A Elba de Collor, o Porshe de Cunha e o Fusca de Mujica
Redação DM
Publicado em 3 de novembro de 2015 às 11:51 | Atualizado há 1 anoEm 1992, uma simples Fiat Elba, provocaria a queda do presidente Fernando Collor de Mello. Passados 23 anos, um dos protegidos do ex-presidente, o presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), passeia com um Porshe Cayenne, de origem duvidosa – registrado em nome de uma empresa por ele batizada de Jesus.com (!).
Collor caiu porque segundo o seu motorista particular, Egberto Batista, o Fiat Elba placa de Brasília (FA 1208) foi pago com dinheiro do empresário Paulo Cesar Farias: “Foi o PC quem comprou e era ele quem pagava as contas da casa”. PC Farias foi o tesoureiro da campanha de Collor.
A suspeita é que os carrões de Cunha, tem origem nos US$ 5 milhões encontrados nas contas do deputado em bancos da Suíça. Este dinheiro, segundo denuncias (e farta documentação enviada ao Brasil pelo Ministério Público da Suíça) é fruto de achaque a empresários que prestam serviços à Petrobrás. Pelo menos é o que disseram o lobbysta Fernando Baiano e o empresário Toyo Setal e delator na Operação Lava Jato, Júlio Camargo. De acordo com ambos, Cunha pediu propina de US$ 5 milhões em um contrato de navios-sonda da Petrobras.
Siga do dinheiro (follow the Money) ensinou o delator do escândalo Wattergate que levou à renúncia do presidente estadunidense Richard Nixon em 1974. O MP Suíço achou U$ 5 milhões nas conta de Cunha, parte desta grana está em nome da esposa, Claudia Cordeiro Cruz e da filha, Danielle da Cunha, que torram milhares de dólares nos EUA e na Europa, graças aos “negócios” de Cunha.


Sem prova alguma, o empresário Marcelo Odebrecht, dono da maior empresa brasileira foi encarcerado. Também sem provas ou dinheiro na conta, foi presa Giselda, cunhada do tesoureiro do PT, João Vacari Neto.
Quando é que o juiz Sérgio Moro, que coordena o inquérito da Operação Lava Jato, último paladino da moralidade deste país, que prende todo mundo, seja empreiteiro ou político, vai mandar prender Cunha, sua mulher, filha e os carrões?
Sinais exteriores de riqueza sempre foi base para investigações contra corruptos. Os carrões de Eduardo Cunha confirmam a tese. A Porshe de Cunha ainda não foi arrestada, como a do empresário Eike Batista, que teve veículo da mesma marca apreendido, mas, dias depois, foi flagrado pelo advogado Sergio Bermudes, sendo dirigido por Flávio Roberto de Souza, juiz titular da 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, responsável pela investigação contra o empresário. A Justiça Federal de Curitiba vai prender os carrões de Cunha?
Ex-presidente do Uruguai, José Mujica assegurou que, enquanto viver, jamais venderá seu velho Volkswagen 1987, objeto do desejo de um xeque árabe, que ofereceu US$ 1 milhão pelo carro transformado em símbolo de austeridade presidencial. Segundo a mais recente declaração de renda de Mujica, seu Fusca ano 1987 está avaliado em 70 mil pesos (US$ 2.800). O ex-guerrilheiro que chegou ao poder em 2010, e deixou a presidência em 2014, doava a maior parte de seu salário ao Plano Juntos, um projeto de moradia solidária que criou ao assumir a presidência.
Com o seu fusquinha, Mujica transformou-se num símbolo de austeridade e desapego às benesses do poder. Os fatos mostram que Eduardo Cunha, traiu seu discurso moralista e pseudo-evangélico e com o seu Porshe vai se transformando nesta primeira década do século XXI em símbolo de corrupção, como o foi o seu mentor, PC Farias, nos anos 1990.