Cotidiano

Secretário de Paes admite agressão à ex-mulher e diz que foi ‘descontrole’

Redação DM

Publicado em 5 de novembro de 2015 às 03:40 | Atualizado há 11 anos

RIO — O secretário de governo do município do Rio e pré-candidato do PMDB à Prefeitura do Rio em 2016, , Pedro Paulo, admitiu nesta quinta-feira agressões a sua ex-mulher, durante uma briga do casal em 2010. Ele classificou o episódio como um momento de “descontrole” diante de uma traição descoberta por Alexandra Marcondes Teixeira.

Questionado sobre de que forma lidar com a situação durante uma possível campanha à prefeitura do Rio, Pedro Paulo disse que, se os partidos políticos quiserem entrar na discussão, farão tal enfrentamento no momento adequado.

— Os cidadãos vão fazer a avaliação que acharem que devem fazer. Repito que foi um episódio de descontrole, mas aprendi muito com isso. Hoje sou um marido e pai melhor — afirmou, negando que a filha do casal, atualmente com 10 anos, tenha presenciado a briga.

CHUTES, SOCOS E AGRESSÕES

A briga do ex-casal aconteceu em 6 de fevereiro de 2010, mas só se tornou pública há duas semanas após reportagem da revista “Veja”. No depoimento à polícia, Alexandra conta em detalhes a confusão. Segundo ela, Pedro Paulo a teria agredido com socos, chutes e agarrões no pescoço. Um de seus dentes foi quebrado. A empregada do casal teria testemunhado as agressões.

De acordo com Alexandra, no depoimento à polícia, a briga foi provocada, porque ela encontrou indícios de traição de Pedro Paulo no apartamento que eles dividiam à época. Alexandra chegou de viagem sem avisar ao então marido. Ela disse ter encontrado cabelos longos no ralo do chuveiro e na cama, um sutiã que não era seu embaixo da mesa da cozinha e duas taças de vinho. Quando Pedro Paulo chegou em casa vindo de um compromisso em Brasília, Alexandra pediu o divórcio. Teria sido o estopim para as agressões começarem.

“Ele (Pedro Paulo) aplicou na declarante (Alexandra) um violento soco, que atingiu seu olho esquerdo. Que, depois, Pedro Paulo deu um outro soco que atingiu a sua boca, vindo a quebrar um dente, lesão esta que sangrou”, diz um dos trechos do registro de ocorrência feito por Alexandra na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, na Zona Oeste.

O GLOBO também obteve os laudos dos exames de corpo de delito de Alexandra e de Pedro Paulo feitos no Instituto Médico-Legal (IML), que confirmaram que ela sofreu agressões. No documento, o pré-candidato do PMDB à prefeitura alega ter sido agredido com arranhões e objetos jogados nele pela ex-mulher.

Pedro Paulo nunca foi ouvido pela polícia. Após quase seis anos, a investigação não andou. Ao GLOBO, a chefia da Polícia Civil informou, na última sexta-feira, que determinou que a Corregedoria Interna apure se o tempo de apuração foi justificado ou não pela Deam.

A notícia da briga do ex-casal caiu como uma bomba na prefeitura e abalou os alicerces do PMDB. Cogitou-se até a troca do candidato — que foi negada pela cúpula do partido. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, por sua vez, vem atuando nos bastidores para estancar o problema. O prefeito procurou todas as lideranças dos partidos que o apoiam para explicar a situação. E uma equipe monitora os estragos por meio de pesquisas e nas redes sociais.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia