Tarso Genro ataca negociação de acordo entre PT e Cunha
Redação DM
Publicado em 15 de outubro de 2015 às 00:45 | Atualizado há 11 anosSÃO PAULO – O ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro avalia que se o PT fizer um acordo para evitar a cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em troca do arquivamento dos pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff, estará “entregando a sua alma ao diabo”. O petista fez críticas ao partido, nesta quinta-feira, em sua página no Facebook.
“Fazer esse acordo, é entregar a alma ao diabo. É se colocar no mesmo nível dos defensores do impedimento, que tinham até ontem Cunha como o seu líder mais coerente e reconhecido”, afirmou Genro, em sua página o Facebook.
Um dos principais líderes da corrente interna Mensagem ao Partido, crítica da atual direção petista, o ex-governador disse “custar a crer” ser verdade que o partido negocia com o presidente da Câmara. “Se isso, porém, for verdadeiro, deputados do PT — ressalvados os 32 que assinaram o pedido de cassação de Cunha — estarão cometendo o mais grave erro coletivo, político e ético, da história da bancada.”
O Ministério Público da Suíça informou que Cunha e seus familiares são beneficiários de quatro contas no país. Em março, ao falar de forma espontânea à CPI da Petrobras, ele havia dito não ter dinheiro no exterior.
Ainda nas palavras de Tarso Genro, a negociação indica que a bancada do partido não tem “compreensão da interdependência necessária entre fins e meios na política”. Na terça-feira, 32 dos 64 deputados do PT assinaram a representação do PSOL e da Rede contra o presidente da Câmara no Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro parlamentar.
No mesmo dia, o presidente do PT, Rui Falcão, foi evasivo ao comentar o apoio do partido à representação.
— Foi o PSOL que representou. Os deputados já tinham se manifestado. O partido vai aguardar.
Questionado se Cunha deveria ser afastado agora, Falcão respondeu:
— O Conselho de Ética que vai decidir isso — disse.