Política

Racha no PMDB pode custar a eleição de Iris

Redação DM

Publicado em 16 de novembro de 2015 às 21:02 | Atualizado há 11 anos

Política e futebol guardam lá suas semelhanças, que o diga o ex-presidente Lula (PT), que sempre usou metáforas futebolísticas para expressar para a população ideias da política. Até bem pouco tempo o Vila Nova e o PMDB tinham algo em comum: derrotas seguidas. Depois da vitória sobre os pênaltis sobre o Brasil de Pelotas (RS) no estádio Serra Dourada, o presidente colorado, Gutemberg Veronez desabafou: “O Vila estava acostumado com as derrotas e tinha perdido o gosto pelas vitórias, mas isto é passado, agora o time está acostumado com as vitórias, tem postura de campeão”.

O PMDB parece que “tomou gosto” pelas derrotas. Desde 1998 o partido coleciona cinco para o PSDB sem que uma correção de rumos tenha sido feita. Ah, diriam uns, “mas o PMDB ganhou com Iris Rezende em Goiânia em 2004 e em 2008 e ajudou na eleição de Paulo Garcia (PT) em 2012”. Sim, é fato. Mas para 2016 a situação não é das mais confortáveis. O PMDB está dividido internamente e abriu guerra contra o seu principal aliado em Goiânia, o PT. Será que enfraquecido internamente e brigando com parceiros o PMDB terá força para enfrentar a máquina do governo do Estado?

Faz sentido o vice-prefeito, Agenor Mariano, que é filiado ao PMDB de Iris Rezende, favorito para vencer as eleições, jogar contra o patrimônio puxando um cabo-de-guerra contra o aumento do IPTU? Até os postes da Praça Cívica sabem que a planta de valores de Goiânia está defasada há dez anos. O porteiro do Paço Municipal até o mais experiente fiscal da Secretaria de Finanças têm conhecimento de que houve queda na arrecadação de impostos, e que o município corre o risco de ficar sem recursos para pagar a folha. Nos bastidores comenta-se que o caixa da prefeitura deve fechar este ano com uma queda de cerca de R$ 40 milhões na arrecadação.

Francamente, fazer politicagem com o IPTU é jogar para plateia, e o que é pior: é beneficiar os mais ricos. Sim, porque nestes últimos dez anos inúmeros empreendimentos foram lançados: condomínios, prédios de alto padrão, sobrados etc, cuja planta de valores não foi atualizada. Resultado: os mais ricos estão pagando menos impostos que os mais pobres.

Mas, no PMDB,  há aqueles que não sabem (ou não querem) fazer contas. Não imaginam que se Iris for eleito poderá ter que enfrentar, já no primeiro ano, falta de recursos para pagar a folha, manter os serviços da prefeitura em dia e fazer investimentos.

Outra conta que não é feita no PMDB – pelo menos no PMDB de Agenor Mariano, é o tempo de televisão. O PT, do prefeito Paulo Garcia tem cerca de sete minutos. O maior tempo. Não importa se neste momento o PT está desgastado pela campanha permanente que é feita contra o partido pela Rede Globo & Associados, ou que o prefeito Paulo Garcia não registra seus melhores índices de popularidade. Talvez fosse interessante se o PMDB fizesse uma pesquisa sobre a popularidade dos seus prefeitos: Maguito Vilela (Aparecida de Goiânia) ou Humberto Machado (Jataí). Provavelmente ficarão estarrecidos, ao constatarem que a população lhes dará baixíssimas notas de aprovação. Isto vai acontecer, não porque Maguito e Humberto sejam maus administradores, a queda na popularidade é fruto desta campanha pessimista que é feita diuturnamente contra a política pelos grandes meios de comunicação em conclui com setores do Ministério Público e da magistratura. Não escapa ninguém. Tanto assim que a pesquisa Ibope publicada no mês de outubro último registrou todos os possíveis candidatos à presidência da República em 2018 com rejeição na casa dos 50%.

Não escapa ninguém. O bombardeio contra a política vitima a todos.

Mas o PMDB de Agenor Mariano não pensa assim e prefere lascar as finanças da prefeitura e dar um pontapé no PT do prefeito Paulo Garcia e, com isto, fazer o que o PMDB aprendeu a fazer: perder eleições.

O ex-prefeito Iris Rezende é favorito para as eleições de 2016. Mas não é imbatível. Ninguém é. O cenário mudou. A população está mais crítica. Quer mais dos políticos e dos governantes.

O cenário de 2016 não é similar ao que ocorreu em eleições pretéritas. Todo mundo está desgastado:  prefeitura, o governo do Estado, os partidos, os políticos. E, mesmo assim, serão muitos os candidatos à sucessão municipal. Pela base governista, PSDB, PP, PTB e PSB têm nomes experientes, com passagem por governos e por outras eleições. Ou será que é fácil para o PMDB de Agenor Mariano uma disputa contra adversários como Giuseppe Vecci (PSDB), Sandes Júnior (PP), Luiz Bittencourt (PTB) e Vanderlan Cardoso (PSB). O PT também tem nomes para apresentar na disputa, como os deputados estaduais Humberto Aidar, Luis Cesar Bueno, Adriana Accorsi e o ex-reitor da UFG, Edward Madureira.

Será que o PMDB de Agenor Mariano encara sozinho a união de todos estes adversários no segundo turno?  Ou a aposta é que o PTB de Jovair Arantes e o PSB de Vanderlan Cardoso vão deixar a base marconista para dar a vitória ao irismo em Goiânia e se juntar ao PMDB na campanha do senador Ronaldo Caiado (DEM) ao governo do Estado em 2018?

E será que a vitória de Iris Rezende e a campanha deste em favor de Ronaldo Caiado em 2018 é o que quer a maioria do PMDB?

O racha na escolha do diretório estadual do partido mostra que não. O deputado federal Daniel Vilela não esconde que quer ser protagonista do projeto maior do partido em 2018. E o que é mais legítimo? Um candidato do PMDB ou o apoio do partido a um candidato do DEM? Este é o questionamento que apoiadores de Vilela fazem.

O PMDB de Agenor Mariano tem que fazer estes questionamentos. O jogo não está claro nem na própria legenda. E sem garantir a hegemonia interna é perigoso transfomar aliados em adversários.

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