Educação política nas escolas?
Redação DM
Publicado em 30 de outubro de 2015 às 20:54 | Atualizado há 11 anosA causa de todos os males que solapam, ofusca a imagem atual da república, inclusive atoleiro econômico, está consubstanciado ao baixo nível cultural, nele, cultura política, da sociedade brasileira. A educação, a principio restrita no seu todo, com a constituição de 1988, tornou-se presente em todo o rincão nacional, em quantidade, contudo, em qualidade continua pecando até hoje. Os recursos financeiros que eram minguados, com a nova carta magna, tornaram-se mais substanciais, fundado nela o governo federal passou, obrigatoriamente, a contribuir com 18%, enquanto os estados e municípios passaram a participar com 25%, de seus orçamentos, todos, obrigatoriamente.
Educação, se já não era passou a ser, em principio, um direito de todos, com efeito, escolas foram construídas em todos os recantos deste país, o número de professores, embora, sem a ideal capacitação, aumentou bastante, mas, a qualidade do ensino, mormente no interior, continua até hoje apenas no plano das intenções, se é que existem, realmente, intenções da parte dos governantes, porquanto, a tapeação é tamanha, que me leva a pensar no funcionamento de um plano diabólico, à semelhança do que havia nas cortes imperiais destinado a manter a população sem instrução, baixo nível cultural, com a consciência embotada, pois, enquanto assim permanecer, o voto será manipulado, com ela serva do estado, a roubalheira prosseguirá, subsidiando o culto ao patrimonialismo, enriquecimento as custas do povo facilitando o nepotismo e a concentração do poder nas mãos de poucos e, assim, o domínio da familiocracia nos cargos eletivos.
A concentração do poder, seja nas mãos de poucos, seja nas mãos do estado, conspira contra a liberdade de escolher da comunidade, só o conhecimento, douto saber, pode sabotar velhacaria dessa natureza. O drama conjuntural atual vivido pela república ressuscita das brumas dos tempos essa frase-oração de Rui Barbosa, pronunciada há mais de cem anos, quando tentava, pela segunda vez, eleger-se presidente da república: “O homem de tanto ver triunfar as nulidades, crescer as injustiças, agigantar o poder nas mãos dos maus, chega a rir-se da honra, ter escarne da verdade, vergonha de ser honesto.”
Já naquele tempo leitor, aproveitando-se do baixo nível cultural de nosso povo, conhecimento político, como esposado por Aristóteles, proliferava as artimanhas dos politiqueiros, consta, nos bastidores da história, que Rui Barbosa foi eleito, em 1909, com trezentos e oitenta e seis mil votos, era a sua primeira campanha, campanha civilista e conseguiu empolgar a nação. Entre as muitas teses inovadoras dessa campanha, havia a de uma educação de primeiro mundo para o Brasil, então, analfabeto. Revolução, pela cultura, nunca por meios violentos.
Perpetuava-se no poder, naquele tempo, a chamada política dos governadores, onde os estados de São Paulo e Minas Gerais alternavam-se no governo, através da fraude eleitoral, que consistia, em ganhar o pleito, fraudando as apurações, a bico de pena, assim, o maior cabo eleitoral do grupo dominante, senador Pinheiro Machado, do Rio Grande do Sul, fraudou, em ata, por 400 mil votos exatos as eleições, fazendo vencedor, o Marechal Hermes da Fonseca, “mutreta” dessa natureza já era comunal na época, dominante, ainda hoje, com o que se convencionou chamar de corrente política maquiavelista, majoritária no país.
Portanto, há mais de cem anos, esta corrente abocanhou a vontade geral, exclusiva da sociedade, subvertendo o sonho dourado de uma educação de esmerada, para toda gente brasileira. Proposital ou não, domina o cenário político o sistema representativo, por principio, principio constitucional, usurpador da vontade geral, vontade geral, segundo Rousseau indelegável, exclusiva do cidadão eleitor, considerava ele, ainda, imperativo a alternância do poder, mandatos curtos, sem reeleição. O propósito era frear a vontade egoística dos governantes, induzindo-os a exercitar a vontade universal, própria da esfera pública.
