Cotidiano

Cristina vota na Argentina e diz que cumpriu promessa

Redação DM

Publicado em 25 de outubro de 2015 às 00:20 | Atualizado há 11 anos

BUENOS AIRES — Os colégios eleitorais foram abertos e os argentinos começaram a votar neste domingo em eleições que marcam o fim de 12 anos do kirchnerismo no país. A expectativa é que mais de 32 milhões de pessoas compareçam às urnas, que devem ser fechadas às 18h locais (17h no horário de Brasília). A atual mandatária, Cristina Kirchner votou ao meio-dia e ressaltou ter cumprido a promessa de seu marido, Néstor, de entregar um “país normal”.

Seu candidato e favorito nas pesquisas, Daniel Scioli, cumpriu seu compromisso eleitoral logo cedo ao lado de sua mulher, Karina Rabolini. Sem falar sobre as expectativa de resultado, ele pediu a todos os argentinos que atuem com responsabilidade e respeito à vontade popular.

— O povo argentino amadureceu muito, vai votar com convicção. Um grande esforço está sendo feito — disse o candidato governista. — Há muita expectativa no mundo, então que ninguém atrapalhe esse processo eleitoral e a vontade popular.

Os dois principais adversário de Scioli também disseram esperar que o pleito ocorre sem registros de irregularidades, ressaltando que o pleito representa uma mudança importante para o país

— Hoje é um dia de muita esperança e alegria. Além do resultado, começa uma nova etapa na Argentina — destacou Sergio Massi, candidato pelo partido Uma Nova Alternativa (UNA).

— Esperamos que a festa da democracia siga da mesma forma e que, ao fim do dia, possamos dizer que começa um momento histórico no nosso país — afirmou Mauricio Macri, do grupo Mudemos.

Scioli aparece na frente nas pesquisas, seguido por elos opositores Macri e Massa. No entanto, a possibilidade de esta rodada de votação sair com um presidente eleito ainda é uma incógnita, já que Scioli precisa obter mais de 45% dos votos ou 40% com uma vantagem de 10 pontos sobre o segundo colocado.

. Além do presidente e do vice-presidente, os argentinos devem escolher deputados nacionais e parlamentares para o Mercosul. Onze províncias também definirão governadores e outros cargos, tudo em apenas uma cédula.

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A eleição mais importante para o kirchnerismo é a de Buenos Aires, onde vive um terço do eleitorado nacional. Na província mais importante da Argentina, governada por Scioli desde 2007, a aposta é ter o atual chefe de Gabinete, o polêmico Aníbal Fernández — denunciado recentemente por supostos vínculos com o narcotráfico — como homem forte. Fernández é um dos mais antigos aliados da família Kirchner e sua vitória seria uma ótima notícia para Cristina e o núcleo duro do kirchnerismo.

CRISTINA VOTA EM “UM PAÍS NORMAL”

De bom humor e sob aplausos de partidários, a atual presidente votou na cidade de Rio Gallegos, capital da província de Santa Cruz. Cristina cumprimentou todas os fiscais presentes e tirou fotos com eleitores. A jornalistas, ela disse que se sentia cumprindo uma promessa de entregar um “país normal”.

— Sinto que cumpri uma promessa, que fez em 25 maio de 2003 (quando seu marido assumiu o poder) ao país um santacruzense (em referência a Néstor) que disse a todo o povo que iríamos chegar a votar em um país normal. E assim ocorre. Sempre se havia vota em condições particulares, mas agora estamos votando depois de três mandatos consecutivos, em um país absolutamente normal — disse Cristina.

Questionada sobre o que fará depois que o novo presidente assumir, ela não hesitou:

— O de sempre, militar — disse, antes de viajar para Buenos Aires, onde esperará o resultado.

BOLSO PESA NAS URNAS

Na reta final da campanha, Scioli, Macri e Sergio Massa anteciparam mudanças em matéria econômica. Os três candidatos, Macri com mais ênfase, mostraram-se preocupados com o calote da dívida. Seus economistas de confiança confirmaram que, caso cheguem ao governo, buscarão um acordo com os chamados fundos abutres, que estão litigando contra a Argentina em tribunais americanos. Trata-se de uma iniciativa também defendida pelo principal assessor de Massa — o ex-ministro da Economia do primeiro governo Kirchner, Roberto Lavagna — e que está na contramão do manual de políticas kirchneristas.

A estagnação econômica no país, que junto com regulações governamentais afastaram os investidores, é outra preocupação dos três. Apesar das diferenças ideológicas, os principais candidatos dão sinais que vão combater a escassez de investimentos, controlar a alta inflação e reduzir os níveis de insegurança, mas tentando manter as conquistas sociais.

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