Cotidiano

Apoio da maioria facilita acordo com as Farc, diz cientista político

Redação DM

Publicado em 26 de outubro de 2015 às 00:35 | Atualizado há 11 anos

BOGOTÁ — Os resultados das eleições na Colômbia podem ter forte influência nas tentativas do governo de alcançar um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Segundo Henry Cancelado, professor da Pontifícia Universidad Javeriana de Bogotá, o resultado das eleições locais é muito importante.

De que forma as eleições influenciam o acordo?

Se o presidente Santos conseguir maioria, com aliados nos governos regionais, a implementação do acordo será mais fácil. É a primeira vez que as eleições regionais têm tanta importância.

Como a sociedade reage, após 50 anos de guerrilha?

Os colombianos não querem as Farc. Mas entre alguns setores há resistência e desconfiança. Há aqueles que dizem que a guerra é mais desgastante, que se deve apostar no processo de paz. Há a direita encabeçada por Uribe que é contra a impunidade. E os militares que se perguntam o que vai acontecer com eles após o fim do grupo guerrilheiro. Na medida em que se acaba o inimigo com o qual lutavam há 50 anos, o que os define? Outra questão é como a sociedade vai lidar com o processo de perdão para que o acordo seja de fato implementado.

Há pontos obscuros?

O processo foi hermético. Congressistas cobram informações. Ninguém sabe o que acontece em Havana. Não sabemos haverá reforma constitucional ou não.

A participação política das Farc está sendo elaborada?

Fala-se em participação de uma cúpula das Farc. Porém, com oito a 20 anos de prisão para quem confessar crimes, não é uma contradição?

Quem ganha e perde?

Os derrotados são os militares e a direita. As Farc podem sair da clandestinidade. E o governo, de centro, acabou com a ameaça política na Colômbia. Os governantes não querem homens com fuzis ameaçando tirá-los do poder.

As Farc ainda ameaçam?

Os cabeças militares morreram. Não estamos em guerra civil. A Colômbia não é a Síria. O que temos são seis mil homens armados, e uma rede que poderia chegar a 20 mil. em uma população de 48 milhões de pessoas, representa menos de 1%. É um grupo na agenda política do governo.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia