Brasil

Pessoas diferentes que proporcionam episódios inusitados

Redação DM

Publicado em 4 de novembro de 2015 às 00:49 | Atualizado há 11 anos

Entre bilhões de seres sobre este nosso conturbado planeta, existem os que se destacam nas suas respectivas atividades humanas, quer política, profissional, literária e por aí em diante. De uma forma ou de outra, demonstram claramente a que vieram e porque estão no nosso meio. Mas existem aqueles que superam os que aqui estão apenas por estar e que irão daqui sem saber a missão que o outro mundo lhes confiou, pois não conseguiram descobrir o seu dom que afinal cada um tem o seu ou os seus. Mas os diferentes são aqueles que conseguem utilizar a inteligência, um dom concedido apenas aos seres humanos dentre tantos outros vivos, pois a inteligência vem do espírito que impõe a cada um a forma de encarar a missão de viver nesta vida passageira, sendo feliz aquele que a utiliza para exercer com garra, vontade e determinação em tudo que faz.

E para ilustrar esse meu pensamento, vem a minha mente uma pessoa especial que alia virtude com a obsessão em tudo que produz. Convivo desde minha infância com uma pessoa que ilustra perfeitamente meu raciocínio.

Quase no centro da nossa pequena cidade natal, mais precisamente Dianópolis/GO-TO,embora naquela época poucas eram as ruas que não faziam parte do centro, existia uma mina de ouro explorada pelos americanos (dos Estados Unidos mesmo!), cuja fundição localizava-se em frente ao nosso colégio, o que nos proporcionava na hora do recreio ou final das aulas a oportunidade de assistirmos o precioso metal sendo transformado em barras reluzentes que eram levadas do nosso Brasil, repetindo um ritual realizado desde o ano de 1500.

Um determinado adolescente descobrindo que muitos, ou quase a totalidade daqueles “gringos” ao chegarem não pronunciavam uma palavra se quer em português, tratou de aprender o idioma inglês por conta própria e com isso faturava seu dólares na condição de intérprete daqueles homens esquisitos e cheios de interesses materiais.

Esse mesmo jovem por essa vida afora. Ocupou alguns cargos públicos de destaque, dentre outros o de diretor no Ministério da Educação em Brasília. Foi redator de páginas literárias no Diário de Minas Gerais, em Belo Horizonte, cidade onde publicou o seu primeiro livro, depois adotado para estudos na rede estadual de ensino daquele Estado. Concluiu o curso de Direito, advogou por curto período em nossa terra natal época em que foi aprovado no concurso para juiz no Estado de Goiás, sendo designado para exercer a magistratura na cidade de Taguatinga, hoje no Estado do Tocantins. Nomeado desembargador, compôs a primeira turma do Tribunal de Justiça do então recém criado estado, onde empregou todo seu conhecimento jurídico-cultural. Hoje tem dezenas de livros publicados em variados gêneros. Só quem conhece sua trajetória pode fazer uma análise isenta da sua pessoa. Só quem tem o privilégio de sua convivência pode absorver a alegria e simplicidade que  lhe é peculiar. É uma pessoa muito interessante. É uma pessoa por inteiro. Sua imaginação supera a nossa mesmice. Tudo que faz é recheado de criações novas. Tem a capacidade de escrever um livro em quatro dias, quando não dois ao mesmo tempo.

Aos menos avisados ou não observadores, tenham a certeza que o Estado do Tocantins, e porque não dizer Goiás que é o nosso berço natal, tem um homem que dignifica nossa terra e nossa cultura, que muitos outros rincões gostariam de tê-lo como filho. Um ser que colocou sua inteligência a serviço da cultura do nosso povo.

Escrevo este artigo em sã consciência, mesmo porque nossa ligação se prende apenas ao sobrenome e a amizade de infância e adolescência e dos acontecimentos da minha vida em nossa terra natal e sabendo que as amizades forjadas no desinteresse pessoal e nos tempos difíceis nunca são esquecidas. E mesmo que assim não fosse, como goiano/tocantinense e pretenso formador de opinião, sinto-me na obrigação de alertar meus compatrícios para que anotem o seu nome: José Liberato (não deve ser por acaso a rima com literato) o Póvoa.

Quem duvida basta acompanhar seus artigos e crônicas publicados neste diário e verão que nada fica a dever para os grandes escritores, tanto regionalistas como nas demais áreas da literatura, que são tão abrangentes e exigem inteligências superiores.

E antes que seja tarde e ocorra como em outros vários casos, qualquer tributo à cultura e à inteligência em nossos estados de Goiás e Tocantins, tem e deve passar por essa pessoa, não só pelo que já fez, mas, também, pelo que ainda fará em prol da cultura da  nossa terra e nossa gente.

É simples, basta acompanhar.

 

(José Cândido Póvoa, poeta, cronista, advogado, membro da Academia de Letras de Dianópolis, vilipendiado pelo Governo Federal, aposentado INSS)

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