Brasil

Os paralíticos emocionais

Redação DM

Publicado em 25 de novembro de 2015 às 21:09 | Atualizado há 11 anos

Fico extasiada como nessa geração de alucinógenos e androides ainda seja moda a ausência do sentir. Ainda estamos na era que o ego é mais valioso que a razão. Que a vulnerabilidade é mais importante que o respeito e que dinheiro tem mais peso que o amor.

Vez ou outra esse tipo de reflexão sem sentido me leva a algum lugar, como, por exemplo, enxergar a autodefesa por detrás da arrogância e a solidão por detrás da frieza.

O relacionamento com pessoas que são incapazes de reconhecer seus sentimentos, que não dispensam carinho, afeto e principalmente disposição de alma- corre-se o risco de futuras frustrações para aquelas que entram no sentimento de forma voluntária e espontânea.

Muitas pessoas aspiram em estar em relacionamentos duradouros, mas se esquecem de que esse tipo de relacionamento exige dedicação, reconhecimento e muita paciência de ambas as partes envolvidas.

A cumplicidade e o companheirismo são fundamentais em um relacionamento saudável. Pessoas que não estão dispostas a dividir não deveriam se relacionar com ninguém, a não ser com elas mesmas.

Quando um paralítico emocional decide relacionar fica difícil para o parceiro entender sua frieza. A relação normalmente é pesada demais ao que se entrega e turbulenta ao que não se entrega, pois é extremamente difícil para o paralítico emocional lidar com as questões emocionais que surgem, gerando conflitos e decepções.

Quando por ventura entramos em uma relação com alguém que carrega essa frieza, sentimo-nos sozinhos e definhamos diariamente naquela suposta união. Obviamente aquela pessoa continua caminhando, sem a menos consciência, prosperando e sorrindo. Com frequência essas pessoas são atraente, cultas, inteligentes, e não raro misteriosas, instigando sentimentos e devaneios nos parceiros que cegamente está na relação; quanto mais aparentemente se envolvem em contrapartida é o tamanho é a frieza e afastamento emocional, levando a graves conseqüências como solidão e até mesmo depressão do outro.

As pessoas firas não partilham nada. Não gostam Não sentem… não nada. Nunca nos convidam para dentro do seu eu, se consideram profícuos dos sentimentos e encaram a vida como um filme no qual são meros telespectadores.

É preciso, entretanto, enxergar além, compreender que pessoas assim não valem a pena. Que o amor não é dispensável nem pelo mais autêntico dos seres.

Passei por isso uma vez, quando percebei o iceberg eu estava entrando, e lhe digo, não é fácil decidir pôr um fim à relação. E, apesar disso, mesmo notando a falta de amor continuar a sentir-se ligada. Porque há carinho, porque há ainda alguns resquícios de alguns sonhos, porque ainda não completou o lu to ou pura e simplesmente porque continua a haver alguma curiosidade em relação ao que o outro anda a fazer.

Mas, o fato é, que mesmo sofrendo, vale a pena procurar por um amor que estremece, “enverga”, balança forte, mas não quebra ou sucumbe, pois terá raízes profundas e construídas sobre uma base relacional onde imperam o respeito mútuo, franqueza, transparência, sinceridade e a verdade, aliados a um compromisso mútuo de resgate, em tempos de perdas de si mesmo, do prumo da própria vida ou desnorteio nas decisões e ações da vida.

 

(Josanne Gonzaga, poeta com 4 livros publicados e participação em 3 antologias, coach e administradora de Empresas – E-mail [email protected])

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