Dia do Cinema Nacional
Redação DM
Publicado em 4 de novembro de 2015 às 20:45 | Atualizado há 1 anoO dia do cinema nacional é comemorado em 5 de outubro, uma homenagem a Humberto Mauro, criador da animação Sinfonia Amazônica, da década de 1950.Alguns exemplos de cineastas brasileiros que envolvem estética cinematográfica e conflitos sociais podem ser visitados desde a fase embrionária do cinema nacional. Dentre os nomes mais famosos estão Rogério Sganzerla, com a estética do lixo no “cinema marginal”; Glauber Rocha, que mostra de forma poética a miséria do Nordeste e as incógnitas da corrupção; Carlos Raichenbach, famoso por misturar pornochanchada, surrealismo e questões sociais durante mais de três décadas de produção cinematográfica; entre outros.
Sem essa, Aranha! (1970)
Jorge Loredo, o famoso Zé Bonitinho, falecido recentemente, interpreta Aranha: um retrato da ignorância da burguesia brasileira. Como exige a genialidade de Sganzerla, que conduz suas produções na ironia e na sátira, a exploração de Jorge Loredo é cômica. Helena Ignez, atriz musa-símbolo do movimento, também da o ar da graça no filme, esgoelando com toda sua loucura e irreverência que “o Sistema Solar é um lixo!”. Outros bordões que definem esse clássico do cinema nacional vão de “O Brasil está fora da página”, a “Tô com dor de barriga! Tô com fome!”. Luiz Gonzaga também faz uma participação especial caótica no filme.

Terra em Transe (1967)
De uma maneira mais séria e dramática, o baiano Glauber Rocha entra na questão podre da política nacional criando um país fictício: República de Eldorado. Jardel Filho interpreta Paulo, jornalista idealista e poeta, que representa os intelectuais que apoiam a revolução social. Paulo Autran cria o maniqueísmo do filme, representando os tecnocratas anticomunistas e favoráveis ao domínio imperialista do capital americano. José Lewgoy é o político populista e Glauce Rocha uma sensível ativista política, que se envolve com Paulo. O filme reflete muito da fase política nacional de 1960 à 1966.

Alma Corsária (1993)
Carlos Reichenbach foi um dos poucos cineastas brasileiros que buscou recursos para continuar a produzir na maior crise do meio no País, após o período Collor. Alma Corsária e outros filmes do diretor muitas vezes são citados como pilares fundamentais da resistência cinematográfica no país em meio a uma produtividade quase zerada. Alma Corsária viaja em três décadas de história do país através de dois amigos poetas. Eles se conhecem desde a infância, e saem pelas ruas convidando inúmeras “pecinhas raras” para o lançamento de um livro intitulado Sentimento Ocidental.

São Bernardo (1970)
Segundo resenha do portal Contracampo, “Rigor e contenção são talvez as palavras mais adequadas para se caracterizar São Bernardo, filme dirigido por Leon Hirszman em 1972. Elas também se aplicam com justeza à obra de Graciliano Ramos, em especial ao romance homônimo que deu origem ao filme. Tal identificação estética entre livro e filme faz de São Bernardo um dos exemplos mais felizes de uma adaptação literária no cinema brasileiro. No entanto, não é preciso apoiarmo-nos no texto escrito para percebermos que o filme de Leon Hirzsman, em seu rigor e em sua contenção, acrescenta uma nota distoante ao conjunto dos títulos produzidos na época e isto é o que faz de
São Bernardo, para além de uma feliz adaptação, uma verdadeira obra-prima”.
