Raquetes fazem sucesso com a proliferação de mosquitos no Rio
Redação DM
Publicado em 28 de outubro de 2015 às 01:30 | Atualizado há 11 anosRIO – Pequena, olhos puxados, corpinho violão: sucesso no ano passado, a raquete de matar mosquitos “made in China” tem tudo para virar musa também no próximo verão que começa no dia 21 de dezembro e termina em 21 de março. Vendida em lojas chinesas do Centro do Rio por até R$ 20,00, ela está sumindo do estoque. Motivos não faltam: a secretaria estadual de Saúde revelou que o início do período das chuvas e a previsão de a estação ser marcada por altas temperaturas, podem favorecer a proliferação dos insetos na Região Metropolitana do Rio. Uma das preocupações, é o aumento dos casos de dengue.
Dados divulgados na semana passada ao GLOBO pela Superintendência de Vigilância Epidemiológica da secretaria estadual de Saúde revelam que as notificações este ano já são nove vezes maiores que em 2014. De 1º de janeiro a outubro de 2015, foram notificados 56.568 casos suspeitos de dengue no estado. Dezenove pessoas morreram, vítimas da doença, em Resende (7), Campos dos Goytacazes (2), Paraty (2), Porto Real (2), Barra Mansa (1), Itatiaia (1), Miracema (1), Piraí (1), Quatis (1) e Volta Redonda (1). Já entre janeiro e outubro de 2014, foram notificados 6.482 casos suspeitos de dengue.
— Altas temperaturas e chuvas são fatores de riscos. Mas sendo bem honesto, não há previsão de uma epidemia de dengue em 2016. Alguns municípios do estado preocupam, no norte e noroeste. O Rio não. Aqui a situação está sob controle até agora — afirmou Alexandre Chieppe, subsecretário de Vigilância em Saúde do estado.
Alexandre Chieppe lembrou que a secretária monitora larvas e criadouros de Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e de zika vírus.
— A gente monitora a dengue, o aedes. É nossa maior preocupação — disse Chieppe.
A secretaria estadual de Saúde lembrou que com relação ao chikungunya, foram confirmados três casos no Rio. Todas as notificações da doença foram diagnosticadas em pessoas com registro de viagem recente para países ou estado (no caso da Bahia) onde ocorre a transmissão. Até o momento, garantiu Chieppe, não há evidências de circulação do vírus no Rio. Já no caso do zika, doença de baixa letalidade e morbidade, a secretaria não cobra notificação, seguindo orientação do Ministério da Saúde. Portanto, os casos não são contabilizados.
Com relação ao cúlex, o pernilongo comum, o problema é o incômodo. O mosquito que tem tirado o sono dos moradores da Região Metropolitana do Rio não transmite doença. Como recebe pouca atenção das autoridades, tem proliferado. É aí que as raquetes passaram a fazer o maior sucesso:
— Eu tenho uma raquete chinesa que fica sempre por perto. Minha mulher é que não gosta muito, porque ela faz muito barulho quando pega um mosquito em pleno voo. Ele fica torrado. E deixa o chão do apartamento sujo, cheio de pernilongos mortos — afirma Bruno Max Souza Melo, de 28 anos, estudante de física da Universidade Federal Fluminense (UFF), morador de Vila Isabel.
Morador de Jacarepaguá, Hassyo Henrique foi flagrado semana passada comprando sua raquete no Centro do Rio.
— É a arma mais barata e poderosa contra os mosquito lá onde eu moro, em Jacarepaguá. Não dispenso uma por nada — disse o rapaz.
Em Niterói, os moradores de Icaraí e Santa Rosa, estão esgotando os estoques de raquetes vendidas pelos camelôs. Desde abril, há um infestação de cúlex na Zona Sul da cidade. A Prefeitura de Niterói, admitiu a infestação e diz que está com equipes combatendo os insetos. Em nota revelou que “a Fundação Municipal de Saúde, em parceria com a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), está realizando um trabalho intenso de combate ao mosquito”.
Uma grande preocupação que chegou ao Comitê dos Jogos Olímpicos do Rio, que acontece na cidade ano que vem. Como revelou a coluna Gente Boa de O GLOBO, para proteger os atletas o Comitê vai comprar mais de dez mil telas de mosquito para instalar nas janelas dos quartos da Vila Olímpica. Também serão adquiridos mais milhares de repelentes eletrônicos, desses de colocar na tomada. Outra medida será a passagem diária do carro do fumacê, espalhando inseticida pela Vila.