Cotidiano

PT libera bancada sobre pedido de afastamento de Cunha

Redação DM

Publicado em 13 de outubro de 2015 às 00:31 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – A bancada do PT na Câmara decidiu que não irá recomendar, oficialmente, a assinatura da representação do PSOL pedindo o afastamento do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara. Por cautela, segundo o líder Sibá Machado (PT-AC), a decisão foi de apenas liberar os parlamentares para aderir ou não à representação. Logo após a reunião da bancada do PT, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) chegou ao local e começou a recolher assinatura dos petistas e obteve 30 adesões. Sibá negou que a decisão tenha sido tomada por temor de apressar uma decisão de Cunha sobre o impeachment, porque, segundo ele, o Supremo já derrubou qualquer possibilidade de o presidente da Câmara comandar um processo de afastamento da presidente, até o julgamento do mérito das liminares.

Na reunião, os petistas comemoraram a decisão do STF. O deputado Wadih Damous (PT-RJ) foi calorosamente aplaudido pelos petistas quando leu o despacho do ministro Teori Zavaski. O mesmo aconteceu quando a bancada foi liberada para assinar a representação do PSOL.

— O fato é, com a decisão da Suprema Corte, não adianta Eduardo Cunha pensar em vingança. Tem que cumprir a ordem do Supremo e acabou, ponto final. Não adianta espernear nem chorar. Mas se precisar de lenço, a deputada Maria do Rosário está com a bolsa cheia e pode lhe emprestar alguns — ironizou o deputado Wadih Damous.

— O deputado Eduardo Cunha não está legitimado nem para presidir a Câmara nem para comandar nenhum processo de impeachment. A bancada foi liberada para assinar e vamos assinar — disse Maria do Rosário, que, junto com o deputado Henrique Fontana (PT-RS) começou a ligar para outros petistas para assinarem a representação do PSOL.

O líder Sibá Machado se irritou quando perguntado se a bancada não havia recomendado o pedido de afastamento de Cunha por medo de retaliação.

— Pelo amor de Deus, não vou responder isso não. Eu falo por mim e pela bancada, mas quem tem que decidir isso é o Diretório Nacional, o comando do partido, não a bancada. Mas se vier a esse ponto, de abrir processo de impeachment, estamos preparados para o embate na Câmara e nas ruas — reagiu Sibá. — Nesse momento a palavra é cautela — completou.

O comando petista considera que a suspensão do rito sumário dá um alívio para os articuladores do governo e mostra que o Supremo se mostrou sensível às ações da área jurídica para se contrapor a uma ação política de Cunha.

— Estamos debatendo as liminares. Uma vitória que mostra o caminho para futuras ações no Supremo. Só depois vamos discutir o que fazer com Eduardo Cunha — disse um dos parlamentares petistas que está na reunião.

— O STF já consolidou seu entendimento por meio da Súmula Vinculante nº 46 e não podemos admitir que uma autoridade pública escolha livremente as leis e decisões que quer seguir, definindo regras que são claramente ilegais — disse o deputado Paulo Pimenta, ao comentar as duas liminares do STF.

Ontem a noite, em reunião do ministro Ricardo Berzoini, da Secretaria de Governo, a ordem foi que os deputados petistas se preparassem para o combate duro que se anuncia, para impedir a aprovação de um pedido de afastamento da presidente Dilma.

Em relação a Cunha, a decisão ontem na reunião era esperar seu posicionamento sobre pedidos de impeachment. Se ele acatar, os petistas irão para o confronto e pretendem pedir seu afastamento do cargo e cassação no Conselho de Ética.

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