Embora, sucateada pela demagogia, ludibriada por decisões paliativas, não se pode negar, houve tentativa, no passado, para aprimorar a educação no geral, entretanto, sempre postergada, no especial, a qualidade, nela, também, a educação política, conhecimento, como fundamento para colocar em prática, funcionamento, a vontade geral de Rousseau, usurpada pela corrente política maquiavélica, há muito no poder, valendo-se da demagogia, tapeação, para engodar a sociedade. De forma que, o voto de cabresto, cabala, consolidou-se, por falta de cultura política, sagrando o voto subserviente, por corolário, leniente demente, ocupando ostensivamente, o lugar do voto consciente, valente excelente, porquanto, capaz de premiar os bons e punir os maus governantes.
Parece proposital, embora a educação política devesse ser obrigatória nas salas de aulas do bê-á-bá ao dia de formar, dessa forma, quando o aluno recebesse o diploma de formatura, da profissão que abraçou, recebesse, ao mesmo tempo, outro de cidadão preparado para a participação, corajosamente, na vida política de sua comunidade, passando, deste modo, a praticar a vontade geral de sua exclusividade, capaz de subverter a corrente maquiavélica, e, assim, o extravagante, imoral direito, de legislar em causa própria, provocando toda sorte de desatinos que você leitor acompanha através da imprensa escrita, falada e televisionada, maior aliada da sociedade.
O engodo é tal que, nada ou quase nada, se ensina sobre política, como a arte de promover, construir, o bem-estar da sociedade. A atual, maquiavélica, com o atoleiro econômica gerando recessão, inflação, corrupção endêmica, promove, de maneira paradoxal, o oposto, mal-estar. Para agravar, carrega nas costas, um congresso duas vezes maior do que o dos EEUU, este, maior república do planeta, maior potência, a primeira na esteira do Iluminismo, o processo eleitoral nunca foi interrompido, educação excelência, melhor padrão de vida, porém, tão violenta quanto a nossa, todavia, possui as melhores universidades do planeta, maior produtor e exportador de alimentos, ha quase um século.
Embora nosso país, com o Agronegócio, resultante de tecnologia aprimorada aqui, esteja quase o alcançando, mais por vontade soberana de seus produtores, verdadeiros heróis anônimos, do que, pela ação da política governamental. Os números contrastam, com nosso irmão do Norte e demonstram que quantidade de deputados e senadores não é documento, mas sim, qualidade da representação, qualidade da educação, saúde e segurança. A relutância em introduzir, tornar obrigatória educação política nas escolas, faz parte de um plano diabólico, sujo, em condenar nossa gente à eterna servidão, pois, enquanto perdurar esta conjuntura execrável, a sociedade eleitora prosseguirá ignorando a vontade geral, como sua exclusiva, indelegável. Enquanto ela não se faz presente, pululam escândalos nas câmaras municipais, assembléias legislativas e congresso nacional, há pouco, a imprensa noticiou ação do ministério público flagrando funcionários da assembléia legislativa de Goiás, com privilégios escabrosos, fantasmas, porquanto ganhando salários excelentes, sem comparecer ao trabalho.
No congresso, tais regalias, artimanhas, são ainda maiores, o que demonstra a necessidade de controlar os que são contratados, para controlar, tanto por mecanismos internos, como o ministério público, e externo, por meio da vontade geral, exclusiva da sociedade contribuinte, a que paga as contas de todos eles, por meio dos tributos, tributos pesados. Seja a democracia direta dos Gregos, a que concedeu fama universal à república da Cidade Estado de Atenas, seja a semidireta bastante falada, no começo do século XX, quanto mais a atual, representativa, objeto do maior escândalo corruptivo do país, “O Petrolão”, nenhuma funciona, a contento, sem a politização da sociedade, com ela, a permuta do voto subserviente, leniente, demente, pelo voto consciente, valente, renitente, capaz de promover verdadeira mudança de paradigma, no processo eleitoral brasileiro, revolucionando de forma pacífica, a forma de votar, premiando os bons e punindo os maus, tanto candidatos como governantes.
(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)