roberto Carlos para Caetano Veloso, “debaixo dos caracóis de seus cabelos uma história pra contar, de um mundo tão distante (…).” Da lenda de Sansão e Dalila aos dias modernos, muitos cortes e penteados foram glorificados, desde o famoso cabeleireiro do Sílvio Santos até o Marcão, profissional do Salão Tesoura de Ouro, em Rio Verde.  A expressão capilar continua, e em muitos locais se avalia o perfil profissional de um candidato a emprego baseado no seu penteado. Há remédios como a finasterida (e outros) para bloquear o hormônio que provoca a queda capilar masculina, ajudando na conservação do perfil do homem moderno. Ao contrário da lenda social, “não são dos carecas que elas gostam mais”!

Para ser fiel aos detalhes deste setor o registro vem pelo senhor  João Sabino da Cunha, 79 anos, que começou trabalhando na antiga rodoviária e trouxe a primeira máquina elétrica para Rio Verde em 1960, nos contornos do Salão Tesoura de Ouro. O saudoso Zé Olaia foi aluno do mestre João Sabino e depois repassou os seus conhecimentos para vários outros profissionais da tesoura. Hoje a tradição capilar segue seu caminho pelas mãos de  Luiz Carlos Rodrigues dos Santos e Paulo Sérgio da Silva.  O Salão Elite começou na Avenida Presidente Vargas com o pioneiro Zé Olaia e hoje está na Avenida Brasília, número 340, no Parque Bandeirante. Os cabeleireiros Luizão e Paulo Seco seguem a estética capilar, dando forma e elegância nas cabeças pensantes. O mais novo corte de cabelo do Neymar (por exemplo) é copiado pelos jovens, trabalho que é executado pela dupla competente. No começo só se usava tesoura, pente e navalha. Hoje  a tradição foi ampliada e os cortes são realizados pela dupla com o auxílio da máquina, que torna o serviço mais ágil e convincente. A tradição de Zé Olaia continua também com o irmão de Luizão, que trabalha no salão, o educado Lucilo Sousa Santos. Fazer barba, cabelo e bigode são partes da missão sagrada. Os cortes da moda têm sua aplicação de diversos estilos. O ofício tradicional está na terceira geração.

 

Casos engraçados da Profissão

No cotidiano dos profissionais surgem alguns casos engraçados aqui contados por Luizão. Numa noite histórica o Luizão estava cortando o cabelo de um cliente quando faltou energia elétrica no salão. Para terminar o serviço Luizão usou a iluminação do celular do próprio cliente,  que era o Leandro do Sarico. Outro caso cômico o Luizão e Paulo Seco lembram com ternura. Luizão estava cortando o cabelo na máquina de graduação dois; mas por um descuido deixou o corte na máquina zero, provocando imensos caminhos de rato na cabeça do freguês e tendo de refazer (ou remendar?) o serviço. Claro que não cobrou pela obra!

 

A rotina de retocar a aparência pessoal vira terapia

O Salão Elite é um ponto de encontro de amigos e atletas como Costa Filho, Janela, Roni, Nei, Jales, Ricardo Júnior, Zé de Oliveira, Pinche, Itamar, Raimundo Bueno, Papila, Zé Cândido, prefeito de Santo Antônio da Barra. Retocar a estética  é compromisso de todos os dias, pois o cabelo mexe com a vaidade humana. Os profissionais do Salão Elite desmentem qualquer preconceito sexual contra a classe, embora afirmem que cada pessoa segue o caminho que escolher na vida. Luizão segue o exemplo de seu pai e também investe no esporte amador, lembrando que o Salão Elite foi diversas campeão de futebol e society, inclusive no campo do Divail. Os colegas Luizão e Paulo seco são flamenguistas, mas respeitam todos os clientes que vão ao salão. Zé Olaia jogou no Vasquinho com rara habilidade. No dia de sexta-feira geralmente há mais trabalho para a dupla e trio capilar. Assim como no Salão Tesoura de Ouro, no Salão Elite os amigos aparecem para um bate-papo sobre futebol, unindo trabalho com amizades. A mãe do Luizão é a senhora Edite Rodrigues dos Santos e tem a irmã Luiza Rodrigues dos Santos. Os funcionários da Kabedal são clientes assíduos do salão. Paulo Seco é católico e  participou da Comunidade de Jovens Teca, juntamente com suas irmãs Rita de Cássia e Carminha. Já foi craque do Futsal!  A dupla é amiga de outros cabeleireiros como Marcão Silas, Itamar, Chiquinho, Edson, zelando da profissão, mesmo numa cidade violenta e evoluída, com concorrência em todos os setores. Não cuidam dos cabelos femininos. Cortar o cabelo de homens e crianças, retocar a vaidade, dar um brilho na aparência são os segredos e missão da dupla que valoriza o ofício. Eles recomendam a quem queira seguir a profissão que se faça um curso técnico, embora tenham aprendido através do pioneiro Zé Olaia. O trabalho enobrece o homem, fazendo as cabeças e devolvendo a autoestima para o ser humano. Eles agradecem a preferência e seguem valorizando uma arte passada de pai para filho, seja na capital ou no interior. O dia 3 de novembro foi comemorado em cada salão, já que o trabalho funciona como profissão e terapia. E você, leitor do Diário da Manhã, tem o seu cabeleireiro preferido, aquele capaz de ouvir seus casos e revelações íntimas?

 

(José Carlos Vieira, escritor, jornalista do Jornal Folha da Cidade, Rio Verde – E-mail [email protected])

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