Não adianta mentirosos, não vou parar com as “aspas”!
Redação DM
Publicado em 2 de novembro de 2015 às 22:14 | Atualizado há 11 anosAgora reclamam que eu utilizo muitas aspas, “sei lá”, “misericordioso leitor”, “matutino vanguardista”, “caras de peroba”, “quinto, sexto, sétimo dos infernos”, “até”, “tal”, “enfim” e que sou retórico, que exagero nas vírgulas, que faço do espaço um divã e coisas do gênero e, pior, o mais engraçado ou tragicômico é que os leitores assíduos, os que me suportam e até exageram elogiando-me, fazem-no quase sempre “alegando” admirarem aquilo que aqueles detestam, abominam ou invejam, sei lá, mas, confesso, não estou nem aí, aliás, corrijo-me: estou aí porque faço disso o mote, um dos temas dessas linhas e, além disso, talvez o mais relevante para mim é que embora possa parecer um paradoxo, um antagonismo, de certa forma concordo com eles, “aqueles”, quando dizem que eu não sou um escritor porque, realmente, não “me vejo” e nunca “me vi” como escritor tanto que, embora me “cobrem” a mais de três décadas, prossigo e continuo sem escrever um livro e, a pura verdade, é que eu fico muito mais tempo relendo, revisando e utilizando-me do “CTRL-X” para “apagar” ou deletar do que, propriamente, escrevendo, o misericordioso leitor acredita? É raríssimo eu chegar à frente do meu notebook e escrever “de pronto” um texto. Para escrever um artigo escrevo, no mínimo duzentos artigos e, como sempre repito – e eles, “aqueles”, sempre criticam isso também – finalizarei este primeiro parágrafo porque, como ensinam os mestres, parágrafos extensos, longos, ainda mais o primeiro, afugentam leitores e, claro, este não é o propósito desse, para alguns, inconveniente escrevinhador.
Só gostaria de mencionar mais uma coisinha. Não escrevi um livro, mas, o meu consolo é que desde 2011, quando passei a escrever semanalmente neste matutino vanguardista, constitui, sem nem “perceber”, uma coletânea de dezenas de artigos sobre as mais diversas áreas e, a minha intenção de registrar impressões, angústias e expectativas, foi plenamente recompensada com críticas, elogios e amizades adquiridas. Sempre afirmei que a Imprensa, não aquela mancomunada com o poder corrupto, que alcunhei de “prostituta do governo” na década de oitenta, mas a Imprensa verdadeira, esta sim “prensa” diuturnamente os “Três Poderes”, tanto o Judiciário, Legislativo e, evidente, principalmente o Executivo. “É governo. Sou contra!”. Este é o lema de muitos jornalistas, então, aqueles não deveriam ficar tão obnubilados – para não “falar” outra coisa – quando eu insisto que estamos progredindo e progredindo muito em relação às muitas democracias do planeta, no quesito eliminação da corrupção, dos corruptos e da “canalha política”, todos tremendo de medo de passarem o “Natal” no xilindró. Até.
(Henrique Dias é jornalista)