Cotidiano

Partidos anunciarão nesta quarta bloco sem PMDB

Redação DM

Publicado em 7 de outubro de 2015 às 01:16 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – Horas após a nova derrota do governo no Congresso, que mais uma vez falhou em conseguiu quorum para realizar a sessão de apreciação dos vetos presidenciais na manhã desta quarta-feira, um grupo de 82 deputados do bloco governista da maioria na Câmara irá anunciar a criação de um novo bloco, desta vez sem o PMDB, maior partido aliado ao Palácio do Planalto. Toda a movimentação de formação do bloco foi acompanhada de perto pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que é rompido com o governo.

O bloco, composto por PP, PTB, PSC e PHS, terá um viés de independência em relação ao governo. O PP, que tem 39 deputados e ocupa o Ministério da Integração Nacional, pretende seguir uma orientação mais governista, mas sem “alinhamento automático”. O PTB, com 25 deputados, que tem o Ministério do Desenvolvimento, declarou independência em relação ao Palácio do Planalto em agosto e pretende manter a posição no bloco. Já o PSC, que tem 13 deputados, atua mais afinado com a oposição. O líder do PSC, André Moura (SE), é aliado de primeira hora de Cunha.

Para evitar o vexame de ser expulso do bloco ou ter seu líder, Leonardo Picciani (RJ), destituído, o PMDB encontrou a saída honrosa de deixar o grupo. Picciani teve de recolher assinaturas de mais da metade dos deputados de sua bancada para avalizar a decisão e já tem preparado ofício para consolidar o ato. Haverá rodízio entre os deputados para liderar o novo bloco.

– O bloco tem viés de independência, mas não é totalmente. Todas as decisões serão tomadas em conjunto – afirma o líder do PTB, Jovair Arantes (GO).

As principais queixas dos deputados rebeldes recaem sobre a condução da reforma ministerial e também sobre a atuação governista de Picciani à frente da liderança. Esses partidos desejavam ter tido maior protagonismo na reformulação do governo e ter atendidas suas demandas por cargos. O PTB, por exemplo, briga pela presidência da Casa da Moeda; o PP gostaria de retornar ao robusto Ministério das Cidades, entregue no início do ano ao PSD.

O objetivo do rompimento é mostrar que, mesmo com as mudanças no primeiro escalão promovidas na reforma ministerial, o governo continua enfraquecido na Câmara. Segundo o líder de um desses partidos, há intenção de deixar claro que o Palácio do Planalto escolheu o “interlocutor errado” quando decidiu negociar diretamente com Picciani.

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