Cotidiano

Juiz da Lava-Jato aceita nova denúncia contra a Odebrecht

Redação DM

Publicado em 19 de outubro de 2015 às 02:05 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO – O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal, aceitou nova denúncia contra seis executivos da Odebrecht e ex-funcionários da Petrobras por irregularidades em oito contratos firmados pela empresa com a estatal. Determinou ainda nova prisão preventiva de quatro dos réus: o presidente da holding Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e os executivos da empresa Rogério Santos de Araújo e Márcio Faria e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque. Apenas César Ramos Rocha, funcionário da empreiteira, e Pedro Barusco, ex-gerente da estatal e delator na Operação Lava-Jato, não tiveram nova prisão preventiva decretada.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) na última sexta-feira, as propinas nos oito contratos teriam alcançado R$ 137 milhões.

Ao justificar as novas preventivas, Moro disse que Bernardo Freiburghaus, que intermediava pagamento de propinas, já se refugiou no exterior e dificilmente será extraditado, pois é cidadão suíço. “Há risco de que os demais, com os recursos que dispõem, também se refugiem no exterior, colocando em risco a aplicação da lei penal”, afirmou Moro, acrescentando que Márcio Faria também tem dupla nacionalidade e enviou mais de R$ 10 milhões ao exterior entre agosto e setembro de 2014.

Na decisão, o juiz lembrou ainda que mensagens identificadas pela Polícia Federal sugerem destruição de provas, como a referência a “higienizar apetrechos MF e RA”. Para ele, seria uma orientação de Marcelo Odebrecht para que os aparelhos eletrônicos utilizados por Márcio Faria e Rogério Araújo fossem limpos, para que “fossem apagadas mensagens ou arquivos neles constantes eventualmente comprometedores”. Moro diz que o material de informática apreendido com os executivos “apresentou parcos resultados, somente umas poucas mensagens de relevância probatória”.

Para o juiz, a maioria das mensagens telemáticas relevantes foram do próprio Marcelo Odebrecht que “ao que tudo indica, não acreditava que seria alvo de investigação”

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